Bem-Vindo Errante Viajante

Do Olimpo trago a almejada chama, da qual sugiro dançarmos embriagados a sua volta, e quando assim for, sujiro arriscar tocá-la, pois, felizes os que dela se queimarem.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

RPG: Aventuras em Yrth - Ladrões de Corcéis Encantados - Adrien, O Caminhante - Parte 1

Adrien, O Caminhante.
Raça: Meio Elfo.
Natural do Reino de Mégalos (Continente de Ytarria).
Nascido sobre o signo de Peixes.
Ofício: Ranger/Mercenário.

História do Personagem.

Adrien de Lacross (nome humano) ou Auiin Ellys (nome élfico) é um meio elfo, fruto de uma paixão avassaladora, e, sobretudo, fatidicamente momentânea, entre um humano e uma elfa. Contudo, cabe conhecer que o humano em questão era Freddo Di Lacross, uma espécie de anti-herói, um alguém desprendido de valores morais, familiares e sentimentos para com as suas amantes cruelmente capturadas por sua lábia sedutora ou por outros meios não convencionais. Allíass El, por sua vez, era uma jovem elfa da floresta que pertencia à casta Negra da Sociedade Elfica de Yarria, porém, uma proeminente guerreira em sua comunidade, que atormentada por dessabores do destino se viu seduzida por Freddo.


Di Lacross, Um alguém que fosse bem menos do que era poderia ter sido melhor do que se almejava.

Ilustração por Guzzardi.
Lorde Dravon Aspen de Lacross,
Pai de Freddo, um aristocrata de prestígio
no grande império de Mégalos,
cujas terras de seu feudo atribuem o
nome a vila de Lacross,
administrada pela família.
Freddo Aspen de Lacross, ou Di Lacross como era conhecido popularmente, era uma espécie de caçador de recompensas, um aventureiro nato, errante em busca de fama e poder. Embora, a sua família tivesse uma generosa herança a lhe servir, incluindo riquezas, propriedades, e títulos de nobreza, esse filho nascido em berço de ouro megalano, almejava muito mais, sobretudo, a pervertida possibilidade de desfrutar sexualmente de todos os tipos de mulheres que existissem nesse continente e em outros mais que pudesse chegar. Uma peculiaridade que Freddo desde muito jovem adquiriu ao ser lançado em um mundo obscuro de luxuria e perversão por indução de seus tios no intuito de macular a honra de seu pai, o que de fato nunca se concretizou, apesar das incontáveis peripécias que vieram à tona.

Lorde Dravon Aspen de Lacross, pai de Freddo, almejava que o filho se tornasse um cavaleiro com todos os títulos, pompas e honrarias que cabem a um ordenado, tal como ele foi um dia, contudo, isso não seria possível, pois, no sangue do jovem não havia tal anseio, ele era indisciplinado, arredio e desafeto de tal intenção por mais que lhe fosse quisto o patriarca. O ídolo heroico do filho era Vinnie Storm, um lendário ladrão e guerreiro citado nos anais históricos de Ytarria, cuja ambição por riquezas e luxúria se assemelhava aos de Freddo.

Porém, por mais indisciplinado que fosse para as questões burocráticas, diplomáticas e tratos sociais, Freddo Di Lacross não era um tolo boêmio ao ponto de dispensar instruções que lhe possibilitassem a sobrevivência, sobretudo, tratando-se elas de proficiências voltadas às artes bélicas. Desta forma, embora fosse ele o mais jovem de todos os quatro filhos de Dravon, foi ele quem melhor dominou o manejo de armas como as espadas de laminas largas, as lanças de todos os tipos e tamanhos, e a rede. Aos dezessete anos ele era considerado um prodigioso esgrimista, para consolo de seu pai e inveja de seus irmãos.


Medus, a derrocada de uma estrela em ascensão nas arenas de Teridar.

O seu temperamento impulsivo, desdenhoso e a sua natureza sobrevivente fizeram com que Freddo se aventurasse clandestinamente em arenas de gladiadores, sobre a alcunha de Medus, O Ferrão Defiant. Almejava ele provar as suas capacidades marciais diante de seu pai e dos demais se sujeitando a vida de servos treinados exclusivamente para combates mortais. E sob a carapaça de Medus, Freddo conheceu um lado da vida o qual ele jamais se esqueceu, pois, os dias em uma Casa de Gladio na cidade de Teridar (nordeste do império), apresentaram a ele um mundo ainda mais censurado, cruel e desumano, no qual a habilidade em combate mostrava-se válida e muito útil dentro de uma arena ao longo de um período mínimo de entretenimento de uma plateia ávida por sangue, contudo, a grande maioria do tempo, implicava em uma recorrência sem fim de desgastantes testes psicológicos, treinamentos com armas e combate, e, ainda, conflitos internos por mediocridades,

Ilustração por Dan Luvisi.
Freddo de Lacross assume a falsa
identidade de Medus, O Escorpião Defiant,
um gladiador desconhecido, sem origens
e que suas vitórias trazem renome
a Casa de Gladio de Venâncius Blade.
Para Freddo chegar a Casa de Gladio de Venâncius Blade, uma das mais antigas e bem reputadas escolas de gladiadores do Império Megalano, foi necessário a ele habilidade para subornar homens que lidavam com o comércio de escravos na cidade de Teridar. Havia muitos riscos que nem os menos sensatos estavam dispostos a correr, por qualquer que fosse a quantia envolvida, porém, no fim, o jovem lorde conseguiu o que tanto almejava.

Com pouco mais de nove meses de estadia com os gladiadores em Teridar, Freddo Di Lacross viveu o glorioso momento de ter seu nome aclamado com veemência pelas massas de uma grande arena após uma sequência de indubitáveis vitórias, e, consequentemente, uma ascensão mal quista diante de outros grandes guerreiros. No entanto, tal projeção do guerreiro de origem duvidosa fez com que um plano maquiavélico fosse tramado pelos demais gladiadores da Casa de Gladio de Venâncius Blade a qual pertencia, homens que não se sentiam confortáveis com a sua presença e o invejam de alguma forma.

Assim sendo, em uma dada noite, após mais uma vitória na grande arena de Teridar, Medus foi premiado pelo senhorio Pillus Venâncius com um farto banquete, um excesso de variados tipos de bebidas alcóolicas e a companhia de três agradáveis meretrizes para lhe satisfazerem sexualmente em um leito exclusivamente seu, algo disposto somente aos campeões da casa. Porém, ao desmaiar em sono profundo pelo árduo exercício de comemorar a grandeza de seus feitos, Freddo foi surpreendido durante a madrugada ao ser amordaçado de costas no leito onde repousava, e, sobre o seu rosto, colocaram-lhe um fétido saco de excrementos e sangue a fim de lhe encobrir a visão de seus algozes. Ele experimentou pela primeira vez na pele a aterradora sensação de ser violado sexualmente e com violência desmedida por dezenas de homens que compunham a irmandade da Casa de Gladio que o acolheu, enquanto ouvia seu nome ser citado em sussurros de escarnecido prazer em meio aos gritos de dor semelhante proferidos pelas suas companheiras.

Ilustração por Ralph Horsley.
Lorde Pillus Venâncius, Senhor da Casa de
Gladio Venâncius Blade, acolheu Freddo
sobre a alcunha de Medus, e, que, para se
ver livre do hospede vivo sem maiores
tumultos, solicitou a Dravon um pedido
de desculpas em tributos como reparação
a essa tola meninice.
Aquilo foi um fato que isolou Medus dos demais gladiadores por duas semanas como medida cautelar dos administradores para que o ocorrido não se transformasse em uma chacina naquela honorável Casa de Pillus Venâncius. Em seu confinamento, Freddo mais a se assemelhava a uma besta selvagem avida por vingança sanguinária, fomentando a brutalidade de suas ações assim que ganhasse a liberdade.

Parcialmente recomposto após o isolamento, e tomado por um desejo sangrento de vingança de liquidar um a um dos fétidos combatentes que dividiam o teto daquela casa de combatentes, Medus tentou buscar meios para colocar seu plano em pratica, contudo, ele logo se viu compelido a não fazê-lo pela sua insuficiência de forças e a unidade de seus inimigos. Sendo assim, Freddo buscou junto ao senhorio da Casa de Gladio a sua liberdade imediata por se tratar de um nobre, algo que surpreendeu a todos. Porém, a liberdade do filho de lorde Dravon Aspen De Lacross só chegou três semanas depois, quando o pai enviou ao senhorio do lugar por intermédio do filho, Albionne, um generoso pedido de desculpas pela conduta inadvertida e intrépida do filho nos jogos imperiais. As desculpas em si foram uma espécie de pagamento de resgaste, uma encarecida oferenda a ser considerada,

Em Teridar os asseclas de Pillus Venâncius semearam entre o publico dos jogos o boato de que o gladiador Medus havia sido atacado por uma serpente em uma noite enquanto dormia, e, que em função do veneno mortal da criatura, a morte havia lhe acometido fatalmente. Porém, outra história logo foi à tona e ganhou mais forças entre a massa: Medus foi brutalmente violentado até a morte quando os demais gladiadores souberam que ele havia matado por bel-prazer as três mulheres contratadas para satisfazê-lo após sua última vitória.

O fato é que as três cortesãs contratadas por Pillus para amparar o campeão em suas necessidades lascivas, também não foram poupadas de um destino mortal, pois, com receio de que as mesmas viessem a público relatar o que havia se sucedido naquela agourenta noite na Casa de Gladio de Venâncius Blade, os inimigos de Medus concluíram por bem elimina-las também.

Até a chegada de Albionne Aspen de Lacross a cidade de Teridar levando consigo o pagamento de desculpas a Lorde Pillus, Freddo foi mantido distante dos demais gladiadores, enclausurado em uma sela especial nas dependências da grande casa do senhorio, sem qualquer tratamento especial.


O encontro com Brad Storm e a possibilidade da concretização do sonho de uma vida de épicas aventuras.

No caminho de volta para casa, Freddo tomou conhecimento do preço que o pai pagou pela sua soltura daquela Casa de Gladio, o que lhe deixou ainda mais envergonhado e transtornado. Muito antes de chegar à pequena cidade onde sua família era reputada, o jovem se viu obrigado a se evadir daquela missão de retorno, pois, compreendia que naquele momento era emergencial a sua necessidade de reconquistar a grandeza de seus feitos, ou seja, não poderia ele retornar para graça de seu lar de mãos abanando, como um pesado fardo ou um pária, principalmente, tendo ele chegado tão longe dentro das arenas de gladio em Teridar.

Ilustração por Artastrophe.
Brad Storm, filho do lendário herói
Vinnie Storm com a princesa Rhiana
de Marshanda, e que agora busca
meios em Ytarria para liquidar um
terrível mal que recaiu sobre o
continente onde nasceu.
Para desespero de lorde Dravon Aspen, Albionne retornou a Lacross sem a presença do irmão mais novo, desaparecido desde a passagem pela grande cidade de Yibyorak.

Na cidade goblin de Yibyorak, após se desvencilhar do irmão, Freddo clandestinamente sobe em uma embarcação marítima que o levou até a cidade portuária de Dekamera (Mégalos). E, nesse local ele tomou conhecimento de que um homem de sobrenome Storm estava a contratar audaciosos e destemidos aventureiros para ingressarem em uma confraria de corsários, algo que o deixou extremamente esperançoso de se aliar aquele que é o seu ídolo e aspiração para os seus feitos, principalmente, conhecendo a reputação de que Vinnie seria imortal. Em pouco mais de dois dias perscrutando todas as informações que permeavam o submundo, Freddo chegou ao contratador em questão, Brad Storm.

Brad Storm se simpatizou com a pessoa de Freddo, sobretudo, ao longo de uma rodada de bebidas pagas pelo ex-gladiador de Teridar em uma taverna próxima ao porto - não que necessariamente tenha sido Lacross o fiador daquela libação, mas um dos azarados tripulantes da embarcação em que viajou as escondidas. E, na oportunidade, o jovem Storm relatou com uma convicção ímpar que: era mesmo filho de Vinnie com uma princesa de um reino chamado Mashanda - um lugar que pertencia a outro continente deste mundo (Yrth) -, e, que a reunião desse grupo de audazes aventureiros tinha como propósito a busca por um item mágico perdido aqui nesse continente (embora, de fato não pertencesse a ele ou fosse criado por alguma criatura que aqui habitasse), algo de poder extraordinário capaz de deter um mal que assombrava as distantes e enigmáticas terras a sudoeste de Ytarria.

Aquilo suscitou na alma de Freddo uma perspectiva sem igual de ingressar em uma poderosa e épica jornada rumo ao desconhecido – algo que a tanto a sua alma ansiava.

Sem mais rodeios, e pesar de já se encontrar demasiadamente bêbado, Brad Storm informou a Freddo que nos próximos dias ele seria testado, de forma que provasse a sua lealdade e convicção, para então ingressar ao grupo de destemidos aventureiros. Uma confraria que já contava com outros quatro membros. Lacross aceitou as condições de Storm, embora houvesse um resquício de dúvida, algo normal para quem passou recentemente por um trauma como o dele.

Ilustração por Aomori.
Freddo tencionava retornar algum dia
a Teridar e por fim a Casa de Gladio
de Venâncius Blade, porém, sabia que o
momento que se apresentava
agora lhe era único, e, importante
para a plenitude de sua vingança.
Freddo tinha em mente a clara intenção de retornar a cidade de Teridar para liquidar a todos da Casa de Gládio e o Senhorio Pillus, porém, ele sabia que essa vingança agora deveria esperar, pois, se havia algo que desde muito jovem tinha aprendido: era de que uma vingança bem servida deveria ser disposta fria aos seus algozes. O seu pensamento agora viajava a léguas de distância a sudoeste de Ytarria, embora, houvesse etapas da missão a serem cumpridas ainda aqui nesse continente, principalmente, a sua aceitação nessa confraria liderada por Brad Storm.

Os dias que seguiram após o encontro com Storm na taverna passaram sem maiores dificuldades para Freddo, isto é, nenhum tipo de dificuldade ou problema, que ele por sua vez, tivesse conseguido resolver ou se desvencilhar sem que algo de muito ruim ocorresse a si ou ao grupo. Assim sendo, logo veio a sua aceitação a confraria Storm, algo do qual desde o início julgou certo ocorrer, embora não soubesse ele, que a vaga somente competia a mais um membro, e que os outros dois que concorriam com ele eram tão competentes quanto.

Uma vez formada a confraria sob a liderança de Brad Storm, o líder julgou então relatar aos companheiros que o poderoso artefato a ser buscado era a lendária Espada Elementar de Forbidden Lands, o arriscado caminho que seria necessário fazer para se chegar até ela, e, todas as lendas conhecidas por ele que a permeavam. Pois, esse foi um dos mais poderosos itens adquiridos por seu pai e seus antigos companheiros de aventura, e, que agora repousava em um local inóspito nas profundezas da temida Floresta Negra ao centro do Império Megalano, sob a proteção de um dragão das sombras vil e ardiloso, conhecido como Sardaph.

Antes do grupo de aventureiros chegarem a Floresta Negra, uma série de outras pequenas tarefas lhes foi conferidas por Storm. Atividades essas que lhes serviram para estreitar o laço de vinculo entre os mesmos, e, assim fazer destes uma real confraria capaz de lutar um pelos outros. Para tanto, se lançaram em missões dispostas em murais de aventuras semeadas em todos os tipos de taverna que havia no caminho a ser trilhado, considerando que as escolhidas não os tirassem da rota, e, não fossem medíocres suficientes. Antes de chegarem ao seu destino, eles já se intitulavam Os Arautos da Tempestade Proibida, e, assim também já eram conhecidos nas regiões centrais do império.


Condolessa, e os dessabores da derrota ante o amor verdadeiro.

No grupo liderado por Storm, Freddo conheceu Condolessa Queen, uma sedutora guerreira com alguns talentos arcanos incomuns, porém, dotada de um temperamento aguerrido, independente e um tanto bruto para uma mulher. O convívio dos dois inicialmente se mostrou algo repleto de animosidade pela adversidade de características, no entanto, passado algum tempo, isso se reverteu para algo bem mais tórrido e profundo. Algo que os dois não buscaram ou que jamais haviam tencionado viver, mas que aconteceu sem lógica.

Ilustração por HBDesign.
Condolessa Queen foi para Freddo Lacross
o seu grande amor. Porém, preferiu o
guerreiro abdicar de tal sentimento pelo
medo e a incapacidade de lidar com a força
das mudanças que o mesmo exigia
em silêncio no âmago de seu ser.
Porém, Freddo Lacross não foi suficientemente capaz de abdicar de sua vida boemia e extremamente lasciva, sobretudo, estando ele na companhia de homens como Storm. E, a Condolessa, assim como aos demais membros da confraria, coube conhecer um lado dela do qual jamais imaginou possuir, o ciumento. Um lado que por diversas vezes a expôs em situações extremas, desgostosas e constrangedoras... Esse lado selvagem e arisco da guerreira, por muitas vezes foi contido por Storm, que interviu em momentos onde um assassínio seria consumado diante de muitos.

Por fim, o sentimento de Condolessa por Freddo se tornou algo exclusivo e encerrado em seu âmago, permitindo a ela somente representar diante dos demais apenas por uma frígida consideração em relação a ele, sobretudo, tendo ela tomado conhecimento das peripécias sexuais de seu amante longe de sua companhia, e muito além daquilo que poderia ser consentido em um relacionamento como o deles, que jamais poderia ser considerado algo possessivo e monogâmico, pois, ela estava muito além do que qualquer outra amante fora para ele, em termo de liberdade e devoção.


Conduzidos por uma estranha sedutora ao covil do dragão.

A caminho da sombria cidade portuária de Hyrnan (Mégalos) e as sombras das medonhas muralhas verdes da Floresta Negra, o grupo foi surpreendido em seu acampamento durante a noite em um ataque mortífero que resultou na morte de um companheiro. Porém, os aventureiros foram bem sucedidos, e, conseguiram em tempo se recuperar do ataque, se organizarem e enfrentarem os desconhecidos inimigos que se moviam como sombras espectrais. Nesse ataque eles também tomaram conhecimento de que Sardaph, o dragão das sombras já os aguardava em seu templo, algo que deixou Storm extremamente irritado com os companheiros, pois, uma informação muito preciosa havia vasado, e, principalmente, ela havia chegado ao conhecimento do inimigo.

Na cidade de Hyrnan, os Arautos da Tempestade Proibida se viram obrigados a repensar uma forma de chegarem ao templo de Sardaph (em algum lugar no coração da grande floresta). Senso assim, eles buscaram nas tavernas e hospedarias locais, mercenários que poderiam lhes servir de guia nessa empreitada, e, encontraram com algum custo, Allíass El, a Elfa Negra.

Ilustração por Stanley Lau Guy.
Allíass El, a Elfa Negra, guia contratada
pelos Arautos da Tempestade Proibida
para chegar até Sardaph, o Dragão
das Sombras, que habita o interior da
Grande Floresta Negra, e detentor da
lendária Espada Elementar
de Forbidden Lands.
Allíass El foi mencionada por alguns como a mais capacitada para chegar a qualquer lugar dentro da Floresta Negra, pois, ela era uma criatura nascida no cerne da agourenta região, e, aquela a quem alguns procuravam para negociar com o dragão (Sardaph). A Elfa Negra possuía uma beleza incomum: uma voz atraente, rouca e pausada; cabelos lisos em tons esbranquiçados; olhos que cintilavam entre tons azuis e acinzentados; um olhar penetrante capaz de refletir a alma daquele com quem conversava - algo incômodo para os habituados a mentir -, e, por fim, um corpo detalhadamente delineado em formas lascivas (desejosas). Ela de longe transmitia ares de confiança, mas, os mistérios que a envolviam pareciam soar no intimo dos homens como algo extremamente instigante, e, assim, Di Lacross, Brad e os demais se viram seduzidos pela elfa de pele azul ardósia escuro, que ao citar o exorbitante preço de seu trabalho, concordaram imediatamente sem questionar nada, crédulos do investimento e da possibilidade de conseguirem algo mais de sua contratada.

Do grupo de aventureiros, Condolessa Queen foi à única que não se viu atraída pela estonteante graça da guia, e, muito pelo contrário, assistiu a aquele espetáculo de sedução em massa de seu grupo com desdém, pois, sabia que a Allíass El poderia persuadi-los fatalmente os conduzindo para uma emboscada já arquitetada pelo dragão Sardaph. Porém, como ótima interprete de sinais e talentosa dissimuladora, a aventureira fingiu também estar encantada pela tal criatura para saber até onde aquilo tudo poderia leva-los. Contudo, precavendo-se antes que algo de muito ruim viesse a ocorrer a todos, pretendia a guerreira agir em favor de seu grupo, sobretudo, de Lacross.

O grupo adentrou a Floresta Negra, e, com aproximadamente sete dias de viagem, em uma caminhada árdua, com pouquíssimas paradas para descanso, excessivos perigos mortais em forma de criaturas indescritíveis e terrores naturais, eles chegaram ao covil de Sardaph, o Dragão das Sombras. Nesse ínterim, Condolessa Queen se viu obrigada a confiar em Allíass El, pois, em muitos momentos foi ela quem os livrou da morte certa, inclusive, do ataque de guerreiros de uma comunidade de Elfos Negros, que não foram receptivos a presença da elfa. Estranhamente, embora a misteriosa guia tenha demonstrado na cidade de Hyrnan um talento para sedução extraordinário, ao longo da viagem, ela se mostrou silenciosa, na dela, e, pouco solicita a amizade interesseira dos homens do grupo, o que fez com que indivíduos do tipo Freddo e Storm, se mostrassem ainda mais encantados e predispostos a arriscar suas vidas por ela, o que angustiava mais e mais, a única mulher do grupo.


O preço de uma grande aventura tende a ser outra grande aventura quando se negocia com Dragões.

Sardaph recebeu os aventureiros em seu covil como um cortês anfitrião, apartando deles uma série de desafios mortais, dos quais já não teriam capacidade física e mental de sobressaírem vivos, devido os desgastes passados momentos antes de adentrarem o lugar. Na oportunidade, o grande dragão das sombras mencionou que a espada ao qual procuravam poderia ser deles, sem que uma gota de sangue fosse derramada no saguão de sua morada, mas que para isso, era necessário que os mesmos buscassem outro item em troca, o Coração de Totsmoon Ark.

Ilustração por Sandara.
Sardaph, O Dragão das Sombras,  que na
oportunidade de liquidar os Arautos da
Tempestade Proibida, oferece a eles a
opção de entregar a lendária espada
em troca de outro artefato.
O dragão lhes orientou que o item se encontrava dentro das ruínas do palácio de Defiant, nos Reinos Orcs, e, que uma perigosa fera o guardava, um antigo beholder. De fato, tratava-se do mago Totsmoon Ark que desejoso por poderes ilimitados e por uma inadvertida maldição foi o próprio transfigurado na besta guardiã. Para chegar até o local, o grupo receberia o auxílio de dragonetes como condução, e, também, deveriam levar consigo a elfa, Allíass Elly, pois, ela já havia participado de uma fracassada incursão até o lugar.

Brad, Freddo e Condolessa perceberam quando na face da elfa houve um lampejo de surpresa ao ouvir a voz hermética da criatura declarar a tarefa.

Antes que os Arautos da Tempestade Proibida na companhia de Allíass El deixassem o templo de Sardaph em suas montarias aladas, o Dragão fez questão de pontuar duas coisas:

- Brad Storm, o item que ao qual você e seu grupo buscarão em Defiant não o favorecerá na batalha contra o mal que assola o reino de seus avós, não tão quão a espada que guardo. Portanto, não seja tolo o suficiente e fazer um destrato comigo;

- E você, Elfa, eis a última oportunidade que lhe concebo sob as minhas graças de se redimir perante o seu povo. Caso fracasse, sugiro que busque outro lugar nesse mundo para morar.


Allíass El, a Elfa Negra,  que por devoção a um legitimo amor se viu lançada em uma fornalha de injúrias.

A comunidade élfica a qual Allíass El pertencia era uma das mais antigas de Ytarria, e foi constituída por uma grande quantidade dos elfos que participaram do evento que gerou o cataclismo, o que trouxe a eles e aos seus descendentes uma mácula eterna de exílio das demais sociedades élficas deste continente. Algo que com o tempo aprenderam a conviver muito bem, sobretudo, nutrindo pelos outros um rancor sem precedentes.

Ocorre que como senão bastasse somente o ostracismo por parte dos demais da espécie, os Elfos Negros também foram perseguidos mortalmente, e, a sua pele de cor diferenciada foi uma solução mágica que os mais antigos elfos encontraram para fazer com que as outras criaturas os reconhecessem, e, pudessem assim, diferencia-los dos demais em sua fúria sanguinária. Porém, essa insígnia com o tempo se mostrou pouco sábia, pois, a vingança dos orcs recaiu sobre todos da espécie, assim como o rancor dos anões. E, aos Elfos recriminados coube associarem forças com entidades de grande poder até então adormecidas, esquecidas ou enclausuradas nas profundezas do subterrâneo. Criaturas cujo poder rivalizavam com a do Eterno.

Os Elfos Negros da Grande Floresta Negra respeitavam Sardaph, pois, ele era um dos filhos de Lorde Belliash - um grande e finado rei élfico desta comunidade -, com a deusa dragão Anki-Hora, a Consorte dos Pesadelos, que habitava as profundezas abaixo da floresta, nos chamados Reinos Profundos e Obscuros. Porém, o dragão das sombras era conhecido pelo seu egocentrismo, e o habito peculiar de colecionar e negociar itens mágicos, ao custo de muitas vidas. Rituais em sua homenagem sempre foram compostos de três coisas imprescindíveis: itens mágicos, grandes festejos e três belas virgens élficas.

Certa ocasião enquanto se preparavam para os festejos de Sardaph, os Elfos Negros daquela comunidade se depararam com um problema, eles não haviam conseguido a terceira virgem élfica que compunha a tradição. E, entre os líderes elfos que tinham filhas virgens foi feito um sorteio para saber qual delas seria disposta ao dragão, e Allíass El foi à escolhida. No entanto, ela era prometida ao guerreiro Auiin Izar a muitas luas passadas.

Na noite que antecedia os festejos ao Dragão, Auiin Izar desafiou os mais velhos de sua comunidade, e foi ao encontro de Sardaph para pedir pela vida de sua noiva. O Dragão, ao contrário do que muitos cogitavam, se mostrou solicito ao pedido do elfo, e, concordou que era possível poupar a vida de Allíass El, desde que algo lhe fosse oferecido em troca até um mês, e, principalmente, de igual valor... Com clareza, Sardaph disse ao elfo que nas ruinas de Defiant havia um tomo de magias singulares que pertenceu ao mago Totsmoon Ark que fora transformada na besta que agora guardava o lugar.

Muito antes de seguir viagem para as ruínas de Defiant, Auiin informou aos mais velhos de seu clã o trato que havia feito com Sardaph, e, que estava disposto a honra-lo, a fim de, ter para si Allíass El. Um irmão do elfo e outros três primos se compadeceram de seu sentimento, e se colocaram a disposição em segui-lo nessa empreitada.

Ilustração por Mir-Nye.
Auiin Izar, o guerreiro Elfo Negro
prometido em casamento a Allíass El,
antes da entrega desta aos cortejos
do filho da deusa Anki-Hora, Sardaph.
Por meio do patriarca de seu clã, Allíass El tomou conhecimento de seu fatídico destino e do que havia se sucedido quando Auiin Izar ficou sabendo. A jovem elfa que já nutria pelo guerreiro prometido grandes expectativas se viu desconsolada com a possibilidade de ter o seu casamento arruinado. Sendo assim, Allíass El, imbuída de um espirito aguerrido e um senso de dever natural para com o seu noivo, logo, buscou meios furtivos para se aliar a comissão em pró do sucesso daquela missão que influenciava diretamente na felicidade de todos, pois, tinha plena certeza, de que a sua participação direta seria sumariamente vetado.

Em Defiant, o grupo de elfos negros liderados por Auiin Izar encontrou muitos desafios mortais, pois, o local se assemelhava a um ninho de infindáveis armadilhas, e outras aterradoras criaturas que se reportavam ao maligno guardião mencionado por Sardaph, o temível beholder Totsmoon Ark. E, sobre o líder dos elfos recaiu uma preocupação e responsabilidade ainda maior, pois, teve que aceitar de forma incondicional a participação de Allíass El na missão.

Os desafios nas famigeradas ruínas de Defianr se mostraram além do que a comissão de guerreiros oriundos da Floresta Negra poderia enfrentar, e, um a um eles foram eliminados com requinte de crueldade, surpreendidos pela grandiosidade do mal que se encontrava encerrado entre aquelas paredes deterioradas pelo tempo, até que somente restasse Auiin Izar. Ela tentou se evadir do lugar levando consigo alguns itens mágicos recolhidos pelos companheiros - como havia orientado o seu noivo -, antes que o funesto fim recaísse sobre ela também, porém, tomada da profunda dor de ter perdido o seu amante, a elfa acabou se deixando apanhar por alguns servos de Totsmoon Ark.

Diante do beholder, e, sem que Allíass El mencionasse uma palavra, a criatura falou como se estivesse dentro da mente dela:

- Sardaph, o filho da poderosa Anki-Hora, faz aniversário e você acredita que seja justo que quem deva pagar pelo presente deste infame seja Eu, Allíass El da linhagem de Ramyoss El? Como estou diante da prometida consorte de meu inimigo, não pouparei a oportunidade de lhe enviar um presente, haja vista que, ele me permitiu antes dele, usufruir de tamanha beleza.

Ilustração por Saryth.
O mago Totsmoon Ark se sente tão
insultado por Sardaph, que se
transformou em uma deidade lasciva
somente para profanar a virgindade da
noiva de seu inimigo, e, não obstante,
ele a envia de volta para
Floresta Negra munida de um
encanto de maldição.
Com alguns verbetes mágicos proferidos pelo beholder, a elfa negra se viu recuperada de todos os seus ferimentos - dos leves aos profundos -, desnudada de todos os seus trajes, e, encoberta por uma neblina perfumada de aromas lascivos e de poder alucinógeno. Allíass El vislumbrou com pouco discernimento quando a medonha criatura adquiriu uma estranha forma humanoide de tamanho próximo ao seu, beleza singular, dotada de quatros braços e veio ao encontro dela, tomando-a pelos braços sem qualquer tipo de resistência e a provendo de intenso e libidinoso prazer carnal.

Quando Allíass El recobrou a consciência, ela estava sobrevoando a Grande Floresta Negra sobre uma das dragonetes utilizadas como meio de condução até o distante Território Orc, e munida de um rolo de papiro onde constava um encanto produzido pelo mago. Lágrimas rolaram a sua face ao lembrar o que havia acontecido ao seu noivo, aos amigos deles e a ela, assim como uma tamanha dor invadiu o seu ser. Porém, a elfa não teve muito tempo para se lamentar, pois a criatura alada a levou diretamente ao templo de Sardaph, onde a mesma já era aguardada.

O temido Dragão das Sombras estava transtornado com a atitude de sua prometida, e, mais ainda ficou ao saber que a missão havia sido um fracasso. No entanto, a morte do petulante elfo Auiin Izar fora muito desejada por Sardaph desde a sua intromissão nos meandros da cerimônia, e, tornou-se ainda mais apreciada ao saber que Allíass El havia presenciado. Imediatamente, Sardaph pediu que suas servas que preparassem Allíass El para que fosse possuída ainda esta noite por ele. E, enquanto a elfa negra foi banhada e perfumada pelas outras noivas, o Dragão se apoderou do papiro mágico, o único item que aparentemente foi pego do mago. Porém, ao fazer a leitura dos signos mágicos contidos no papiro, simultaneamente uma agourenta onda mágica tomou o espaço do templo.

Na noite de núpcias de Sardaph com Allíass El, o mesmo não pode consumir a virgindade de sua noiva, pois, além dela já ter sido profanada por outro alguém, o dragão das sombras havia adquirido algum tipo de aversão sexual a ela, embora tivesse sobre ela desejos profundos. A partir daquele momento o dragão compreendeu que a semente daquela incomoda situação havia sido plantada no encantamento trago de Defiant, mas, para seu completo terror, ele não conseguia alcançar nenhum tipo de resíduo de memoria de sua noiva, pois, as suas magias simplesmente não surtiam efeitos sobre ela.

Aquela circunstância deixou o dragão tão enfurecido, que a partir daquela cerimônia, ele exigiu dos elfos negros, devotos de sua mãe e de seu pai, que lhe fossem entregue quatro virgens, dentre elas, pelo menos uma deveria ser uma membra da comunidade élfica da Floresta Negra, em punição ao desvio de conduta de Auiin Iza e de Allíass El. Tal modificação nos ritos tradicionais fez com que o povo élfico se voltasse contra Allíass El em sentido de ostracismo, e até mesmo, intolerância mortal. Porém, o que os elfos negros desconheciam, é que essa era uma alteração provisória, desde que a Allíass El conseguisse trazer o Coração de Totsmoon Ark para Sardaph, e, na companhia daqueles que o dragão julgasse capacitados para fazê-lo, sem mais contratempos ou amadorismo.

Allíass El foi designada por Sardaph a missão de ir ao encontro de todos aqueles que desejassem negociar itens mágicos com ele, e, assim, trabalhando como guia na cidade de Hyrnan, até que fosse oportuno o surgimento de um grupo de aventureiros capaz de retornar na companhia da elfa as Ruínas de Defiant.


Vitória ante o Beholder e Derrota diante o Dragão.

De volta a Defiant, Allíass El se viu novamente as voltas de lastimáveis lembranças do passado, de tudo que havia ocorrido a cerca de dois anos atrás, quando ainda estava na companhia de seu verdadeiro amor, Auiin Izar, em busca de uma solução que não os separasse. E, Condolessa Queen foi a única do grupo de Storm que percebeu no semblante da elfa negra a mudança de humor, e, quando os seus olhos marejaram por furtivas lágrimas.

Ilustração por Scott Purdy.
O poderoso mago Totsmoon Ark de
Defiant, que sedento por poder se viu
amaldiçoado com a transmutação
de sua forma humana para a de um
horrendo e temido beholder.
Os Arautos da Tempestade Proibida liderados por Brad Storm eram mais habilidosos que o antigo grupo de elfos negros enviados anteriormente pelo Dragão das Sombras, sobretudo, nos talentos que envolviam ataques surpresas e armadilhas, sobretudo, as últimas, para identifica-las e desarma-las com precisão. Com alguma habilidade mágica a mais, e, alguns itens encantados, logo o grupo chegou até a sala do tesouro onde estava o tomo de magia do arcano denominado Coração de Totsmoon Ark, e, consequentemente, conseguiu se apossar do artefato a tanto cobiçado por Sardaph.

O que o grupo mais temia aconteceu: um confronto direto com o beholder guardião Totsmoon Ark. Porém, ao contrário do último encontro com a besta, Allíass El percebeu que algo havia se passado a ela, o seu poder já não era tamanho – ainda que fosse mortal e não deveria ser subjugada -, mas algo havia acontecido que mostrou ao grupo uma possibilidade cuidadosa de vencê-la. Não tardou para que os sobreviventes conseguissem liquidar a temida e lendária criatura das Ruínas de Defiant, ao custo de algumas vidas. Assim que a criatura atingiu o limite de vida, a mesma assumiu a sua forma humana para vir a óbito tal como fora um dia antes da maldição do poder que a consumiu.

De volta a Grande Floresta Negra, os aventureiros remanescentes da arriscada missão (Brad Storm, Freddo Di Lacross, Condolessa Queen e Allíass El) entregaram a Sardaph o tomo de magia que tanto almejava, porém, o dragão das sombras mais uma vez se viu frustrado em seus propósitos, ao receber um artefato que já não detinha poder algum, pois, os verbetes mágicos contidos naquele livro estavam ligados diretamente a vida da criatura que fora morta, ou seja, com a destruição de Totsmoon Ark também morreu toda a sua magia. Uma morte com a qual Sardaph não cogitava a possibilidade, embora acreditasse na capacidade do grupo de furtar o item.

Sardaph, o dragão das sombras, descontente com o rumo que a sua negociação havia tomado, ele, se indispõe a entregar a lendária Espada Elementar de Forbidden Lands a Brad Storm e seu grupo, ainda que no fundo compreendesse que estava diante de um grupo que poderia surpreendê-lo mortalmente. A fim de não sair perdendo, o dragão propõe a eles a vida de Allíass El e alguns outros itens pelos virtuosos feitos para conseguir o Coração de Totsmoon Ark. Itens encantados, que segundo o dragão, os heróis com alguma habilidade demonstrada em Defiant, poderiam vencer o mal que assola as terras de Marshanda.

Allíass El pediu pelo fim do ostracismo em sua comunidade élfica, Sardaph negou envaidecido, e, disse a elfa negra que agora a sua vida não mais pertencia àquela comunidade, mas aqueles homens com quem comungava de entrosada companhia. Isso foi para a elfa uma apunhalada ultrajante no cerne de sua alma que aceitou os termos do dragão temendo que algo pior acometesse sobre os seus parentes.


Outros caminhos mais difíceis, e a momentânea derrocada dos Arautos.

Brad Storm estava farto de Sardaph, mas preferiu não ataca-lo naquele momento, sobretudo, estando eles cercados por uma série de serviçais de considerável poder, e, ainda, uma comunidade de aguerridos elfos negros, que se demonstrassem habilidade tal como a Allíass El poderiam mata-los antes que deixassem a floresta. Os Arautos da Tempestade Proibida saíram da presença do dragão das sombras com a missão de buscar outro artefato de poder semelhante, e, como sugestão do mesmo, uma das cinco partes de Pako (um artefato de lendário poder). Storm ouviu de seu pai, e, alguns de seus antigos companheiros, o quão penoso e perigoso foram às aventuras em volta deste item mágico.

O líder do grupo ponderou junto aos seus, se talvez não fosse oportuno obter uma das partes de Pako para si ao invés de troca-la com o dragão pela espada? Pois, as histórias contadas pelo pai relatavam a transmutação de simples criaturas em aberrações poderosíssimas que somente foram destruídas pelo poder em equipe do grupo de Vinnie Storm. Por Freddo Di Lacross qualquer aventura até então lhe parecia mais do que quista, sobretudo, na companhia de Allíass El e os outros. Embora, a elfa negra não fosse tratada como uma vassala, a mesma dispôs a sua arma para Brad Storm e os demais companheiros, pois, por inúmeras vezes a sua vida foi salva da morte iminente. E, quanto a Condolessa Queen também não havia qualquer tipo de oposição a jornada sugerida pelo líder, pois, embora tivesse aprendido a tolerar a presença de Freddo, ela estava mais empenhada em torna-se melhor a cada dia.

Os Arautos da Tempestade Proibida seguiram em viagem rumo ao encontro das partes de Pako, sem a definição de que achando uma delas barganhariam com o dragão, ou não.

Sem que houvesse percebido com clareza as mudanças fisiológicas, Condolessa Queen havia engravidado de Freddo Di Lacross em suas recorrentes idas e vindas a seu leito, em um relacionamento conturbado que aparentemente estava acabado, mas que com frequência demonstrava recaídas. Porém, nesse interim, Di Lacross também conseguiu persuadir e se aproximar de Allíass El.

Em um combate, Condolessa veio a abortar a criança que esperava de Freddo para surpresa dela que desconhecia a gestação. Semanas depois, veio a conhecimento de todos que Allíass El estava gravida. Algo que no íntimo de Condolessa soou como um triste golpe do destino. De fato, um fardo muito pesado que a fez se distanciar totalmente de Di Lacross, e, se aproximar de Brad, que na ocasião se mostrou mais do que um líder, um eloquente amante da personalidade singular da guerreira e companheira de grupo.

Ilustração por Steven Purtill.
Freddo Di Lacross se vê obrigado a deixar
juntamente com Allíass El o grupo dos
Arautos da Tempestade Proibida pelas
dificuldades da gravidez da elfa, e,
também pelo crescente ciúme dele
em relação ao relacionamento de
Condolessa Queen e Brad Storm.
Essa aproximação de Brad Storm e Condolessa Queen aflorou no amago de Freddo Di Lacross algo que não imaginou sentir por alguém: ciúmes.

Como a gravidez de Allíass El foi se tornando algo mais complicado do que poderia imaginar, o guerreiro oriundo de família nobre se viu na obrigação de dispor a sua amante e a seu primogênito todo o conforto que lhe era devido, longe dos perigos mundanos que os cercavam nessa vida de aventuras. Sendo assim, Freddo Aspen de Lacross achou por bem se afastar com a sua elfa da companhia de Brad e de Condolessa. Uma perceptiva desculpa para o verdadeiro sentimento que corroía o íntimo de Freddo, e, que com o passar do tempo feriu mortalmente Allíass El.

Freddo Di Lacross retornou para junto do pai e de sua família na companhia de Allíass El, esperava ali que seu filho nascesse munido de todo o conforto e carinho que recebeu em sua infância. Assim como esperava ele dissipar de sua mente o que sentia por Condolessa.

Contudo, não tardou para que a elfa negra percebesse um clima hostil em relação a sua presença, e, a criança que era aguardada. Havia uma cortesia aparente em relação aos tratos dispendidos pela família ao casal, algo intrigante e agoniante ao mesmo tempo, pois, todos eles se mostravam dissimulados, ardilosos, frios, e preconceituosos. Essa funesta força que emanava dos familiares de Freddo somada ao sentimento de seu amante para com a outra companheira agravaram ainda mais o estado de saúde de Allíass El. 

Quando Auiin Ellys (Adrien) nasceu, Allíass El estava tão debilitada que dispôs as suas últimas forças para que a criança nascesse com vida, e, trouxesse a Freddo uma alegria além das suas impudicas conquistas ou tesouros usurpados de antigos templos por meio de confrontos, sangue e aço. No entanto, isso não aconteceu, Freddo viu a morte da elfa como um presságio de que a sua vida de aventuras deveria seguir independente de qualquer coisa, pois, ele já havia constituído uma reputação. Sendo assim, o filho caçula de Dravon delegou ao pai, familiares e aos servos da casa a missão de criar a criança, cujo nome seria Adrien Aspen de Lacross.

Dravon se sentiu ultrajado pela atitude insolente do filho, que há muito tempo não via, e, quando ressurgiu a casa da família, trouxe contigo uma criatura medíocre gestante de uma criança bastarda. Assim, que Freddo deixou as dependências da família, o pai tratou logo de entregar a criança para que os servos pusessem fim a vida dele. Porém, o destino da criança foi mais gentil, naquele momento uma das sobrinhas de Freddo – Adrielly Aspen -, de coração benevolente e contrária a arbitrariedade do avô, achou por bem enviar a criança para o reino de Caithness, aos cuidados de seu tio, o Barão Alvidor Calil de Lacross do Baronato de Denton.

sábado, 20 de julho de 2013

RPG: Aventuras em Yrth - Ladrões de Corcéis Encantados - Os Chocobos

Os Corcéis Encantados oriundos de Ivalice


A Raça

Os chocobos são animais originários do continente de Ivalice, contudo, atualmente podem ser encontrados espalhados por quase todo o continente de Ytarria, sobretudo, se houver condições propícias para sua adaptação e procriação.

Ilustração por Square.
Dimensões físicas de um Chocobo
em sua forma adulta
(Tipo Dodger Cobocho de Segundo Nível)
Eles são uma espécie de avestruz, pássaros de grande porte e que não podem voar de um modo geral - embora existam algumas sub-raças que possam fazê-lo muito bem, independentemente do tamanho de suas asas -, porém, a sua principal característica esta na capacidade de se moverem em alta velocidade por meio da terra, e que fazem deles excelentes e cobiçosas montarias. A sua velocidade é demasiadamente elevada e pode ser comparada a grosso modo, como a de um cavalo próprio para corrida, com uma velocidade média de 80 km/h, e se adequadamente treinado, pode chegar a incrível marca dos 90 km/h. Em uma só passada eles podem cobrir um intervalo de 4 à 6 metros.

Um pássaro adulto costuma medir entre 2,80 m e 3,20 m de altura. O peso também varia entre 170 Kg e 210 Kg.

O bico se assemelha ao de uma galinha, entretanto, grande e resistente. Uma resistência tal que lhe é capaz de ataques mortais ao ponto de perfurar armaduras feitas até mesmo em aço e quebrar armas de qualidade normal. As unhas existentes nas patas - duas normais e uma opositora -, são afiadas feitos lâminas e resistentes o suficiente para tolerar uma variedade de terrenos, inclusive os mais extremos do frio ao fogo. Suas longas pernas são fortes o suficiente para dar-lhe grande resistência e fôlego, dando-lhes a capacidade de correr por muito tempo sem se cansar. Poderosas pernas também são capazes de lhes prover de um coice mortal quando ameaçados, ou treinados para o combate.

Em sua grande maioria os Chocobos têm olhos castanhos. São dotados de uma visão e uma audição muito apuradas. Tal sensibilidade conjunta chega lhes soar como uma noção de perigo natural.

Um requisito vital para existência da espécie em um determinado local é a presença de mana - a energia mágica -, pois, somente através dela esses pássaros conseguem conceber alguns de seus dons mágicos inatos, além de possibilitá-los realizar uma digestão eficiente de tudo que consomem. Pois, a sua dieta alimentar onívora a base de ervas, folhagens de árvores, arbustos, sementes e rações somente se faz plena, quando os alimentos são originários de regiões com essa característica, pois, mesmo a vegetação é capaz de reter propriedades mágicas, ainda que de maneira imperceptível a muitos. Porém, é sabido também, que esses animais possuem a aptidão inata de acumularem em suas penas mana para lhes propiciar com segurança, longas viagens por regiões onde não exista a presença de energia mágica.

Tal como os avestruzes, ocasionalmente os chocobos tendem a se alimentarem de animais como gafanhotos e outros insetos (invertebrados). Como não possuem dentes, eles engolem pedrinhas que ajudam a esmagar os alimentos engolidos no papo. Eles podem ficar sem água por muito tempo, vivendo exclusivamente da umidade das plantas consumidas. Entretanto, eles gostam de água e tomam banhos com frequência.

A expectativa de vida de um Chocobo é entre 80 a 100 anos, salvo alguns casos excepcionais de longevidade em função da sub-raça. Entre os criadores, para um determinado intervalo de tempo esses animais recebem uma nomenclatura especifica:

De 00 a 02 anos de idade: Chibi Choco
De 03 a 04 anos de idade: Priemer Cocho
De 05 a 07 anos de idade: Opereny Boco
De 08 a 09 anos de idade: Threasure Bococho
De 10 a 49 anos de idade: Dodger Cobocho
De 50 a 60 anos de idade: Skuceny Choco
De 61 a 80 anos de idade: Starsie Cocho
De 81 anos de idade em diante: Bildo Boco

Dos 5 a 40 anos de vida ele se encontra em plena capacidade para reprodução, podendo exceder em alguns casos até os 60 anos de idade. Outra característica deles é a sua impressionante resistência a doenças.

Os chocobos podem ser criados em cativeiro (principalmente os amarelos), e se adaptam com facilidade. Os criados em cativeiro apresentam comportamento parecido com o de calopsitas, e se apegam facilmente aos humanos. Alguns se tornam extremamente competitivos, e por isso em algumas regiões as corridas de chocobos são tão populares. Contudo, em estado selvagem eles são extremamente ariscos, geralmente usando toda a sua agilidade para fugir de qualquer coisa que lhes sugira ameaça, se separando do bando e evitando o combate. O bando se reagrupa novamente após a dispersão do perigo.

Os chocobos são criados primeiramente como montarias para comporem algumas frentes de batalha, depois pelas suas propriedades mágicas por algumas cabalas, pelo entretenimento por meio de corridas, pelas belíssimas plumas, pelos ovos, pelo resistente couro, e, por fim, pela saborosa carne. É afirmado por alguns artesões que o animal produz um tipo de couro reforçado. A carne tem um gosto similar ao do bife magro e se compara favoravelmente, tendo pouca gordura e singular pureza. Qualquer iguaria produzida a partir da carne e dos ovos possui um preço muito elevado, independente da região ou sub-raça da espécie. Com as plumas é possível confeccionar belos trajes e um travesseiro muito requerido pela maciez, sendo que aquele feito a partir de Chocobos Amarelos é relatado, por experiência de alguns, possuir uma capacidade de propiciar um sono demasiadamente tranquilo e isento de pesadelos.


Ração

Assim como no continente de Yvalice, os criadores de Chocobos em Ytarria também aprenderam a lidar com o preparo e a produção de rações especificas para a criação dessa espécie, o que implica em determinados casos uma noção mínima a despeito de alquimia para tipos mais específicos de rações. Abaixo estão listados os oito tipos de rações conhecidas, em que parâmetro ele influencia no desenvolvimento do animal (velocidade, inteligência, resistência), dieta (quantidade e vezes ao dia), disposição, valor de mercado por kg

Nome da Ração: Curiel
Parâmetro de Influência: Agilidade/ Velocidade/ Deslocamento
Dieta: 100 g por Refeição acrescido de 300 g de hortaliças. 3 Refeições ao dia.
Disposição: Normal
Valor de Mercado: $ 10 p.c. / kg

Nome da Ração: Krakka
Parâmetro de Influência: Percepção/ Inteligência
Disposição: Normal
Valor de Mercado: $ 12 p.c. / kg

Nome da Ração: Gysahl
Parâmetro de Influência: Resistência/ Saúde/ Constituição
Disposição: Normal
Valor de Mercado: $ 10 p.c. / kg

Nome da Ração: Mimett
Parâmetro de Influência: Agilidade/ Velocidade/ Deslocamento/ Resistência/ Saúde/ Constituição.
Disposição: Raro
Valor de Mercado: $ 90 p.c. / kg

Nome da Ração: Pahsana
Parâmetro de Influência: Percepção/ Inteligência
Disposição: Raro
Valor de Mercado: $ 100 p.c. / kg

Nome da Ração: Reagan
Parâmetro de Influência: Agilidade/ Velocidade/ Deslocamento/ Resistência/ Saúde/ Constituição.
Disposição: Inexistente em Ytarria.
Valor de Mercado: -

Nome da Ração: Sylkis
Parâmetro de Influência: Resistência/ Saúde/ Constituição
Disposição: Raro
Valor de Mercado: $ 200 p.c. / kg

Nome da Ração: Tantal
Parâmetro de Influência: Resistência/ Saúde/ Constituição
Disposição: Inexistente em Ytarria.
Valor de Mercado: -

(Continua...)

sexta-feira, 12 de julho de 2013

RPG: Aventura nos Reinos de Ferro - Busca pelo Artefato Orgoth - Arleath Vivorinun ou Ametista de Mercir

Personagem criada para a crônica Busca pelo Artefato Orgoth (2013), narrada por Jarbas Rocha.


Prólogo da Aventura

Há rumores que a Masjestade o Rei Leto Raelthorne “O Jovem” esta recrutando jovens heróis com habilidades singulares para compor um grupo de Elite no Reino de Cygnar, apesar de rumores, tudo se concretiza quando chega às mãos dos personagens um convite enviado pelo próprio chefe da guarda Sir. Klauus Herberth.

O grupo de Elite ainda não tem nome, sua atribuição ainda é inserta, porém a estes escolhidos serão dadas um nível de autoridade bem maior que de um simples membro da guarda, existem rumores que este grupo ficará encarregado de investigar, combater, solucionar possíveis problemas relacionados ao antigo domínio Orgoth.

Os personagens são conhecidos por suas habilidades e de certa forma estas chegou ao conhecimento do Rei, sabe-se que existe um processo de triagem na escolha dos futuros membros desta liga, existe avaliação de coragem, índole, honestidade, honra, compromisso e obediência ao Rei. Na verdade cada um em particular goza da confiança do Rei Leto e tudo indica que cada um possui um enorme respeito, devoção e obediência ao Rei. No fim do processo para se tornar um membro deste grupo de elite é feito um Juramento de Lealdade e Honra no comprimento de sua missão e claro se possível dar a vida para proteção do Reino e do Rei.


Todos os personagens possuem o mesmo nível dentro da Ordem, obedecendo diretamente ao Rei Leto e ao chefe da Guarda Sir. Klauus, eles não possuem voz dentro do conselho, porém o Rei algumas vezes pode solicitar a opinião de um ou outros dentro das reuniões dos conselhos.

***

Arleath Vivorinun
"Ametista de Mercir"

Sentenciada a morte por ter nascida disforme.

Arleath Vivorinun nasceu no reino de Khador, contudo, a sua fisiologia incomum e aterradora fez com que os seus pais biológicos desistissem ainda cedo de cria-la, pois, ela era uma aberração hermafrodita, nascido com os dois sexos igualmente desenvolvidos, e, aparentemente funcionais.

Quando a criança nasceu, os progenitores acreditaram testemunhar algum tipo de maldição advinda da própria divindade Morrow – a qual ambos eram tementes devotos -, pois, as três crianças concebidas anteriormente a ela nem ao menos tiveram fôlego de vida ao serem removidas do ventre da mãe, e, está que nascida com vida, fora marcada por um signo de maus presságios capaz de desonra-los perante as demais famílias aristocratas do reino. Desta forma, ao pai coube a responsabilidade de se livrar da prole amaldiçoada antes mesmo que a mãe pudesse estabelecer algum tipo de vinculo maternal por meio da amamentação.

Ilustração por Chase Stone.
Assassínio contratado pelo
progenitor de Arleath para ceifar
a vida dela e de seu protetor,
o criado de confiança da família,
incumbido de leva-la para
bem longe de Khador.
O pai entregou a vida da criança aos cuidados de um de seus criados de confiança, e, solicitou ao mesmo que a levasse para além das fronteiras do reino, e, somente lá, atribuísse um melhor fim a aberração, tal como o sacrifício de sua vida em nome e glória de Morrow.

Com temor de que algo terrível ocorresse ao criado incumbido de desaparecer com a criança amaldiçoada durante o seu trajeto até Cygnar, e, que por ventura, viesse a expor a família e colocasse em risco esta terrível imprecação, um assassino também foi contratado para que seguisse o servo, e, assim que ambos cruzassem a fronteira fossem imediatamente executados,

Quando o criado cruzou a fronteira carregando a criança dentro de uma mochila presa as costas, não tardou para que este fosse atingido fatalmente com duas setas de bestas envenenadas em seu pescoço enquanto cavalgava. Instintivamente o homem buscou em seus pertences a criança, e a abraçou fortemente para si, enquanto o seu corpo caia sobre o chão lentamente de cima da montaria que seguia em carreira, para em sequência, rolar ladeira abaixo, protegendo de todas as maneiras a pequena e indefesa forma.

O assassino se dirigiu até o local onde o seu alvo havia desfalecido para finalizar o seu trabalho, contudo, ao se aproximar percebeu que o mesmo havia caído sobre um campo de plantação, e, que para sua infelicidade, alguns camponeses que ali trabalhavam avistaram o acidente e se puseram prontamente a tentar socorrer os feridos. Por fim, o executor acreditou na qualidade de seu trabalho e partiu dali, pois, caso o homem não morresse pelo ferimento dos projeteis, provavelmente, seria pelo veneno mortal que havia embebido os mesmos. Quanto à criança, o assassínio também não esperou escapatória da morte certa, pois, era muito miúda e frágil.

O criado do lorde não resistiu aos ferimentos e logo foi a óbito, porém, a criança foi resgatada sem nenhum ferimento pelos trabalhadores da plantação, embora a pequena estivesse lavada do sangue de seu protetor.

Quando uma das camponesas que acolheu a criança tomou conhecimento do que a mesma tratava imediatamente tentou se livrar dela, e a entregou aos cuidados de um caixeiro viajante para que o mesmo a abandonasse em um dos muitos bosques aos quais percorreria em suas andanças. E, assim fez o homem com muita cautela, tendo o mesmo sido advertido pela mulher para que nunca olhasse diretamente nos olhos da criança, de forma que não viesse a ser enfeitiçado.

O caixeiro colocou a criança dentro do tronco de uma grande e velha árvore em um bosque a esmo no reino de Cygnar, próximo à cidade de Orven.


Uma beleza diferente e incompreendida, não para ser subjugada.

Passado algum tempo, um homem que percorria o bosque em busca de uma caça que pudesse lhe suster por alguns dias, e, também lhe prover de algum coro para confecção de uma manta, logo, se viu surpreendido ao ouvir o choro agoniante e distante de uma criança vindo do interior do tronco de uma árvore. Ele a retirou de lá com cuidado, e a levou para sua humilde cabana.

Ilustração por Artastrophe.
Leonel Vivorinun, o pai de criação de
Arleath, que a encontrou dentro do
tronco de uma velha árvore, a
mercê de inúmeros infortúnios.
Leonel Vivorinun era um homem de idade avançada, que levava uma vida simples como caçador nos bosques próximos a cidade de Orven. Viúvo e sem muitas pretensões desde que a sua última esposa havia sido vitimada por uma enfermidade desconhecida, jamais imaginaria aquela altura da vida reviver a experiência de mais uma vez ser pai. Pois, os dois filhos homens que tivera já não os via há muito tempo desde que constituíram suas próprias famílias, e, creditaram a morte da mãe ao gênio difícil do patriarca, por viver como eremita em um lugar esquecido pelos deuses, distante de tudo e de todos, inclusive de socorro.

O caçador não entendia muito bem o que era Arleath, salvo o fato dela ser dotada de dois sexos, mas por ser uma criança não atribuía a ela nenhum tipo de maldição, pois, era assim que a sua falecida esposa costumava lhe dizer quando em vida: “As crianças não trazem a herança das tolices dos pais, sem culpa seguem puras até que alguém venha e coloque minhocas em suas cabeças”. Distante do convívio das demais pessoas, Vivorinun criou a criança da maneira que lhe convinha, ora como um menino, ora como uma menina, o que soava meio confuso em sua cabeça. No entanto, como os aspectos femininos lhe sobressaiam com o discorrer do tempo, assim, também o velho teve de rever a maneira como educava a sua menina.

Nas coisas mais simples Leonel sentia falta de sua esposa, Arlea, pois, a sua experiência com filhos se limitava a criação de dois meninos que somente passaram a conviver com ele diariamente quando estes completaram nove anos de idade, e a eles foram atribuídas responsabilidades além das de costumes dispostas pela mãe. Com Arleath emergiu um desafio sem igual para o velho, pois, os dias que passavam não contribuíam com as expectativas do pai que era a possibilidade de poder criar mais um filho homem, algo com o qual já teve alguma pratica no passado.

O velho homem mensalmente costumava levar Arleath consigo até a cidade para comercializar seus trabalhos em couro, comprar algumas provisões e bebida, porém, jamais permitia que ela se afastasse dele, pois, temia que algum preconceituoso ou supersticioso descobrisse a sua real natureza. Por uns e outros, Leonel tomou conhecimento do quão algumas pessoas poderiam se revoltar, caso o segredo de sua criança fosse revelado. Ele não compreendia a tamanha desgraça daquela maldição, pois, para ele nada a impedia de levar uma vida normal, pois, ela era tão igualmente capaz como os outros.

Ilustração por Zippora.
Arleath Vivorinun foi criada por Leonel,
embora ele não tivesse aptidão para
criar uma menina e nem uma esposa
para ampara-lo, ele transmitiu a ela
valores e que o eternizaram em
sua memória e coração.
Leonel alertou desde cedo a Arleath que nunca devesse se misturar com as demais crianças, deveria evita-las ao máximo, porque, ela era especial, e, que essa diferença poderia fazer com que as outras se sentissem inferiorizadas e compelidas a lhe machucarem por preconceito. Durante algum tempo, a criança muito protegida, protestou sobre aquilo que a fazia tão diferente das demais crianças, porém, o pai preferiu abster-se e ditar que o que ele havia lhe falado deveria ser cumprido sem mais questionamentos para o seu próprio bem.

Arleath respeitou a decisão do pai, ainda que instigada por uma curiosidade natural comum a todas as crianças.

Ela cresceu na companhia de animais e distante das demais crianças como aconselhou o pai, entretanto, ao atingir a puberdade vieram outras transformações assustadoras, muito além somente dos aspectos físicos. As roupas masculinas que outrora acobertavam os seus sutis traços femininos, já não mais lhe cabiam nessa nova fase, pois, tudo parecia se avolumar a uma velocidade irracional. Aparentemente Arleath tornou-se uma bela mulher de corpo formoso e bem dotada. E, nessa altura da vida, espreitando sorrateiramente as demais pessoas longe das vistas de Leonel, ela compreendeu o que a fazia tão especial, e isso não foi uma concepção natural, muito pelo contrário, foi algo que a perturbou muito. Algo capaz de fazer com que ela tentasse contra a própria vida e se mutilasse por recorrentes vezes, mas que foi impedida e socorrida pelo seu pai de criação por diversas ocasiões.


Adeus a quem conheceu como pai, e por longo tempo unicamente, família.

Leonel Vivorinun faleceu aos 79 anos de idade, pouco antes de Arleath completar seus dezessete anos. E, antes de sua morte, o pai de criação revelou a sua filha como havia a encontrado e a acolhido, nada que aquela altura viesse a surpreendê-la. Este homem foi seu pai de criação, e o único amigo humano durante muitos anos de sua vida. Além dele, Arleath tinha os animais do sítio com quem sempre nutriu um magnetismo especial, e, cujo passava horas sem fim a conversar distraidamente.

Após a morte de Leonel, Arleath, seguiu vivendo sozinha no sítio na companhia de alguns dos animais domesticados pelos dois. Ela realizava algumas atividades que o pai havia lhe ensinado, de modo que pudesse sobreviver sem dificuldades, além de contar com uma escassa herança. Como forma de manter a sua renda e a manutenção das despesas de sua casa, Ela produzia alimentos (bolos, doces e outros), e vendia na cidade de Orven.


Necessária fuga de um paraíso em chamas.

Desde criança, Arleath era dotada de alguns dons sobrenaturais inexplicáveis que lhe permitiam a percepção de intenções e a visão de acontecimentos futuros – alguns pressentimento e sonhos mórbidos de acontecimentos de fatos que iriam se suceder -, algo que ascendeu formidavelmente durante a sua adolescência, e que foram determinantes em alguns momentos críticos de sua vida, de Leonel e de outros que estavam a sua volta. Acontecimentos que se não fossem a sua intromissão, possivelmente resultariam em fatalidades.

Certa ocasião, passado alguns meses do óbito de seu tutor, ela se viu seguida por dois homens que perscrutavam as redondezas de sua morada, ambos mal-intencionados. E, estes não foram os primeiros a tentarem contra a sua vida, portanto, para arriscar se desvencilhar dos mesmos, Arleath costumava fazer caminhos truncados, encobrir rastros, preparar armadilhas previamente, e se esconder. No entanto, estes dois homens que a seguiram estavam determinados a capturá-la, ambos haviam sido atraídos por sua beleza singular.

Arleath levou os sujeitos que a perseguiam para duas de suas armadilhas. Na primeira eles conseguiram se safar ilesos. Na segunda, porém, eles foram encobertos com um pó que lhes provocou uma irritação na pele e nos olhos, no entanto, um deles sentiu aquilo com maior ardor, pois, era alérgico. Um dos homens correu desnorteado pela mata sem que ela pudesse ver o rumo que ele havia tomado. Aquele que era alérgico ficou a gritar injúrias, tossir forte e a se coçar freneticamente até se ferir.

Ilustração por Artastorphe.
Boreng Uzupper, irmão de Gerard Uzupper,
um Lord em Orven, que juntamente com
mais um comparsa, seguiram Arleath
no intento de capturá-la, e, assim,
ferirem a sua dignidade a violando.
No fundo, ela sentiu um pouco de remorsos do homem, mas preferiu assisti-lo agonizar até a morte, intoxicado. Pois, por algumas vezes, presenciou este mesmo homem juntamente com o seu comparsa, sequestrarem algumas jovens incapazes para em seguida abusar delas sexualmente com violência desmedida. Ver aquele homem morrer de alguma forma lhe fez se sentir bem, vingada.

Arleath se livrou do corpo de seu perseguidor lançando-o no rio, e, por algum tempo como medida de cautela, preferiu não ir à cidade, pois, alguns pesadelos a perturbavam incessantemente ao longo das noites posteriores ao evento. Um desses aterradores sonhos foi de que um grupo de sombras malévolas incendiava a sua casa com ela dentro, aquilo soou tão real, que a mesma acordou sentindo um odor fétido de carne podre sendo queimada. Este sinal foi mais do que suficiente para que ela partisse e viesse a se refugiar em outro lugar por uns tempos.

Do alto de uma colina, não muito distante de onde estava Arleath, ela pode vislumbrar as chamas que se erguiam em enormes labaredas que rompiam o céu noturno consumindo a sua antiga morada, aquilo lhe causou um gelar na espinha. Ela não levava muito consigo além do que seus braços poderiam suportar, pois, tinha receio de que os seus captores conseguissem rastreá-la e alcançá-la com facilidade.


Capturada por um amigo.

Arleath caminhou durante dois dias seguidos sem parar, até que a fadiga sobressaiu as suas forças, fazendo com que ela buscasse um refúgio, e, o único local que ela encontrou foi uma gruta em meio a um bosque de mata densa. O local não cheirava bem, possivelmente deveria ser o recanto de algum urso ou criatura similar, porém, ela vasculhou o perímetro e não encontrou vestígios que dessem crédito aquela suposição. Sendo assim, ela se encolheu em um canto escuro e dormiu como há dias não fazia.

Ela acordou encoberta por uma manta de couro batido familiar – tais como seu pai confeccionava -, ao longe avistou uma fogueira próxima de se apagar, e, junto a esta, um cavalo e um cão, ambos deitados próximos um do outro. Antes que ela fizesse qualquer coisa, o cão de caça percebeu o movimento e se aproximou de Arleath rangendo os dentes e rosnando em sinais de desconfiança. Ela ficou acuada, pois, o animal era grande, e lutar com ele desarmado poderia ser perigoso. Bastou o ressoar de um silvo breve vindo das costas do animal para que ele se afastasse dela, e corresse em direção à saída da caverna de onde emergia uma sombra de silhueta humana.

Ilustração por Charro.
Arleath após assassinar Boreng Uzupper,
foge do sítio onde viveu praticamente
toda a sua vida na companhia de
Leonel Vivorinun, para se refugiarem
uma caverna em meio à mata.
A pessoa que surgiu tinha uma voz mansa, mas não era uma mulher, pois, o seu porte físico se assemelhava a de um homem. Este sujeito se prostrou diante da fogueira, e a perguntou se tinha fome, ela, porém, receosa balançou a cabeça informando que não.

Os dois ficaram quietos por um tempo indeterminado, cada qual em seu canto. No entanto, quando o cheiro da ave assada tomou o espaço da gruta que os acomodava, a fome no âmago de Alearth despertou de maneira desinquietante, pois, ela aparentemente havia descansado mais que o tempo habitual, e, em sua caminhada de fuga não havia se alimentado direito, salvo algumas frutas colhidas na passagem.

Ela não queria ceder com receio de que aquilo fosse uma armadilha. Porém, transpassado algum tempo após a refeição, o estranho apagou a fogueira, e se deitou em um canto coberto com uma manta de coura semelhante aquela com a qual acordou coberta. E, antes que ela cogitasse algo, ele disse:

- Para onde você vai, moçinha? Garanto-lhe com toda certeza, que com a beleza que tem, corre muito risco caminhando solitária em meio essas trilhas infestadas de homens mal-intencionados e criaturas selvagens. Claro, isto é, se você for somente uma bela jovem indefesa a se aventurar por essas passagens, certo?

- Chamo-me Alearth... – A voz de Arleath ressoou repleta de receio e timidez.

- Alearth, filha de Leonel Vivorinun... – Ele mencionou o nome e a origem como se buscasse as informações nos confins de sua memória, e prosseguiu com sutil discrição.

- A sua cabeça está a prêmio na cidade de Orven, pois, você assassinou o irmão de alguém importante. Embora, não acredite que essas mãos fossem capazes de algo tão ardil, senão por autodefesa. Contudo, convenhamos a população num geral só tem a lhe agradecer, pois, Boreng Uzupper era um encosto na vida de muitas pessoas, sobretudo, dos mais jovens, Sendo assim, aconselho se manter um bom tempo afastada daquele lugar, por pelo menos dez anos, até que esqueçam a sua cara. – O estranho seguiu a falar com voz mansa e tranquila.

- Não sei de quem ele era irmão... Sei que ele fazia mal a muitos. Ele tentou me fazer mal, mas o pior lhe aconteceu por incidente. Eu só queria... – Ela falava com ansiedade, buscando palavras e tentando justificar seu ato.

- Garota... Tenha cuidado, somente. – Ele a interrompeu e se virou olhando para a escuridão onde ela estava – Quem esta em seu encalço pode lhe perturbar uma quantidade de tempo sem fim, assim sendo, seja mais esperta. O que você começar aqui, termine aqui, ou terá dificuldades para levar a sua vida, pois, problemas nessa terra nós sempre teremos, então, nada mais justo do que resolvermos antigos contratempos antes que os novos venham.

- Você quer que eu mate os meus perseguidores? – Ela se inclinou para ele exclamando.

- A morte pode ser uma solução, Arleath... A mais drástica, mas ainda sim um meio. No seu caso, não vejo outra saída, pois, fugir somente tardará a questão. – Ele se manteve a falar como se a morte lhe fosse algo intimo.

- Não sou uma assassina! – Arleath se pôs de pé e seguiu em direção à saída, passando por ele. – Não quero mais ouvi-lo.

- Garota! – Ele rapidamente se levantou e a segurou pelo braço - Deixe de ser tola... Acha mesmo que alguém lá fora esta se importando se foi o seu primeiro ou centésimo homem a ser assassinado? Ou mesmo se foi um incidente? Gerard Uzzuper colocou homens treinados e cães de caça em seu encalço, e cedo ou mais tarde esse grupo chegará nesse lugar. – Falou rispidamente a fitando friamente.

Arleath agora podia olhar o estranho frente a frente, e algo nele sugeria que havia uma estranha familiaridade, mas ela desconhecia.

- Solte-me! – Ela tentou se desvencilhar das mãos dele, - Largue-me! – Sem sucesso Arleath se retorcia tentando se soltar dele.

- Você não percebeu ainda que se cheguei aqui antes deles, e lhe relatei coisas a respeito dos perigos que o futuro lhe reserva, não sou Eu o seu inimigo? – Com a mesma força que a segurava, ele a soltou, jogando-a ao chão. – Embora, seu pai fosse um homem solitário, ele não partiria desse mundo sem a preocupação de que alguém olharia por você, Arleath. – Ele se agachou na direção dela e a olhou no fundo dos olhos, enquanto ela contraia os lábios amargando aquela situação. – Não seja tão arrogante e estúpida, garota, pois, o mundo lá fora não costuma premiar tais atitudes com benesses ou sobrevida.

Os dois ficaram a se entreolhar por um tempo, até que ele se levantou e se virou para apanhar algo na bolsa de couro recostada a parede.

- Talvez eu não seja mesmo a melhor pessoa, depois de Leonel, e você tenha motivos para desconfiar... – Assim falava o estranho vasculhando algo em seus pertences.

Bastou esse momento de descuido do estranho para que Arleath subitamente se colocasse de pé e fugisse em carreira para fora da gruta em direção a mata. Em sua mente ressoavam algumas das palavras mencionadas pelo homem, e, algumas delas eram a de que aquele lugar não era mais seguro para ela. Ou seja, ela precisava o quanto antes se evadir dali, e do encalço dele que a rastreou e seguiu.

Ela correu em disparada, e, por algumas vezes tropeçou, caiu e se machucou superficialmente, porém, não deixou de se levantar e retomar a correr pela vida. O coração dela parecia pulsar aceleradamente em meio à garganta por tamanho esforço quando algo grande subitamente se atirou contra ela vindo de uma das laterais, aquilo associada à velocidade, fez com que ela se desiquilibrasse e fosse ao chão em cambalhotas. Arleath havia sido mais uma vez surpreendida pelo estranho da caverna. Atônita, ela não entendia como aquilo havia se dado, e no solo, com o mínimo de forças para protestar e bastante ofegante, ela se deixou ser amordaçada pelas mãos e pernas, e posta sobre o lombo de um cavalo.

- Talvez agora você possa ouvir melhor o que tenho a lhe dizer, Arleath. – Assim disse o estranho em tom irônico enquanto a amordaçava e se certificava da firmeza das amarras – Chamo-me, Manphius de Mercir, e, sim, o prazer foi todo meu em conhecê-la.


Manphius de Mercir, um tutor espião.

Embora, o primeiro encontro de Arleath com Manphius naquela gruta estivesse a quem de algo que sugerisse um convívio harmônico entra as partes, ou ainda mesmo, duradouro, todavia, o tempo foi suficiente para provar a ela que os seus pré-conceitos em relação aquele homem estavam mais do que equivocados.

Ilustração por Fernanda Suarez.
Manphius de Mercir, companheiro de longa
data de Leonel Vivorinun, que pactuou
em gesto fraterno a tutela de Arleath,
caso o mesmo viesse a falecer
ou algo de pior lhe ocorresse.
Manphius e Leonel tiveram as suas vidas cruzadas no passado quando ambos serviram as tropas de Cygnar, no reinado de Vinter Raelthrone III. E, muito antes do rei vir a óbito - no ano de 576 D.R. -, Leonel havia abdicado da vida como soldado das tropas reais em um posto avançado de liderança, e se dedicado exclusivamente a sua vida como patriarca de sua família (sua esposa Arlea e seus dois filhos). Desta forma, optando ele por uma vida mais pacata, distante dos conflitos de outrora, das tramas políticas e da fatigante condição de ser para terceiros apenas uma habilidosa arma para ceifar vidas, parcialmente falha por ser dotada de sentimentos, inclusive para com alguns inimigos da coroa.

Manphius sabia que o companheiro havia se envolvido com uma bela jovem oriunda do reino de Khador, e, sabia que uma vida publica na companhia dela poderiam expô-los inadvertidamente ao perigo. Portanto, creditou sensatez ao amigo por optar por uma vida mais reservada.

Porém, a pouco mais de cinco anos, quando viajava por Orven, Manphius reviu o antigo companheiro e líder de destacamento, ele estava próximo a uma carroça e tenda comercial com inúmeros trabalhos em couro. Tal encontro sugeriu uma taberna mais reservada para conversaram sobre histórias passadas, relembraram fatos comuns quando serviam ao pai de Leto Raelthrone, O Jovem, e, sobre ocorridos mais recentes de suas vidas. Quando Leonel foi questionado a respeito da filha pelo amigo, o velho não pode deixar de mencionar que temia por sua idade avançada, a sua saúde que andava debilitada (embora evitasse demonstrar atuando com extrema convicção), e, de não poder protegê-la, caso o pior viesse a lhe ocorrer. Nessa ocasião de feliz reencontro, os dois beberam muito e reavivaram um laço de fraternidade que jamais fora esquecido por ambos, além de pactuarem a respeito da tutela de Arleath.

Ao contrário de Leonel, Manphius de Mercir, retornou a servir a coroa no reinado de Leto Raelthrone, O Jovem, porém, em um destacamento especial, formado exclusivamente por espiões e sabotadores, pois, foi nisso que havia se especializado no período em que esteve longe do palácio e do convívio com a realeza.

Na capital de Cygnar (Caspia), Manphius apresentou Arleath como Ametista de Mercir, onde ele relatou com espantoso talento para os demais que ela era filha única de uma irmã por parte de pai que não via fazia anos, e, que somente soube dessa sobrinha por uma casual informação oriunda de suas fontes. O habilidoso ladino e espião ficou admirado com algumas instruções transmitidas por Leonel a sua filha (uma jovem com alguns traços fisionômicos do norte, tal como Arlea), principalmente, relacionados ao manejo de arma e outros de pratica militar. Portanto, de sua parte determinados ensinamentos vieram como aperfeiçoamento do que ela já tinha conhecimento, salvo aqueles estritamente relacionados à sua atual atividade junto à corte do rei. Outro ponto que lhe atraiu especial interesse na jovem foram os seus inexplicáveis dons sobrenaturais, que em consulta a outro grupo especializado em magia dentro da realeza mencionou não estar relacionado.

Manphius queria fazer de Arleath uma espiã dentro da corte de Khorda, contudo, não queria ela somente como mais uma em meio a uma multidão de soturnos subalternos do rei Leto, sobretudo, tendo ela perspicácia e determinados dons que eram diferenciais em suas ações. Ele vislumbrou nela uma oportunidade de ascensão que em anos não alcançou, contudo, isso não foi uma aspiração exclusivamente dele.

O tempo de convivência entre os dois também propiciou a Arleath que se despisse de algumas de suas deduções a respeito de Manphius, porém, mesmo vivendo durante anos em sua companhia, e alimentando por ele um amor platônico que a corria por dentro, ela nunca foi capaz de se aproximar dele ou mesmo revelar o seu segredo.


Poderes que sacrificam vidas.

Quando Manphius levou a sua tutelada para o templo dos senhores da magia de Cygnar para uma investigação a despeito da origem de seus poderes – mágicos ou não -, ela também chamou a atenção de Hulivier Luwick, um mestre arcano, que percebeu no primeiro olhar trocado com a jovem que o poder com o qual estava lidando era diferente do qual estavam habituado, provindo da mente (psi) e não de essências emanadas do universo (mana), mas essa foi uma informação que o mago preferiu não transmitir para o espião a fim de alimentar vãs expectativas, pois, naquele momento Luwick já havia fomentado em sua mente um novo destino para garota e seus poderes.

Ilustração por SamC.
Hulivier Luwick, um mago da corte real
de Cygnar, que auxiliou Talles Orlyuss
a se aproximar de Ametista, e,
também, se tornou cúmplice do
assassinato de Manphius de Mercir.
Luwick sorrateiramente fez contato com Talles Orlyuss de Ceryl, um antigo membro do alto escalão da corte do rei deposto (Vinter Raelthrone IV), alguém que se afastou da realeza por apego as suas convicções e divergências ideológicas com o novo monarca e seus asseclas mais fervorosos, contudo, ele sabia a fundo a origem e como lidar com os poderes de Ametista. E, assim como Luwick, Orlyuss ao saber da garota com capacidades psiônicas, enxergou nela à possibilidade de aprimorar os seus estudos nesse campo de poder ainda pouco explorado, além de angariar para si recompensas a muito quistas, dentre a elas, o devido reconhecimento e status.

Orlyuss mancomunado com Luwick tramaram a morte de Manphius, a fim de não haver obstáculos e contratempos na evolução de seus trabalhos.

Arleath advertiu por incontáveis vezes o seu tutor de que muitos dentro dos muros do palácio conspiravam contra a sua vida, inclusive, um alguém que tentou sem sucesso no passado e tentaria no futuro contra a vida do próprio rei Leto. Graças a esse poder de premunição de eventos, o espião, assim como o amigo Leonel, foi salvo de eventos desastrosos e mortais.

Talles tinha certeza de que as recorrências de insucessos dos planos de assassínio de Manphius se deviam a intromissão de Ametista. Pois, enquanto a jovem estivesse lucida e falante, o espião estaria seguro, sendo devidamente alertado de possíveis atentados. Desta forma, os dois conspiradores tiveram que mudar o foco de suas ações, que passou a ser a psiônica para tentar neutralizá-la.

Manphius antes de ser assassinado chegou a informar ao líder de seu destacamento dos riscos que ele e sua tutelada corriam, além do próprio rei, Leto. Entretanto, ele precisava que alguém guardasse a vida de Ametista caso o pior lhe ocorresse, e, tal situação parecia lhe deixar cada vez mais paranoico.

Ilustração por Mariana Vieira.
Talles Orlyuss, fomentador da morte de
Manphius de Mercir, somente para
requerer a guarda e a estima de
Arleath Vivorinun “Ametista de Mercir”.
Hulivier Luwick conseguiu lançar sobre Ametista uma poderosa magia de sono que a fez cair em uma sonolência profunda. Durante cinco dias ela dormiu, e nada podia acordá-la. Esse interim foi mais do que suficiente para que o Luwick e Talles arquitetassem um plano infalível e o colocassem em pratica para liquidar Manphius. Contudo, o que os dois não esperavam que ocorresse era que Arleath tivesse em sonhos uma visão de quase tudo que aconteceu no momento em que esteve sobre o efeito do encanto.

Quando Manphius foi assassinado em uma viagem em busca de um antidoto para quebra do encanto mágico lançado sobre Arleath, mesmo em repousou profundo, a jovem verteu lágrimas de seus olhos de maneira involuntária, pois, havia pressentido o funesto sortilégio no qual o seu tutor havia sido vitimado. Porém, o mundo onírico nunca foi para ela um local claro e fácil de ser interpretado, tanto que a identidade dos assassinos de seu tutor somente lhe foi possível tempos mais tarde, mesmo que uma desconfiança lhe pairasse no ar.

Apesar da morte de seu tutor – com quem conviveu dos dezessete anos até os vinte e três anos -, Arleath teve o apoio moral e necessário de membros da corte – alguns até por ela desconhecidos -, e, por tal motivo, ela não ficou desassistida em nenhum momento, ou mesmo, feita a menção de que a sua vida seguiria para além dos muros do castelo, a normalidade dos demais cidadãos de Cygnar. Ela não conheceu o líder da confraria de espiões, porém, fazia ideia de quem eram alguns de seus membros, pela maneira como se portavam.


Segredos mortais revelados ao brilho de ametista.

Após a morte de Manphius, não tardou para que chegasse ao conhecimento de algumas pessoas importantes da corte de Cygnar que a sua tutelada detinha poderes especiais não mágicos, e, que requeriam um tutor à altura para incentiva-la no aperfeiçoamento de suas capacidades. Quanto a isso, alguns foram uníssonos em convocar Talles Orlyuss de Ceryl, embora houvesse descontentes a essa decisão, todos compreendiam que ele seria a pessoa melhor instruída e mais habilitada para o assunto.

Se por meio de Manphius foi exigido de Arleath em treinamento um esforço físico, muitas das vezes, além de sua capacidade, porém, gratificante e digno de elogios, sobre a tutela de Talles Orlyuss as exigências seguiram além do habitual com o qual ela estava acostumada. Sendo em sua grande maioria de caráter mental. As rotinas de treinamento eram extremamente exaustivas, e, aparentemente não rendiam a ela mérito pelos avanços e conquistas, embora, a aura de seu tutor informasse algo diferente de sua feição ríspida e de seu jeito circunspecto.

Quando o segredo da condição hermafrodita de Arleath foi descoberto por Talles à rotina de treinamentos tomou outro sentido, assim como a maneira como ele passou a trata-la. O tutor se revelou um pervertido sexual, um homem adepto a experimentação do prazer além das formas convencionais. Orlyuss passou a explorar a sua tutelada fazendo com que ela fosse exaurida fisicamente entre quatro paredes. Com receio de que aquilo fugisse as paredes do cômodo que compartilhavam, ele ameaçava, e até mesmo assassinava alguns dos servos e criadas molestados em suas perversões grupais. Na companhia dele, ela experimentou pela primeira vez o sexo, uma dose amarga e exagerada de devassidão sexual que a fez sentir nojo de seu próprio corpo.

Os primeiros meses para Orlyuss novamente adentro da corte real de Cygnar foram significativos, alguns dos prazeres de outrora já haviam sido esquecidos pelo conselheiro psiônico, assim como também a mecânica política que envolvia os círculos de poder, e cada um dos membros que se relacionavam.

Com pouco mais de um ano em Caspia, Hulvier Luwic revelou a Talles seu real interesse em trazê-lo novamente para dentro do Palácio, e no que ele e sua jovem aprendiza iriam lhe servir. A princípio, Orlyuss se mostrou apreensivo em relação à oferta, porém, achou por bem ingressar, uma vez que, o plano do amigo que o trouxe de volta para aquela casa era demasiadamente ambicioso e requeria pessoas fortes, além de propensas ao tudo ou nada.

Os conspiradores somente não contavam com a indisposição de Arleath em relação ao plano de assassinato do Rei Leto, sobretudo, após em sonhos ter sido revelado a ela a face dos assassínios de Manphius. Pois, embora ela tenha se afastado do antigo circulo de convivência que desfrutava na companhia de seu antigo tutor, foram a eles a quem ela se reportou para deflagrar Talles e seus aliados mais próximos.

Talles Orlyuss foi preso, condenado e executado a morte por alta traição, assim como alguns outros envolvidos. O arcano Hulivier Luwick, por sua vez, em função de sua posição dentro da corte e de sua influência, conseguiu fazer com que o seu nome não fosse associado ao crime - não de maneira direta -, o que lhe atribuiu uma condenação mais branda. Mas ainda sim algo que lhe trouxe ranhuras dentro do círculo da realeza com perda de posições hierárquicas, e que consequentemente afetaram as suas rendas, benesses, conquistas e influência.


Dias atuais em Caspia,..

Ilustração por Radthorne.
Arleath Vivorinun “Ametista de Mercir”
deflagrou a conspiração de Lord Hulvier
e seu tutor para assassinar
o rei Leto Raelthrone, “O Jovem”.
A delação do crime de conspiração contra o rei, a demonstração de convicta lealdade (ainda que não sacramentada por um juramento), e o contato com alguns homens que compunham o circulo social de Manphius, fez com que Arleath Vivorinun “Ametista de Mercir” obtivesse aceitação para adentrar a confraria de seu antigo tutor. Todavia, muito antes dela ingressar a este grupo foi necessária a ela uma reclusão da sociedade para se tratar mentalmente em função dos traumas adquiridos no convívio com uma aberração nefasta e pervertida.

A sua adesão e participação em alguns trabalhos da confraria de espiões e sabotadores de Cygnar não era nenhum tipo de certeza em suas atividades diárias, não havia uma frequência corriqueira de convocações ou compromissos, assim como também, não se tornou claro para Arleath quem eram de fato os membros e líderes, uma vez que os trabalhos chegavam ao seu conhecimento por meio de mensageiros sem aparente relação com o destacamento. O seu dom de perceber auras lhe permitia chegar às pessoas certas e no momento conveniente, por tal motivo, ela não se preocupava tanto, salvo a existência de outros grupos que atuavam dentro do perímetro com o mesmo objetivo e sem vinculo com a coroa – estes sim, lhe traziam apreensão.

Ela vive na companhia de alguns pequenos animais domésticos em uma casa na capital de Cygnar, onde nas horas vagas pratica em segredo algumas de suas habilidades especiais.