Bem-Vindo Errante Viajante

Do Olimpo trago a almejada chama, da qual sugiro dançarmos embriagados a sua volta, e quando assim for, sujiro arriscar tocá-la, pois, felizes os que dela se queimarem.

domingo, 10 de agosto de 2014

RPG: Aventuras em Yrth - Fragmentos: Rumo a Morriel, Zarak,

Onde a aventura e o perigo estão nos subterrâneos, na superfície e sobrevoando os céus.


Dia 02: 19/02/2111, sobre a regência de Aquário.

Os mercenários aproveitaram o tempo anterior a refeição para finalizarem o trabalho de aquisição de equipamentos, armas e armaduras junto aos responsáveis na guilda – Mérciah e Gwilldown -, assim como a devida arrumação dos mesmos em mochilas, e a sua devida alocação dentro do carroção que iria lhes transportar ao longo de dias até um dos reinos anões sobre as Montanhas de Bronze.

Assim que Marina subiu no carroção do anão Orklan para dispor os seus itens no local em que se assentaria, percebeu imediatamente a presença de magia, e, o que lhe foi devidamente informado, pois, alguns alimentos requisitavam ser transportados somente com o auxilio de encantamentos para que não se deteriorassem ou se tornassem impróprios para o consumo ao longo da viagem (ou até o seu destino), uma prática comum, principalmente, entre nobres, embora requeira os préstimos de um mago, que nem sempre cobra pouco por este tipo de serviço.

O carroção do atravessador mercante estava bem cheio de itens, porém, ainda sim, foi possível acomodar a todos em seus pequenos espaços. O Anão Brinow seguiu a frente nas rédeas na companhia de um dos anões, Runnosdur Blazewinter, estando ambos sentados em um banco bem acima da altura geral do veículo (a uns 3 metros do chão); dentro da carroça, a frente e próximos ao condutor, estava Delvin e os dois gnomos, Stanhal Brandy e Dogo Magooo; no meio, Marina, seguida por quatro anões, Tourth Fallrage, Rargrunami Hammersheep, Orinran Mournerain, e Barbaelthor Fullmoon; e,  a ao fundo, Marduk, o guerreiro bárbaro.

Como Wolrean havia vindo com Orklan da fazenda até a guilda, percebeu logo que, todos dentro de uma carroça seria um risco desnecessário a correr, e que alguém apartado como um batedor seria bem útil, sendo assim, dispondo de recursos, tratou de adquirir uma montaria adestrada com Feddas Faunsby, o meio elfo. Um belo alazão negro ao custo de $ 3.000,00 p.c.

*** Características Gerais do Animal ***
  
Ilustração por Monika Andruszkiewicz.
Storm, montaria adestrada adquirida por Worean Hosborn direto dos estábulos da guilda, para fazer o trabalho de retaguarda, e por vez, o de batedor.

Nome: Storm.
Espécie: Cavalo de Tração.
ST: 60 / DX: 9 / IQ: 5 / HT: 16.
Deslocamento: 12. / Pts. De Vida: 16. / Percepção: 12. / Peso: 920 Kg.

Manobras de Combate:

Defesa - Esquiva: 6.
Ataque (s) - Coice: 1D+2. / Mordida: 2 / Atropelamento: 1D+2.

Carrega em Carga: 
Carga 1: 60 kg, sem carga, Deslocamento 12 (sem alteração).
Carga 2: 180 kg, carga leve, Deslocamento 10.
Carga 3: 300 kg, carga média, Deslocamento 8.
Carga 4: 480 kg, carga grande, Deslocamento 6.
Carga 5: 600 kg, carga muito grande, Deslocamento 2.
Carga 6: 900 kg, carga máxima, Deslocamento 1.

***

O grupo deixou a guilda no início da tarde, logo após uma ótima refeição de despedida.

Como o grupo de Orklan e os Mercenários de Arvey tinha conhecimento de que ao longo da rota os mesmos poderiam ser abordados em uma emboscada, logo, estes experientes viajantes, acharam por bem, frustrar o plano do medíocre bando de ladinos - que até então, acreditava-se ser formado por pelos menos dois homens e um meio orc. Desta forma, usaram a grande lona em manta para encobrir não somente os itens, mas também, a eles que seguiam dentro do carroção. Por meio de frestas eles observavam com atenção o percurso, os homens na expectativa de avistarem os inimigos, e, a mulher, em seu instinto curioso e artístico, de transcrever por escrito ou em desenhos todo o trajeto, que por ela era desconhecido.

Marina, a arcana, tomou nota de tudo quanto era local pelo qual passavam, e que julgasse por bem fazê-lo. Com a sua beleza e empatia, ela conseguiu por meio dos anões e gnomos viajantes todas as informações sobre o nome das fazendas, vilas, vilarejos, castelos, rios, lagos, bosques, morros e montanhas que surgiam no caminho, e, que os mesmo conheciam. Embora, concentrada em seus afazeres que tornavam a viagem menos desgastante – não somente para a bela jovem escolástica, mas para todos os demais -, o fato, mais penoso para ela, era o odor fétido que às vezes exalava, por seguirem encobertos em um dia quente, e que somente era amenizado quando permitida a passagem de uma brisa salvadora.

Depois de algum tempo de viagem, os anões e os gnomos, tornaram-se mais falantes, e, passaram a conversarem amistosamente sobre muitas coisas com os mercenários, dentre elas Zarak. Quem era o povo anão, a maneira como ele se organizava, a política, os reinos, os reis, as suas crenças e divindades. E, falavam isso com certo orgulho, motivação e ansiada vontade de confrontarem desafios, enquanto afiavam a lamina de suas armas, mascavam raízes cheirosas, fumavam em cachimbos grosseiros ou bebiam algo que continha álcool e estranhas ervas, estivessem o grupo acampado ou não.


Dia 05: 22/02/2111, sobre a regência de Peixes.

Ilustração por Ferdinand Dumago Ladera.
Entrada do Reino Anão de Morriel, fronteira entre Mégalos e Zarak. Uma viagem concebida pelos mercenários na companhia de Brinow Orklan da cidade de Arvey até as Montanhas de Bronze em três dias.

Foram cerca de três dias de viagem pelas planícies e morros que se encontravam as margens das Montanhas de Bronze, até que enfim chegassem ao território Anão, devidamente distinguido pelo término da estrada de Mégalos, caracterizada com o asfalto parcialmente feito em pedras, enquanto, que a superfície dos reinos de Zarak, em sua grande maioria, não dispunha de estradas tão bem cuidadas, sendo a maioria em solo batido.  

Ao longo da manhã, o grupo cruzou com o caminho de um trio de gigantes caçadores, curiosas figuras humanoides com cerca de cinco metros ou mais, trajando roupas extremamente rusticas, feitas a base de couro animal, armados com lanças e machados, e que levavam com eles, preso em um tronco, dois gados abatidos, amarrados a por meio de cordas pelas duas extremidades. Estas mesmas criaturas caçadoras acenaram para Orklan, assim que o avistaram.

Nesse mesmo dia, o grupo também foi surpreendido com a passagem de um imenso dragão de tom marrom meio cobre sobrevoando a uma baixa altura. Marina sentiu de longe a presença magica de tal criatura. Brinow Orklan teve que parar a viagem por um breve momento até que a imensa criatura passasse por eles, que foi suficiente para sentirem fisicamente com o balançar da carroça e a nuvem de poeira que se elevou. Os anões resmungaram mediante a presença da criatura, pois, eles eram uníssonos quanto a um ódio ancestral em relação a essa raça de seres fantásticos.

Antes do término do dia, Orklan e o seu grupo avistou a distancia um grupo de centauros correndo pelos morros, como se estivessem a patrulhar os campos.

Muito próximo do anoitecer, Orklan achou uma savana propicia para o grupo acampar, e enquanto os anões e os gnomos executavam os trabalhos de averiguação do terreno, capina, limpeza e o recolher de galhos para a fogueira, o líder anão, na companhia de Worean, Marduk, Marina e Delvin conversavam sobre algo observado pela maga, mas que até então não havia sido percebido pelos demais: eles estavam sendo seguidos!

Marina comentou com o grupo sobre a silhueta de um humanoide, que era visto com certa frequência por ela, mas que a principio não achou relevante mencionar sobre o mesmo, uma vez que eles já haviam passado por outras duas carroças menores que também seguiam de Mégalos para Zarak. No entanto, a visão daquele caminhante lhe despertou suspeita, um tipo esguio que surgia e desaparecia, caminhando de maneira acelerada, saindo da estrada em direção aos cantos, sobretudo, quando Worean a cavalo, virava-se para justamente tentar observar se estavam sendo seguidos. Tal informação fez com que o grupo se dividisse em dois grupos para reversarem ao longo da noite a vigília do acampamento.

Ilustração por Jordy Lakiere.
Tourth Fallrage, anão combatente e
amigo de Orklan Brinow, oriundo do 

reino de Morriel, que se 
juntou a caravana do amigo para
lhe proteger de uma possível
emboscada percebida pelos
mercenários da guilda de Arvey.
Ainda que, Marina houvesse sido escalada para também compor os turnos de ronda, o anão Tourth Fallrage, que ganhou a confiança dela, disse-lhe que era para a mesma ficar tranquila em seu descanso – o necessário repouso dos arcanos para o avivamento de suas magias em sua mente -, pois, algum dos outros assumiria aquela responsabilidade.

Antes de se deitar, a maga teve que ouvir os suplícios do halfling para que ela fornecesse a ele mais refeições. Pois, segundo Delvin, quando ele havia feito a viagem de Nova Jerusalém até Arvey, não dispunha de tanto dinheiro, e, também não havia se programado para tantas refeições que aquela nova empreitada exigia. Algo que no fundo ela sabia se tratar de dois defeitos muito bem evidenciados pelo breve convívio de meses com aquele pequeno astuto, a gula e a avareza. Entretanto, já a alguns dias de viagem, Marina estava a ouvir o desdenhar e o queixasse de alguns membros do grupo em relação a esse tipo de comportamento do amigo, e, em função do companheirismo demonstrado ao ajuda-la a liberta-se de sua mestra, ela desistiu de mais uma vez lhe dar um sermão, preferindo apenas lhe entregar uma refeição para passar o resto da noite.

Durante a noite, nada de súbito e estranho aconteceu.


Dia 06: 23/02/2111, sobre a regência de Peixes.

Pela manhã, todo o grupo estava presente, e, aparentemente nada havia acontecido a nenhum deles, e, principalmente, a carga. Os anões Tourth e Orinran vasculhando as mediações mais distantes - verificaram que não muito longe de onde estavam acampados -, encontraram indícios de um pequeno acampamento, formado por um bando de pelo menos cinco elementos. Não bastou muito, para encontrarem novos sinais de que alguém esteve bem próximo deles, ao lado do local onde Hosborn havia dormido durante a noite.

Marina observou antes de adentrarem a carroça de que alguém havia subido na mesma e colocado um dos pés nos degraus adentro, antes de Tourth sobrepor o seu pé sobre as marcas. Tratava-se de um pé de tamanho normal, ou seja, de proporção humana, e similar a encontrada minutos atrás. Logo, eles verificaram que uma das cordas havia sido rompida para se afrouxar a entrada por debaixo da manta que encobria os itens do carregamento.

Os mercenários, Worean e Marduk, até cogitaram a possibilidade de averiguarem mais o local, porém, Orklan preferiu não, pois, estaria sujeitando todos a uma situação de risco e perda de tempo.


Dia 08: 25/02/2111, sobre a regência de Peixes.

Passado alguns dias desde o encontro das pegadas, nada além foi observado até aquele momento, contudo, na manhã deste dia, Delvin acordou com uma sensação esquisita... Uma impressão de iminência de perigo! Algo que prontamente avisou aos demais, e colocou a todo em prontidão ainda muito cedo.

O grupo desfez o acampamento e seguiu viagem. Contudo, horas depois eles encontraram um tipo estranho, um humanoide esguio, tal como Marina havia avistado dias atrás, porém, desta vez ele não se dispunha a escapar aos olhos do grupo, e, trazia na mão uma espada curta, uma arma que o brilho do sol contra a lamina da mesma não só informava a iminência de um combate, mas também os alertava para uma emboscada, assim pressentida por Worean,

(Continua...)

terça-feira, 5 de agosto de 2014

RPG: Aventuras em Yrth - Fragmentos: Em Zarak, um novo resgate de um velho companheiro.

Quando o amparo a um amigo em perigo se torna um motivo válido para deserção do grupo, ainda que custe renome e riquezas aos olhos de outros.

 
Ilustração por Frankatt.
Cidade do Baronato de Arvey em Mégalos,

Dia 02: 19/02/2111, sobre a regência de Aquário.

Como momentos antes nos portões da cidade, os mercenários mencionaram que havia homens tramando em emboscar o anão Brinow Orklan para lhe roubarem as suas mercadorias, a guarda ficou em estado de prontidão para qualquer movimento suspeito, enviando inclusive dois membros da guilda para vigiarem o perímetro. O grupo alugou um quarto da hospedaria para o companheiro Worean – que se encontrava inconsciente por tamanho sono -, um aposento simples que ficasse próximo ao quarto do anão, onde ele pernoitaria, e, logo cedo partiria na companhia de Brinow. Enquanto que, Marduk, Marina e Delvin retornaram para a Guilda, a fim de descansarem um resto de noite.

O restante da noite não foi bom para Marina e Delvin, pois, como a mesma havia sido estendida e dosada com álcool, logo, eles tiveram um tempo curto para se recomporem, e, com uma leve ressaca, ambos foram obrigados a se levantarem da cama ainda muito antes de amanhecer por completo, com mais de um galo cantando, o som agoniante de um sino sendo tocado insistentemente e os gritos desesperados e estridentes de um sujeito invocado que dizia ironicamente aos quatro cantos: “Vamos acordar, seus bandos de mandriolas preguicentos!!! Ou vou ai pessoalmente tira-los de cima da caminha a base de ponta pés e um banho geladinho!!! Bora, Cambada!!!” – O nome desse sujeito, e também membro do irmandade, é Abílis Montanhês, o “Tão Alto Que Não Vejo”, um gnomo. Marduk, acostumado às bebedeiras e o cotidiano da guilda, em nada tinha que reclamar, a não ser o fato de logo cedo ter que pagar com exercícios alguma advertência do dia anterior, porém, ele não fez isso sozinho, sempre tinha mais de um em ação forçosamente solidaria.

Na guilda a primeira refeição servida é sempre uma bebida feita a base de clara de ovos e cereais, seguida de rodelas de pão, leite ou café preto bem concentrado (inclusive com grãos torrados mascaveis). E, foi com essa refeição matinal que Marina e Delvin viveram o seu primeiro dia como membros da irmandade de mercenários combatentes de Arvey.

(...)

Na hospedaria em Arvey, Orklan acordou Worean para tomarem um rápido café da manhã e partirem em direção a uma das fazendas do Barão Lucius Moonspell de Arvey, pois, era de lá que partiria o seu carroção, carregado com muitos produtos produzidos na fazendo do nobre, rumo as Montanhas de Bronze, tendo antes que passar na Guilda para buscar os outros companheiros de viagem. Na saída do estabelecimento, alguns anões e gnomos que moravam na cidade, aproximaram-se dos dois perguntando sobre o rumor de uma emboscada que haviam preparado para Orklan, pois, demonstraram grande solidariedade ao amigo, além de requererem dele gentilezas para levar itens aos seus parentes nas montanhas.

Até os portões da cidade, em uma breve caminhada, um grupo formado por anões e gnomos se constituiu rapidamente predisposto a seguir com Orklan e os demais membros da guilda, somente para lutarem em favor do anão. Eles eram seis ao todo, sendo que pelo menos quatro destes eram anões e sabiam muito bem utilizar uma arma - ainda que fosse somente uma picareta -, pois, também trabalhavam ou já haviam trabalhado como seguranças de caravana na trilha mercantil entre os reinos de Mégalos e Zarak. Assim, com uma comitiva formada em curto espaço de tempo, e da qual, o próprio Brinow não poderia recusar a oferta, eles se viram obrigados a tardarem por algum tempo mais a saída de Arvey, somente até que os novos companheiros de viagem estivessem prontos para seguirem viagem.

Na fazenda do Barão, os administradores resmungaram quanto ao atraso de Orklan, porém, sem terem ciência do que havia se sucedido na noite anterior, e, quanto a isso, sem querer entrar no mérito ou se alongar em uma conversa sem sentido, o anão recolheu o carroção conduzido por seis robustos búfalos, adestrados, e de pelagem que oscilava entre um tom negro e azul profundo, e juntamente com a sua comitiva - que se ajeitou dentro do enorme veículo abarrotado de itens -, seguiu viagem para a guilda. A carroça, apesar de grande, estava abastecida com grandes barris de conservas de doces, temperos, cereais, sabão, grãos e com cinco enormes baús repletos com peças de roupas humanas, sendo essas últimas, pertencentes a família do nobre, e, que retornariam posteriormente, estando elas devidamente ornamentadas com linhos de ouro e pedras preciosas, pois, os demais itens eram o pagamento pelas benfeitorias que seriam realizadas nos trajes pelas talentosas anãs costureiras.

(...)

O sol já estava alto quando Brinow chegou ao forte da guilda. E, para surpresa de Sebastian Cellus, que chegou a cogitar a possibilidade de incluir mais um membro da guilda para fazer a escolta do carroção do anão, sobretudo, com a informação da emboscada transmitida pelos membros, logo, percebeu que seria desnecessário com a presença de tantos homens combatentes e de boa vontade para ajuda-lo. O mestre combatente solicitou apenas, que antes de seguirem o caminho das montanhas, os combatentes se munissem de todo o material necessário a viagem que a guilda pudesse lhes conceber, sem excessos e com bastante atenção, e, assim, eles o fizeram na companhia de Mérciah e Gwilldown.

Antes de partir, Luca Benedino solicitou a presença de todos em sua sala de reunião, incluindo o Cellus, e o anão Orklan para saberem o que implica a missão:

Resgate do Caminhante
Nunca abandone um companheiro nas mãos de um inimigo.

O Grão Mestre então diante de todos, posto de pé e próximo a janela, diz em tomo claro e pausadamente como de costume para se fazer compreendido:

Infelizmente, é sabido por todos de nossa honorável casa, e isto, incluem os criados, de que Adrien O Caminhante, desertou no último momento da missão que lhe fora delegada, uma vez que, o meio elfo não teve a preocupação e o respeito de retornar a guilda para informar aos seus líderes de seu anseio em se desassociar de nossa irmandade... Esta mesma casa que não hesitou em acolhê-lo quando assim a buscou... Nem mesmo transmitiu isso diretamente por meio de seus companheiros de jornada, que somente souberam de sua partida por meio de Orklan. Enfim, um membro que carrega um fardo de decepção, do qual deveríamos nós apenas trata-lo como um reles desertor e transgressor de nossos princípios de honra, e, assim, sem quaisquer preocupações, deixarmos lançado a própria sorte na maldição que se atirou, mas, o fato é que, ele ainda esta sobre as montanhas, e trajado com armaduras que dispõe a nossa marca, como se este ainda fosse um irmão desta casa... E isso nos fere diretamente, meus nobres combatentes.

Segundo Brinow, talvez nós tenhamos julgado mal as intenções do meio elfo ao longo deste tempo, e que ele possa estar precisando de ajuda...

Adrien desertou do grupo para se lançar em uma empreitada pessoal, que consistia em amparar um antigo amigo, um anão chamado Tourth Bararum. Este anão reside em uma cidade dentro do reino de Morriel, cujo rei é Morkagast filho de Morthrinn. E, o motivo que levou o meio elfo a ajuda-lo foi para compelir, juntamente com os seus conterrâneos, o ataque de criaturas hostis, denominadas Grimlocks, principalmente, tendo Barabrum descoberto o local onde as bestas famigeradas haviam tomado e feito de refugio. Este covil se formou em um local tido como inóspito, uma conhecida ruina subterrânea de um antigo clã anão que já não tinha mais nenhum descendente vivo, e que fora abandonada há muitas centenas de anos atrás, por haver rumores de que o lugar era amaldiçoado e habitado por outras aberrações tão temidas quanto os que atacaram a cidade do amigo do meio elfo.

Dionísio Thirdway, a quem vocês ajudaram também nas montanhas, seguiu com Adrien até as proximidades da cidade de Barabrum, porém, lá eles constataram que o perigo e o medo haviam assolados as vilas distribuídas sobre a superfície do reino de Morriel, em especial, sobre a cidade do amigo do Caminhante, pois, os Grimlocks são criaturas que sobrevivem a uma dieta alimentar a base de carne humana, abastada, e, fresca. Thirdway descobriu com os anões da cidade subterrânea informações a respeito de como chegar ao covil, entretanto, ele não estava predisposto a adentrar a tal mina abandonada, não sem fazer parte de um grupo maior, portanto, preferiu ele se ater em ajudar nas chamadas Forças Solidarias de Morriel, uma pequena tropa de combatentes vinculada ao reino para auxilio aos cidadãos da superfície formada por anões, gnomos, humanos, centauros, gigantes e outros. Enquanto que, Adrien preferiu seguir sozinho em busca do grupo liderado pelo amigo Barabrum.

Passado cerca de quatro meses, as informações recebidas pelo atravessador mercantil não são boas em relação ao paradeiro do meio elfo, a Barabrum e a tantos outros que seguiram até o covil das famigeradas criaturas, pois, ainda que grande parte destas últimas tenha sido mortas, algo que foi averiguado com a redução de ataques por Grimlocks, nenhum daqueles que caminharam até o tal refugio retornaram.

Portanto, Orklan conduzirá vocês até o encontro de Dionísio Thirdway em Morriel, e este lhes informará como chegar, ou conduzira-los, até a tal mina abandonada, o covil dos Grimlocks. A missão de vocês não consiste em averiguar o local em busca de tesouros ou itens encantados, e, sim, de resgatar um irmão de armas, caso ainda esteja vivo, contudo, caso haja espólios, eles serão bem-vindos a casa, mas, muito cuidado. Essa missão tem um peso muito importante para todos de nossa irmandade, pois, refere-se diretamente ao nosso segundo e primordial item de nosso Código de Honra, ao qual, uma vez atendido, os dignifica a passarem pela nossa cerimonia de Batismo de Fogo. Por fim, tenham essa missão como algo além do que um mero trabalho de resgate de um companheiro em apuros, e reflitam sobre o que ela de fato pode representar para vocês, enquanto grupo, os valores comuns e o que gostariam de construir em conjunto.

No mais, desejo a vocês, meus irmãos de armas, uma boa e segura viagem de ida e vinda a esta casa que lhes consagra, e, o mais importante: hesito na missão.


Após Luca Benedino encerrar as suas palavras, ele saudou a todos pessoalmente, encarando cada um com um olhar firme, um sorriso e um forte aperto de mão.

Sebastian Cellus fez uma breve complementação as palavras do Grão Mestre:

Alguns de vocês estão a subir as Montanhas de Bronze a primeira vez, portanto, cuidado, pois, pior do que bandoleiros prontos a emboscarem comitivas mercantis desatentas, existem criaturas ainda mais temíveis que vivem sobre a superfície, e abaixo dela também, sedentas por sangue, e, ninguém melhor para lhes orientar em relação a cada local e os seus perigos do que o amigo, Brinow Orklan. Portanto, desfrutem da companhia desse solidário anão se munindo de informações que lhes sirvam de alguma ajuda.

Brinow consentiu com a cabeça para com Cellus, e os demais membros da guilda, afirmando que esta ali para ajuda-los até onde lhe for possível fazê-lo. E, acresceu que não somente ele, mas também os demais companheiros de viagem, que, por sua vez, já trabalharam nessa rota e são oriundos de Zarak.

Então, seus projetos de heróis, Voltem com vida para que a história dessa aventura seja semeada entre nós, e de preferência, as voltas de uma mesa digna de um monge, com bastante comida e cerveja.

Desta forma, informal, e, com menos dedos do que Benedino, Cellus saudou os membros da guilda com uma sacudida de ombros, um sorrido largo, um forte abraço seguido de três tapinhas as costas.

Em função a proximidade do horário de almoço, Luca Benedino convidou a todos que antes de partir, almoçassem no refeitório da guilda, e, reforçou as palavras de Cellus ditas anteriormente, que os combatentes que fossem seguir viagem já estivessem com os seus equipamentos, armas, armaduras e provisões devidamente organizados.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

RPG: Aventuras em Yrth - Fragmentos: Este destino lhes foi quisto, seja qual for o preço, com honra.

A Arcana e o Ladino ingressaram o corpo da Guilda de Mercenários Combatentes de Arvey com o aval do Grão Mestre, assim como desejaram.


Dia 01: 18/02/2111, sobre a regência de Aquário.

No refeitório, e, em função do horário – tendo transpassado algumas horas do início da tarde -, os servos que ali trabalhavam haviam sessado de servir as refeições, alguns destes inclusive já recolhiam os utensílios utilizados, assim, como iniciavam o trabalho de limpeza das dependências,

Ilustração por Johannes VoB.
Mérciah, a Governanta e secretária dos 
líderes da guilda, surgiu para anunciar aos 
combatentes que o Grão Mestre havia 
retornado a Guilda, e, que já os 
aguardava para a reunião de decisão do 
destino de Marina, a Arcana, e de 
Delvin, o Ladino.

Ainda sentados a mesa, os combatentes estavam a descansar da refeição e a jogar fora uma ou outra conversa quando Mérciah, a governanta e subordinada direta de Moonspell, chegou na entrada do salão e comunicou a eles que o Grão Mestre havia retornado a guilda, e, que os aguardava em uma das salas de reunião. Prontamente, Worean e Marduk consentiram com a cabeça o aviso, levantaram-se da mesa e seguiram em direção ao prédio administrativo seguido pela companhia dos dois avaliados, Marinna e Delvin, cujo trajeto destes últimos foi interrompido ainda no pátio pelos avaliadores pedindo que aguardassem até que conversassem primeiro com Benedino, porém, a governanta os viu e ressaltou que eram para seguirem todos.

Do lado de fora do prédio, Worean e Marduk reconheceram o alazão de Luca Benedino, que estava sendo recolhido por Eives, um jovem servo, magro, albino, dos olhos em tom vermelho claro, cabelos loiros quase bancos, e com algumas sardas no rosto. O garoto os cumprimenta de forma tímida, mas não deixou de passar por eles sem comentar o quão a mulher que seguia junto a eles era bonita (Marina), além de frisar que “o chefe já esperava por eles”.

Marinna e Delvin adentraram a recepção do prédio administrativo da Guilda, e, logo observaram os detalhes do ambiente pelo seu distinto acabamento, o piso em madeira envernizada e ornamentação, e, chamou a atenção da escolástica a inscrição do Lema da Casa, escrito pelo Primeiro Grão Mestre, e disposta em um quadro grande na parede oposta a entrada: “Pelas Graças aferidas por Nosso Senhor Pai, São João e São Martin, Eu não me deixarei ser subjugado pela sombra da morte, pelo veio da iniquidade, ou qualquer artificio do Inimigo. Lutarei o bom combate, da vida pela própria vida, crédulo do triunfo sem o conspurca da arrogância, com a possibilidade da derrota, todavia, a certeza da experiência”,

Mérciah sinalizou para o grupo a sala em que Benedino os aguardava.

Luca Benedino, o Grão Mestre, e Noel Moonspell, o Primeiro Conselheiro, aguardavam sentados em cadeiras dispostas entorno de uma mesa redonda com capacidade para dez, ambos os móveis feitos em madeira maciça e de primoroso acabamento. As costas de Benedino havia um janelão, de onde podia visualizar parte dos portões de entrada da guilda. A sala dispunha de alguns poucos móveis e utensílios, onde vale destacar, um vistoso quadro com a pintura do forte e parte da vizinhança que o circunda, e uma pequena estante com alguns poucos livros, onde também estava posto sobre a mesma, a escultura em pedra do busto de Sir Felippe Bran – O Primeiro Grão Mestre -, com cerca de 40 cm. Os lideres da guilda olhavam com atenção a entrada de Worean, Marinna, Delvin e Maduk na sala, e, o semblante deles trazia um tom de seriedade, embora houvesse algum resquício de satisfação, sobretudo, no olhar do Primeiro Conselheiro para com a bela jovem.

Ilustração por Caio Monteiro.
o Grão Mestre não se isentou da
responsabilidade de uma escolha ruim,
caso a morte de um recruta eventualmente
ocorresse e o sangue deste lhe respingasse
a alma, simplesmente por ter lhe faltado o
discernimento e a sensatez pela moção das
emoções no momento que lhe era cabido
determinar a entrada ou não de alguém
que não estivesse capacitado a compor
a irmandade.
Com cordialidade, o Grão Mestre pediu para que todos se assentassem, enquanto uma serva dispunha sobre a mesa, e a frente de cada um dos participantes da reunião, uma caneca em madeira, somente para logo em seguida, preenche-la com água de um pequeno barril. A serva saiu seguida pela governanta, que fechou a porta logo em seguida.

Moonspell tinha a sua frente um livro, um tinteiro e uma pena, mas, desde que avistou Marinna, ele simplesmente deixou de fazer qualquer outra anotação, embora dissimulasse alguma concentração, pois, o seu olhar com frequência pousava sobre a jovem candidata, independente do que tentasse fazer.

Luca Benedino não tardou em falar, pois, era perceptível um clima de expectativa e certa apreensão naquilo que seria a palavra final do líder sobre o destino dos dois bem avaliados junto ao corpo dos combatentes da organização. Benedino tentou desde o inicio transparecer amistosidade e clareza, principalmente, para com Marina e Delvin, pois, por mais reciproco que fosse em algumas indagações já feitas anteriormente aos dois, ele necessitava expor com minuciosidade o que era a Guilda de Mercenários Combatentes de Arvey, quem eram os homens que a compunham, quais eram as atividades que a mantinham, e, o mais importante, senão o mais delicado dos ponto a serem abordados, o conflito que poderia ser gerado com a aceitação de uma arcana e um ladino com outras duas organizações de especialistas, a Guilda dos Magos e a Guilda dos Ladinos e Assassinos.

Marina e Delvin expuseram novamente o ensejo pelo qual desejavam ingressar aquela organização, contudo, certos de que agora eles falavam diretamente para quem poderia definir com sucesso o desfecho dessa aventura iniciada semanas atrás na cidade de Nova Jerusalém até aqui. A arcana buscou por meio de todas as suas habilidades empáticas e distinta eloquência convencer a Luca Benedino e ao seu conselheiro – que a observava com retraída libidinosa afeição -, de que aos dois companheiros deveria ser lhes concebida pelo menos uma oportunidade, independente das outras organizações as quais eles de alguma forma deveriam estar vinculados, mas, que por opção deles, não estão, uma vez que, o desejo desde o início de sua jornada até Arvey fora de se vincularem a renomada irmandade de combatentes formadora de heróis.

Após ouvir com solicita atenção as palavras da bela jovem e do pequeno astuto, Benedino solicitou que Moonspell lhe fizesse a gentileza de buscar outro livro, de fato, uma forma ao qual ele encontrou para que pudesse levar com eles uma conversa mais direta em relação a sua decisão. E o Grão Mestre foi categórico em dizer aos quatro que existe uma responsabilidade da qual nenhum deles, enquanto liderança e avaliadores da casa, poderá se isentar caso a morte de um dos dois eventualmente ocorra e o sangue lhes respingue a alma, simplesmente por ter lhes faltado o discernimento e a sensatez pela moção das emoções no momento que lhes era cabido, a escolha de quem entra ou quem sai.

Uma chuva havia se iniciado neste momento.

Quando Noah Moonspell retornou ao aposento de posse de um grande livro, uma decisão já havia sido tomada por Benedino, e isso estava claro no olhar dele para com Worean e Marduk, independente de qualquer que fossem as próximas palavras proferias, portanto, ele não mais se aprazou, ainda que a contragosto e sutil protesto, ou diferente da forma que o conselheiro julgasse ser mais conveniente ou coerente obter. Sendo assim, o Grão Mestre disse que os dois ingressariam a partir daquela data ao corpo da guilda, e, que, no entanto, seria disposta uma primeira missão na companhia de seus dois avaliadores até o termino do dia, um exercício que pudesse provar a todos de que aquela havia sido a melhor decisão a ser tomada, além de que, somente parte do ordenado lhes seria entregue.

Já era próximo do fim de tarde, quando Benedino dispensou a todos, dando como encerrada aquela reunião, para tão logo, em seguida receber os demais conselheiros em relação à decisão que havia sido tomado.

Worean e Marduk ficaram incumbidos de apresentar aos novatos as dependências da guilda, e, nesse meio tempo, os quatro cogitaram em se dirigirem a uma taberna em Arvey para celebrarem o resultado do dia.

Antes que os quatro viessem a deixar as dependências da guilda para seguirem em missão de entretenimento na cidade, o anão Gwilldown os chamou a porta do prédio administrativo, e, antes que estes lhes dissessem qualquer coisa, o mesmo informou que a missão que queriam já estava definida, e seria retransmitida agora pelo Mestre Cellus. Com um sorriso no rosto, o anão ferreiro se despediu, e, cobrindo-se com uma grossa capa de couro, saiu correndo na chuva em direção a sua oficina. Mérciah sinalizou aos membros que Sebastian lhes aguardava na sala de reunião, a mesma que até pouco tempo atrás estavam na companhia de Luca e Noah.

Ilustração por Grzegorz Rutkowski.
Sebastian Cellus, transmite aos combatentes
a primeira missão de Marina e Delvin, que
farão na companhia de Worean e Marduk,
cuja mesma constituirá em resgatar o
meio elfo desertor, Adrien O Caminhante.
Marduk achou por bem se atrever em tomar um gole de rum antes de participar de mais uma reunião, ainda que estivesse ele de frente para a governanta que prontamente lhe chamou a atenção, e, como se embriagar dentro das dependências da guilda é passível de punição, logo, ele foi punido diretamente por Sebastian com exercícios matinais entes do café a manhã do próximo dia.

Sebastian Cellus aparentava sutil felicidade em seu semblante, porém, também tinha pressa em transmitir o que lhe foi delegado pelo Grão Mestre, portanto, foi objetivo em lhes dizer que amanhã pela manhã, eles seguiriam em viagem na companhia do anão Brinow Orklan, um atravessador de especiarias natural de Zarak e conhecido, pois, o mesmo lhes levariam até o paradeiro do meio elfo e ex-companheiro de guilda, Adrien O Caminhante, que havia seguido em missão solitária em meio as Montanhas de Bronze desde o término da última missão vivida pelo Bárbaro e o espadachim, e, que por fim, tem como objetivo resgatar o membro de qualquer perigo em que possa ter se envolvido. Sem mais, o mestre combatente os dispensou de seus afazeres.

Uma vez dispensados dos trabalhos da guilda, os quatro seguiram para a Taberna Boi Fumegante em Arvey para celebrarem o ingresso dos novatos ao corpo da irmandade. No estabelecimento eles se depararam com um ambiente costumeiramente amistoso, lotado de todos os tipos – com muito mais homens do que mulheres -, com fartura de perfumada comida, bebidas alcoólicas a transbordarem de canecas, danças variadas, jogos de cartas e dados, gargalhadas e música a preencherem todo o espaço. E, embora, parecesse impossível encontrar um lugar que coubessem os companheiros, a taberneira que lhes atendeu, Nancy, e conhecia o local como a palma de sua própria mão, não tardou em achar um espaço onde coubesse uma mesa para comporta-los, e, assim, foi, ainda que embaixo das escadas de acesso para o segundo piso, de onde Kran-Laddius, um vigoroso Ogro e Leão de Chácara, assistia com cautelosa atenção a necessidade de intervir a qualquer momento em alguma situação de perturbação da ordem.

Ilustração por Rusell Platt.
Nancy, a solícita e inquieta, taberneira,
serviu aos companheiros de guilda, uma
mesa que pudesse comportá-los
tranquilamente, além de lhes servir
com atenção bebida e comida para
suprirem seus anseios.
Nancy, a solícita e inquieta, taberneira da Boi Fumegante, serviu aos companheiros de guilda, cerveja e um enorme javali assado, recheado com legumes embebidos em um molho de ervas de tempero instigante ao apetite e a sede.

Desde que Marina pisou os seus pés na taberna, muitos homens voltaram a atenção para a mesa onde ela estava sentada, munidos de uma vã expectativa de que ela lhes concebesse a oportunidade de desfrutar de sua luxuriosa companhia nessa noite. Algo que de certa forma agradava os seus reais companheiros, que de certa forma tinham aquilo como algo a ser ostentado.

Worean bebeu tanto que se sentiu suficientemente capaz (concito) de galantear a novata, uma vez que, a mesma em um surto de confiança lhe sugeriu a abertura necessária para o espadachim tentar a sorte, porém, Marinna se demonstrou uma mulher incapaz de se ganhar em qualquer conversa, principalmente, por alguém embriagado. Entretanto, o que poderia parecer desestimulante, tomou um sentido contrário, o de desafio, e, mediante a isso, Hosborn resolveu se manter firme em sua posição, investindo sem trégua até que ela fosse persuadida.

Delvin, o halfling, ao contrário dos demais, comia e bebia sem perder a atenção para as possibilidades ofertadas pelo salão da taberna, pois, eram muitos os homens que ali se mostravam propensos a serem facilmente roubados... E foi em um dado momento desses, que o pequeno ladino percebeu uma conversa que lhe sugeriu um mau-agouro a missão que cumpririam no dia seguinte, onde os dois sujeitos mau encarados, um homem esguio e um meio orc, mencionaram o assalto de uma carroça conduzida pelo anão Orklan (será o mesmo Brinow Orklan, o atravessador de especiarias que partiria amanhã para Zarak?!). Mallory passou a comer com menos velocidade, e, se esgueirou pelas escadas, atento ao movimento dos dois homens, que não se demoraram em se levantar da mesa, chamarem a atenção de um terceiro, roubarem um dos clientes da taberna, pagar a conta e evadirem-se do local.

Delvin pediu atenção dos companheiros, que nesse momento se esbaldavam de beber - exceto, Marina, que também, preferiu não se exaltar, em função da missão de amanhã e as sofríveis investidas de Worean -, e, lhes comunicou o que havia acabado de ouvir de uma mesa não muito distante das deles. O Bárbaro e o halfling saíram para ver se conseguiam alcançar os dois homens que tramavam contra o anão, porém, os dois larápios ao ganharem as ruas conseguiram sumir sem deixar rastros. Marina e Worean prefiriram ficar na mesa e aguardar o retorno dos dois companheiros.

Marina até tentou seguir com os dois pelas ruas de Arvey no encalço dos suspeitos, mas Worean não havia conseguido ficar de pé – estava demasiadamente bêbado -, optando ela então por fazer companhia ao espadachim. Contudo, ainda que esse não houvesse conseguido se equilibrar sobre as pernas, fôlego não lhe faltou para continuar suas frustradas investidas sobre a maga.

Algum tempo depois, Marina percebeu a aproximação de uma bela jovem de pele bronzeada e cabelos claros, que ao ver Worean se insinuando para a ela, demonstrou decepção e tristeza em seu semblante. E, embora, a tal mulher lhe fosse totalmente alheia – Sara Cepris -, Marina percebeu que deveria haver algo entre os dois, anterior aquele momento, cuja simples visão daquela situação – comportamento inadequado por parte do espadachim -, foi suficiente para fazê-la sumir em meio a multidão e em direção a saída.

Delvin e Marduk retornaram a taberna sem sucesso, e, por conta das avançadas horas, acharam por bem retornarem a guilda ou tentar localizar Orklan, para quem sabe assim, deixa-lo sobreaviso de alguma possível emboscada nas próximas horas. Na saída, a taberneira se aproveitou da falta de lucidez de Hosborn, e conseguiu algumas moedas a mais na hora fechar a conta, e, embora o halfling houvesse percebido a trapaça, tomou aquilo como uma futura troca de favores possíveis entre o companheiro e a serva do lugar, pois, ele havia se insinuada para ela por diversas vezes.

O Bárbaro tentou carregar o companheiro espadachim em seu ombro no percurso de volta para a guilda, tal como fez por Delvin – poupando o pequeno sagaz da fadiga, além de possibilita-lo uma visão bem abrangente -, porém, o Worean conseguiu se recuperar de maneira surpreendente.

Nos portões de entrada e saída da cidade, os combatentes souberam por meio de um irmão de armas da guilda - que aquele dia estava trabalhando -, de que Orklan estava na cidade, hospedado em uma hospedaria não muito longe dali. Portanto, acharam por bem, seguirem até o local onde o anão estava para saberem se o pior já havia lhe acontecido, ou pelo menos avisá-lo do que estava por vir.

Na hospedaria indicada, os combatentes não encontraram nada que levantasse qualquer suspeita em suas mediações, nem mesmo estábulos próximos que pudessem estar sendo utilizados pelo anão para guardarem os animais e a carroça. Logo, tentaram falar diretamente com Orklan. O dono da hospedaria pediu para que entrassem e aguardassem chamar o hospede, e, este meio tempo foi suficiente para que Worean fizesse do chão um confortável leito para um breve descanso.

Ilustração por Autor Desconhecido.
Brinow Orklan, o Anão, e atravessador
mercador entre os reinos de Zarak e
Mégalos, que conduzirá os mercenários
até o paradeiro de Adrien, o Caminhante.
Orklan surgiu pisando firme, estalando o piso de madeira abaixo de seus pés, com os seus cabelos e as sua barba marrons, semi cobre e desgrenhadas, trajando apenas uma bermuda, exibindo o seu corpo viril e robusto, com a face cansada e sonolenta de quem ainda estava com a alma repousada sobre a cama. Porém, a visão de o colossal nórdico, o fez recobrar a gratidão pela ajuda do companheiro meses atrás sobre as montanhas, e também a atenção para o motivo de sua presença e dos demais aquela hora.

Ao ouvir dos combatentes mercenários a trama que lhe aguardava ao longo do percurso, o anão, informou que a carroça estava sendo abastecida em uma fazenda próxima ao forte da guilda, e, que ainda pela manhã a buscaria antes de seguirem viagem rumo às montanhas de Zarak. E, que quanto a isso, é um tipo de infortúnio ao qual todo o viajante mercador esta sujeito, independente da época. Entretanto, Brinow  demonstrou um certo alivio por saber que os homens que seguiriam com ele já estavam devidamente a par de um possível risco nessa viagem.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

RPG: Aventuras em Yrth - Fragmentos: A espera com esperança de uma decisão.


A ESPERA DE UMA PALAVRA FINAL
A mesa de refeição, avaliadores e avaliados, aguardam o retorno do Grão Mestre para o desfecho de uma pendência: o ingresso ou não dos novatos.


A Cena Interea (ou “Enquanto isso”) foi um recurso utilizado ao longo de uma de nossas aventuras para estendermos momentos onde a interpretação foi interrompida (por quaisquer motivos,), tanto no que se refere a dialogo direto entre os personagens como o sentimento deles em relação a algo ou alguém,


Snowfinger, o bárbaro, não se intimidou pela presença da linda senhorita a mesa – Marina -, e, desta forma, comeu como de costume e aos seus grosseiros modos, ou seja, da maneira que mais comida pudesse lhe caber na boca. Bebendo com desgosto o suco de frutos que os servos haviam preparado cujo não continha álcool, dando longas goladas sincronizadas a cada final de mordida, praticamente ainda mastigando, de onde com frequência escorriam parte de sua alimentação da boca em direção a barba. Limpava este mesmo resto de comida fluída que se prendia a sua barba com as costas das mãos e dos braços; e, por fim, dando de tempos em tempos arrotos estrondosos.

- O motivo que me trouxe aqui é aprender algo com vocês! Todos buscam neste lugar a iluminação de seus caminhos, seja pela espada, pela coragem, gloria, força, e, enfim, todos escolhem um meio para trilhar a vida, e o meu é buscar aprender, não há oportunidade melhor em que me vejo! – Marina dispôs de maneira enfática o motivo pelo qual desejava estar entre os membros da Guilda de Mercenários Combatentes de Arvey - Sei que minha experiência em combate não é boa, mas posso contribuir com a guilda, com conhecimento!

Ilustração por Seok Chan Yoo.
Marina Blackheart, a arcana foragida,
tentou ao longo da refeição, na companhia
de seus avaliadores, firmar a sua intenção
de que a escolha por ela e o seu amigo
seriam compensadoras a Guilda, pelas
suas distintas habilidades
A Senhorita Blackheart observou os olhos de cada um dos membros sentados a sua volta, perscrutando detalhes, pois, esperava uma reação de seus avaliadores, Marduk e Worean, cuja aceitação deles seria fundamental para que ela içasse a ponte para continuidade de seu dialogo, de maneira que encontrasse a melhor via para surpreendê-los - o cheque mate daquela angustiante situação, cuja definição era emergencial. Enquanto isso, Marina também degustava um pouco da comida ofertada pela casa, contudo, a principio evitou beber por achar que o tal suco fosse alcoólico, e, assim, preferiu ela se abster da bebida, na tentativa de se manter sóbria neste momento crucial, não arriscando a garantia de sua passagem de adesão àquela afamada organização.

Ela observou Delvin na esperança de uma reação diante de suas palavras, mas ele seguiu concentrado no exercício de se alimentar excessivamente bem.

A arcana sabia que deveria se utilizar de argumentos concretos o suficiente para convencer a todos de sua aceitação na guilda, uma vez que, os testes aos quais ela e o seu amigo foram submetidos eram para provar quem de fato sabia lutar.

- Estou certa de que vocês assim como eu vieram para cá, também para aprender alguma coisa. Na busca de algo, ainda que enterrado no coração de vocês que os fizessem se sentir diferentes, aceitos. – De forma eloquente, Marina tentou faze com que as suas palavras tivessem peso e significância.

- Hurrrrr... Que tipo de conhecimento tu podes ser útil, menina? Ainda que saiba manejar com maestria uma caneta, ainda sim precisará aprender se defender. Os perigos lá fora são bem maiores que estes apresentados nestes desafios, tem certeza que aqui é o lugar certo pra ti e pra teu pobre amigo? – Marduk fitou Marina por de trás de uma suculenta coxa de frango que mordiscava com ferocidade.

- Minhas magias são uteis sim, e se for para lutar, elas poderão fazer mais estragos do que imagina Marduk! – A arcana foi incisiva com o bárbaro em dizer o quão as suas habilidades podem favorecer a todos os companheiros em uma situação de combate.

Marduk tira um pedaço de carne agarrado entre os dentes, para logo em seguida volta-lo a mastigar, e com um ronco rumina a comida que quase o engasgou quando falou com a boca cheia, seguido de mais um gole de seu suco. Em sua mente as palavras da jovem flutuavam ainda sem algo concreto, no entanto, naquele momento nada lhe era mais desgostoso do que tomar algo que não fosse alcoólico acompanhado de sua refeição, fazendo com que ele ponderasse “Que porra de bebida de maricas é essa? Quero tomar meu Rum, quem sabe um doce hidromel, ah sim... Suco é uma injuria aos meus ancestrais! Maldita Regras!”. 

 - Hurrrrr.... Sim, mais elas (as magias) não a impediram de ser humilhada por Hosborn, batendo com sua espada no teu "lindo" traseiro! – O bárbaro retrucou com um sorriso sarcástico a face.

Após o desdenhoso comentário, a arcana com um leve suspiro de desapontamento em relação ao bárbaro sem modos, desviou o olhar, para logo em seguida encara-lo.

- Uma combinação de magia e espadas podem superar as maiores diversidades, se é que esta seja a única solução na sua concepção, lutar. – Assim, Matina colocou uma de suas delicadas mãos em seu queixo, dando prosseguimento a sua argumentação, - Há mistérios neste mundo que somente as espadas não serão as únicas soluções.

Ilustração por Nebezial.
Marduk Snowfinger, o bárbaro
oriundo das hostis Cordilheiras
dos Picos Nevados, em conversa
com a bela jovem, deixou claro
que por Ele, nem ela e nem o amigo,
entrariam no grupo dos Irmãos de
Armas de Arvey, mas que respeitaria
a decisão de Worean.
- Sim, menina! A única solução que me ajudou por toda minha vida (a espada), porém, tenho que confessar que poderes místicos me permitiram sucesso em nossa ultima missão! – O guerreiro reconhecia o diferencial que a magia propiciava a balança de um combate. – Hurrrrr... Digo que ainda, pensar muito e não possuir a habilidade de usar os seus poderes no momento oportuno, que a sujeitou a tal humilhação, no futuro, em um combate derradeiro não seria apenas uma palmada, mas si, a sua linda cabeça a rolar pelo chão!

O desproporcional guerreiro voltou a encher a sua boca com uma suculenta coxa de frango, e outra golada caprichada em sua bebida de “Maricas”, para então, logo dizer a jovem:

- Saiba que por mim, tu não seria aprovada, contudo, aceito a vontade do meu irmão Hosborn, ele acredita que possas suprir parte de nossas deficiências, espero não estar presente no dia que desapegar dessa pobre vida, seria um imenso desperdício, ver tão apetitosa beleza caída em combate!!! – Assim, o bárbaro afirmou o seu posicionamento contrario ao companheiro, mas respeitado, de aceitar que a bela jovem e o pequeno halfling ingressassem a guilda.

Marina inclinou seus ombros tomando uma postura mais imponente, pois, em sua mente ela estava certa aonde queria chegar, e chegou!

- É como eu disse a principio, Marduk, sobre caminhos! Você trilhou o seu nos campos de batalha, e nós trilhamos em outros lugares. Se compartilharmos nossos caminhos e combinarmos os nossos aprendizados, assim como a terra e a água se combinam para formar um rio, teríamos mais chances de sobrepor aos obstáculos! – A Arcana estava certa de aquele era o cerne almejado.

Quando fala o bárbaro aponta sua coxa de frango em direção da senhorita... A fitar com os olhos todo o corpo da moça.

- Hurrrr... Se tu o dizes, o nosso irmão tem razão em tê-los no grupo! = Outro arroto seguido de uma gargalhada com cusparadas involuntárias de resto de comida sobre a mesa.

Olhando diretamente para olhos do gigante, Blackheart o fito de maneira inquisidora. -  Estou certa Marduk que talvez aqui (na guilda), você tenha encontrado o seu lugar.

O guerreiro do norte sorriu sem esconder parte de sua comida a boca... - Ainda estamos sendo uteis um para com o outro... Eu ajudo no que posso, eles me dão teto, comida, dinheiro, e conforto... A pior parte é essa droga de bebida... - Ele levantou o seu copo, matando o líquido remanescente em uma longa golada, ao final seguido de uma eructação ainda mais estrondosa do que os demais, e, antes que pudesse continuar a falar, a senhorita lhe falou.

- Estou certa que Benedino não fez tudo isso sozinho, como você sabe, ele tem um grupo em quem pode confiar, um grupo formado por companheiros distintos, diferentes entre sim, porém, talentosos, e nos quais ele pode contar! - Marina olhou para Delvin de maneira confiante. - Estou certa que ser útil a alguém também é uma maneira de aprender! Quebra a arrogância do ego interior

Marduk demonstrou não entender o que a jovem escolástica queria dizer com aquilo sobre ego interior. Entretanto, continuou a fitar a linda criatura , ainda que de forma interrogativa.

- Quando estamos sendo útil a alguém, estamos fazendo algo a este alguém, estamos lhe servindo, servir também é compartilhar, e ao compartilhar, nós deixamos de ser egoístas. Você não se sentiria honrado em compartilhar seus conhecimentos de espadas ao filho que possa ter? Compartilhar a seu legado... – Assim, Marina de forma apreensiva e embaraçada tentou explicar de uma maneira mais simples possível que pudesse ser compreensível ao bruto.

Snowfinger acena positivamente com a cabeça.

- Sempre não percebemos que somos refém de nosso ego interior, porém, quando podemos compartilhar algo útil notamos uma agradável sensação de paz de espirito. - Enquanto falava agora mais confortável por ter se feita compreendida, Marina ajeitava os seus longos cabelos para trás.

Ilustração por Izzy Medrano.
Delvin Mallory, o astuto halfling,
ponderava se aquela decisão
tomada por Marina, era também
a melhor escolha para a vida
dele, pois, além da fome que sentia,
maior era a sua vontade de
enriquecer logo.
O halfling, que até então se alimentava calado, ouvindo toda a conversa entre a amiga e o gigante, sobretudo, estando ele a terminar de se servir de um terceiro prato cedido por alguma boa alma no salão do refeitório, pediu a vez da palavra.

- Então... – chomp - A Marina me disse que aqui se pode conseguir trabalhos que são bem remunerados... – nhac – Direta... - glup glup glup - Ou indiretamente... E, em meu "instinto básico de sobrevivência" – Dito em tom levemente irônico pela sagaz e pequena criatura que se alimentava tão bem quanto o bárbaro - Achei que fosse uma - chomp chomp - boa ideia... 

Enquanto comia com apetite impar, o halfling refletia “As guildas e suas perguntas.... Não podemos simplesmente mostrar resultados? Não... tem que perguntar até quantos fios de cabelo tenho na cabeça.... Espero que a Marina tenha razão e que isso tudo valha à pena.... Pelo menos servem boa comida aqui”.

A companheira de viagem de Delvin olhou-o inquisitivamente respondendo-lhe quase que instintivamente o que o seu semblante lhe transmitia: - É claro que é uma boa ideia! –E, dando prosseguimento, Marina afirmou categoricamente - E respondendo a segundo observação, é claro que tenho razão!

Marduk olhou o entusiasmo e o apetite do pequeno Halfling, e pensou consigo “Pelo menos, no que diz respeito a comida, esta criatura se faz um adversário formidável”.

Gargalhando ruidosamente, o gigante diz para Delvin. - Pra onde vai tanta comida, pequeno? ...  -  E o seu gargalhar quanto ainda mastigava um pão disparava no ar migalhas.

Wolrean Hosborn se absteve de participar de qualquer discursão a mesa sobre o ingresso dos dois candidatos que haviam passado nos testes momentos antes, pois, a sua decisão já havia sido tomada com o aval de seu irmão de armas, transmitida aos seus superiores, e, naquele momento, em pausa para refeição, preferiu exercitar somente o maxilar enquanto ouvia o tagarelar dos demais.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

RPG: Aventuras em Yrth - Fragmentos:As cicatrizes de uma batalha irreal.

Após o confronto com o último inimigo, somente lhe restou a certeza de que não houveram cicatrizes suficientes para dignificar tal vitória.


Marduk Snowfinger, o guerreiro bárbaro, sentiu na boca o gosto agridoce de seu sangue, pressentiu o inevitável fim diante do poder de um inimigo a sua altura, e, por muito pouco, não lhe foi concebida a graça de morrer digno dos salões de Valhalla.


Saldemos a eles, os nossos irmãos que trazem boa reputação a nossa casa!

Ilustração por Nebezial.
Marduk Snowfinger, o bárbaro oriundo
das Cordilheiras dos Picos Nevados,
cujo retorno de Zarak a guilda de
mercenários combatentes de Arvey,
após a conclusão de sua missão lhe
rendeu alguma reputação e honrarias
por parte de todos os seus irmãos
de armas.
O bárbaro, oriundo dos Picos Nevados, chegou a guilda munido de todas as honrarias possíveis por completar a missão que lhe fora confiado por Luca Benedino, na companhia de Worean e Adian, e, isso encheu o coração do gigante de orgulho e grande conforto ao seu ego, principalmente, em relação aos últimos dias atrás, quando em viagem de retorno a Arvey, onde por inúmeras vez se pegou queixando-se de não ter tido ao menos a possibilidade de destroçar com o seu machado de duas mãos o miserável inimigo, Qualbaesh StinkDog. Cansado, sobre o peso da viagem de retorno e também pela sua mais destrutiva batalha, que embora tenha terminado ainda sobre as montanhas, a mesma lhe rendeu lampejos de memória sobre a peleja, bem avivadas em sua mente, por meio de uma mescla de imagens confusas e surreais sobre uma monstruosa criatura que personificava a imagem do grande Fenrir, uma besta, que ouvira quando ainda era pequeno por meio das eddas narradas pelos mais antigos de seu clã. O fato é que, tais figuras distorcidas surgidas daquela época povoaram a mente do guerreiro de tal maneira, que até esse momento, ele não conseguiu discernir se aquilo foi real ou somente um fatídico sonho que se alojara em sua cabeça para persuadi-lo de medos. Enfim, novamente na guilda e na companhia dos seus, as atribulação de seu pensamento amenizaram, com somente alguns resquícios que volta e meia lhe tiravam o sono (sem frequência).

Quando os heróis chegaram ao forte da guilda, eles foram saudados pelos seus irmãos de armas com uma calorosa manifestação de boas vindas, uma felicitação ainda mais receptiva seguiu por parte do Grão Mestre Luca Benedino e do Segundo Conselheiro, Sebastian Cellus. O pobre gigante se sentiu honrado pelas belas palavras proferidas dos renomados heróis combatentes que lideravam aquela confraria. 


Dias de perseverança e de blindagem do espírito aguerrido.

Após algumas semanas, onde já havia esfriados os comentários sobre o êxito da missão completada por Marduk e Worean, tudo voltou ao normal. Ao bárbaro e ao espadachim, foram-lhes dispostas tarefas diárias que consistiam na manutenção da guilda, atividades que diferente de um furioso combate eram por si só cada dia mais pesadas, pois, elas eram complementas com a rotina dos treinamentos que se intensificavam, sobretudo, em cima de habilidades as quais lhe faltou intimidade. Marduk tinha consciência de sua fragilidade, e se não fosse pelo intermédio dos deuses, ele não retornaria com vida a esta casa, e as poucas cicatrizes deste evento espalhadas em seu corpo lhe servem para lembrar as suas deficiências.

Junto com Sebastian Cellus, o bárbaro tentou remediar as dificuldades passadas com exaustivo  treinamento, onde o Mestre de Armas e o Grão Mestre, em atenção a ele, traçaram uma estratégia de treinos em várias de suas habilidades já sabidas e a serem aprendidas também. Sendo assim, ao impetuoso nórdico lhe foram passados exercícios que consistiam em toma-lo ainda mais resistente a dano: Os seus companheiros investiam insistentemente contra o seu dorso, de forma que ele não pudesse demonstrar nenhum tipo de dor, para muitos alheios, este seria um treinamento desumano, entretanto, para outros, aqueles que verdadeiramente facearam a morte, este era o necessário para fazer de Marduk, um grande guerreiro. Além da tolerância a dor, também vieram as atividades para melhorar o seu desgaste físico, por meio do controle sobre a fadiga, e, para isso, todos os dias, ele corria as voltas do forte seguindo até a cidade e voltava, além de nadar no rio que margeava a guilda, uma tarefa difícil quando consistia em carregar o seu corpo tão pesado. Sua resistência melhorou gradativamente dentro daquilo que ele e os seus mestres almejavam, porém, a sua agilidade ainda carecia de uma melhoria também. Quanto a esta última atribuição, o gigante nada poderia dizer em relação, pois, ele ganhou massa muscular, logo, por vez, também aumentou o medo que algumas pessoas nutriam por ele. 

Ilustração por John Staub.
Marduk foi recrutado pelo anão Woody
Gwildown, Senhor da Forja, para auxilia-lo
nas tarefas da forjaria, e com isso, estreitou
os laços com o zeloso e talentoso artesão,
o que lhe rendeu algum aprendizado.
Os dias de Marduk na guilda eram divididos entre os árduos treinos e as tarefas do cotidiano. Luca Benadino atendendo a uma solicitação de Woody Gwildown, o anão mestre armeiro que cuidava zelosamente da forja e das armas, pediu que lhe fosse designado um ajudante para auxilia-lo nas atividades da forjaria, e o Grão Mestre escalou Marduk para este serviço junto ao renomado ferreiro artesão. Então, esse passou a ser o principal oficio do mercenário junto a guilda, algo do qual ele até gostava fazer, que era ajudar o pequeno Gwildown, pois, assim, o nórdico tinha a oportunidade de testar todas as armas antes de dispô-la aos demais, e o aço incandescente chamava a atenção do guerreiro que não escondia o sorriso de um menino quando assistia o talentoso anão executando a sua primorosa arte: que incidia em derramar sobre as formicas aquilo que viria se tornar uma arma, e ainda quente, martelava insistentemente aquela matéria bruta contra o aço de uma bigorna fria, provendo-lhe forma, para tão logo, mergulha-la em um balde de água gelada, para assim finaliza-la em uma ceifadora de vidas e conquista de glórias!

O estágio junto ao ferreiro permitiu a Marduk aprender um pouco sobre o conserto de algumas armas ou mesmo sobre a melhor técnica em afiação para a lâmina de seu poderoso e encantado Machado de Duas Mçãos, cujo recebeu um nome quando foi melhorado pelos Anões de Zarak, um nome de arma veio a calhar “Fúria Impiedosa”.