Bem-Vindo Errante Viajante

Do Olimpo trago a almejada chama, da qual sugiro dançarmos embriagados a sua volta, e quando assim for, sujiro arriscar tocá-la, pois, felizes os que dela se queimarem.

sábado, 20 de julho de 2013

RPG: Aventuras em Yrth - Ladrões de Corcéis Encantados - Os Chocobos

Os Corcéis Encantados oriundos de Ivalice


A Raça

Os chocobos são animais originários do continente de Ivalice, contudo, atualmente podem ser encontrados espalhados por quase todo o continente de Ytarria, sobretudo, se houver condições propícias para sua adaptação e procriação.

Ilustração por Square.
Dimensões físicas de um Chocobo
em sua forma adulta
(Tipo Dodger Cobocho de Segundo Nível)
Eles são uma espécie de avestruz, pássaros de grande porte e que não podem voar de um modo geral - embora existam algumas sub-raças que possam fazê-lo muito bem, independentemente do tamanho de suas asas -, porém, a sua principal característica esta na capacidade de se moverem em alta velocidade por meio da terra, e que fazem deles excelentes e cobiçosas montarias. A sua velocidade é demasiadamente elevada e pode ser comparada a grosso modo, como a de um cavalo próprio para corrida, com uma velocidade média de 80 km/h, e se adequadamente treinado, pode chegar a incrível marca dos 90 km/h. Em uma só passada eles podem cobrir um intervalo de 4 à 6 metros.

Um pássaro adulto costuma medir entre 2,80 m e 3,20 m de altura. O peso também varia entre 170 Kg e 210 Kg.

O bico se assemelha ao de uma galinha, entretanto, grande e resistente. Uma resistência tal que lhe é capaz de ataques mortais ao ponto de perfurar armaduras feitas até mesmo em aço e quebrar armas de qualidade normal. As unhas existentes nas patas - duas normais e uma opositora -, são afiadas feitos lâminas e resistentes o suficiente para tolerar uma variedade de terrenos, inclusive os mais extremos do frio ao fogo. Suas longas pernas são fortes o suficiente para dar-lhe grande resistência e fôlego, dando-lhes a capacidade de correr por muito tempo sem se cansar. Poderosas pernas também são capazes de lhes prover de um coice mortal quando ameaçados, ou treinados para o combate.

Em sua grande maioria os Chocobos têm olhos castanhos. São dotados de uma visão e uma audição muito apuradas. Tal sensibilidade conjunta chega lhes soar como uma noção de perigo natural.

Um requisito vital para existência da espécie em um determinado local é a presença de mana - a energia mágica -, pois, somente através dela esses pássaros conseguem conceber alguns de seus dons mágicos inatos, além de possibilitá-los realizar uma digestão eficiente de tudo que consomem. Pois, a sua dieta alimentar onívora a base de ervas, folhagens de árvores, arbustos, sementes e rações somente se faz plena, quando os alimentos são originários de regiões com essa característica, pois, mesmo a vegetação é capaz de reter propriedades mágicas, ainda que de maneira imperceptível a muitos. Porém, é sabido também, que esses animais possuem a aptidão inata de acumularem em suas penas mana para lhes propiciar com segurança, longas viagens por regiões onde não exista a presença de energia mágica.

Tal como os avestruzes, ocasionalmente os chocobos tendem a se alimentarem de animais como gafanhotos e outros insetos (invertebrados). Como não possuem dentes, eles engolem pedrinhas que ajudam a esmagar os alimentos engolidos no papo. Eles podem ficar sem água por muito tempo, vivendo exclusivamente da umidade das plantas consumidas. Entretanto, eles gostam de água e tomam banhos com frequência.

A expectativa de vida de um Chocobo é entre 80 a 100 anos, salvo alguns casos excepcionais de longevidade em função da sub-raça. Entre os criadores, para um determinado intervalo de tempo esses animais recebem uma nomenclatura especifica:

De 00 a 02 anos de idade: Chibi Choco
De 03 a 04 anos de idade: Priemer Cocho
De 05 a 07 anos de idade: Opereny Boco
De 08 a 09 anos de idade: Threasure Bococho
De 10 a 49 anos de idade: Dodger Cobocho
De 50 a 60 anos de idade: Skuceny Choco
De 61 a 80 anos de idade: Starsie Cocho
De 81 anos de idade em diante: Bildo Boco

Dos 5 a 40 anos de vida ele se encontra em plena capacidade para reprodução, podendo exceder em alguns casos até os 60 anos de idade. Outra característica deles é a sua impressionante resistência a doenças.

Os chocobos podem ser criados em cativeiro (principalmente os amarelos), e se adaptam com facilidade. Os criados em cativeiro apresentam comportamento parecido com o de calopsitas, e se apegam facilmente aos humanos. Alguns se tornam extremamente competitivos, e por isso em algumas regiões as corridas de chocobos são tão populares. Contudo, em estado selvagem eles são extremamente ariscos, geralmente usando toda a sua agilidade para fugir de qualquer coisa que lhes sugira ameaça, se separando do bando e evitando o combate. O bando se reagrupa novamente após a dispersão do perigo.

Os chocobos são criados primeiramente como montarias para comporem algumas frentes de batalha, depois pelas suas propriedades mágicas por algumas cabalas, pelo entretenimento por meio de corridas, pelas belíssimas plumas, pelos ovos, pelo resistente couro, e, por fim, pela saborosa carne. É afirmado por alguns artesões que o animal produz um tipo de couro reforçado. A carne tem um gosto similar ao do bife magro e se compara favoravelmente, tendo pouca gordura e singular pureza. Qualquer iguaria produzida a partir da carne e dos ovos possui um preço muito elevado, independente da região ou sub-raça da espécie. Com as plumas é possível confeccionar belos trajes e um travesseiro muito requerido pela maciez, sendo que aquele feito a partir de Chocobos Amarelos é relatado, por experiência de alguns, possuir uma capacidade de propiciar um sono demasiadamente tranquilo e isento de pesadelos.


Ração

Assim como no continente de Yvalice, os criadores de Chocobos em Ytarria também aprenderam a lidar com o preparo e a produção de rações especificas para a criação dessa espécie, o que implica em determinados casos uma noção mínima a despeito de alquimia para tipos mais específicos de rações. Abaixo estão listados os oito tipos de rações conhecidas, em que parâmetro ele influencia no desenvolvimento do animal (velocidade, inteligência, resistência), dieta (quantidade e vezes ao dia), disposição, valor de mercado por kg

Nome da Ração: Curiel
Parâmetro de Influência: Agilidade/ Velocidade/ Deslocamento
Dieta: 100 g por Refeição acrescido de 300 g de hortaliças. 3 Refeições ao dia.
Disposição: Normal
Valor de Mercado: $ 10 p.c. / kg

Nome da Ração: Krakka
Parâmetro de Influência: Percepção/ Inteligência
Disposição: Normal
Valor de Mercado: $ 12 p.c. / kg

Nome da Ração: Gysahl
Parâmetro de Influência: Resistência/ Saúde/ Constituição
Disposição: Normal
Valor de Mercado: $ 10 p.c. / kg

Nome da Ração: Mimett
Parâmetro de Influência: Agilidade/ Velocidade/ Deslocamento/ Resistência/ Saúde/ Constituição.
Disposição: Raro
Valor de Mercado: $ 90 p.c. / kg

Nome da Ração: Pahsana
Parâmetro de Influência: Percepção/ Inteligência
Disposição: Raro
Valor de Mercado: $ 100 p.c. / kg

Nome da Ração: Reagan
Parâmetro de Influência: Agilidade/ Velocidade/ Deslocamento/ Resistência/ Saúde/ Constituição.
Disposição: Inexistente em Ytarria.
Valor de Mercado: -

Nome da Ração: Sylkis
Parâmetro de Influência: Resistência/ Saúde/ Constituição
Disposição: Raro
Valor de Mercado: $ 200 p.c. / kg

Nome da Ração: Tantal
Parâmetro de Influência: Resistência/ Saúde/ Constituição
Disposição: Inexistente em Ytarria.
Valor de Mercado: -

(Continua...)

sexta-feira, 12 de julho de 2013

RPG: Aventura nos Reinos de Ferro - Busca pelo Artefato Orgoth - Arleath Vivorinun ou Ametista de Mercir

Personagem criada para a crônica Busca pelo Artefato Orgoth (2013), narrada por Jarbas Rocha.


Prólogo da Aventura

Há rumores que a Masjestade o Rei Leto Raelthorne “O Jovem” esta recrutando jovens heróis com habilidades singulares para compor um grupo de Elite no Reino de Cygnar, apesar de rumores, tudo se concretiza quando chega às mãos dos personagens um convite enviado pelo próprio chefe da guarda Sir. Klauus Herberth.

O grupo de Elite ainda não tem nome, sua atribuição ainda é inserta, porém a estes escolhidos serão dadas um nível de autoridade bem maior que de um simples membro da guarda, existem rumores que este grupo ficará encarregado de investigar, combater, solucionar possíveis problemas relacionados ao antigo domínio Orgoth.

Os personagens são conhecidos por suas habilidades e de certa forma estas chegou ao conhecimento do Rei, sabe-se que existe um processo de triagem na escolha dos futuros membros desta liga, existe avaliação de coragem, índole, honestidade, honra, compromisso e obediência ao Rei. Na verdade cada um em particular goza da confiança do Rei Leto e tudo indica que cada um possui um enorme respeito, devoção e obediência ao Rei. No fim do processo para se tornar um membro deste grupo de elite é feito um Juramento de Lealdade e Honra no comprimento de sua missão e claro se possível dar a vida para proteção do Reino e do Rei.


Todos os personagens possuem o mesmo nível dentro da Ordem, obedecendo diretamente ao Rei Leto e ao chefe da Guarda Sir. Klauus, eles não possuem voz dentro do conselho, porém o Rei algumas vezes pode solicitar a opinião de um ou outros dentro das reuniões dos conselhos.

***

Arleath Vivorinun
"Ametista de Mercir"

Sentenciada a morte por ter nascida disforme.

Arleath Vivorinun nasceu no reino de Khador, contudo, a sua fisiologia incomum e aterradora fez com que os seus pais biológicos desistissem ainda cedo de cria-la, pois, ela era uma aberração hermafrodita, nascido com os dois sexos igualmente desenvolvidos, e, aparentemente funcionais.

Quando a criança nasceu, os progenitores acreditaram testemunhar algum tipo de maldição advinda da própria divindade Morrow – a qual ambos eram tementes devotos -, pois, as três crianças concebidas anteriormente a ela nem ao menos tiveram fôlego de vida ao serem removidas do ventre da mãe, e, está que nascida com vida, fora marcada por um signo de maus presságios capaz de desonra-los perante as demais famílias aristocratas do reino. Desta forma, ao pai coube a responsabilidade de se livrar da prole amaldiçoada antes mesmo que a mãe pudesse estabelecer algum tipo de vinculo maternal por meio da amamentação.

Ilustração por Chase Stone.
Assassínio contratado pelo
progenitor de Arleath para ceifar
a vida dela e de seu protetor,
o criado de confiança da família,
incumbido de leva-la para
bem longe de Khador.
O pai entregou a vida da criança aos cuidados de um de seus criados de confiança, e, solicitou ao mesmo que a levasse para além das fronteiras do reino, e, somente lá, atribuísse um melhor fim a aberração, tal como o sacrifício de sua vida em nome e glória de Morrow.

Com temor de que algo terrível ocorresse ao criado incumbido de desaparecer com a criança amaldiçoada durante o seu trajeto até Cygnar, e, que por ventura, viesse a expor a família e colocasse em risco esta terrível imprecação, um assassino também foi contratado para que seguisse o servo, e, assim que ambos cruzassem a fronteira fossem imediatamente executados,

Quando o criado cruzou a fronteira carregando a criança dentro de uma mochila presa as costas, não tardou para que este fosse atingido fatalmente com duas setas de bestas envenenadas em seu pescoço enquanto cavalgava. Instintivamente o homem buscou em seus pertences a criança, e a abraçou fortemente para si, enquanto o seu corpo caia sobre o chão lentamente de cima da montaria que seguia em carreira, para em sequência, rolar ladeira abaixo, protegendo de todas as maneiras a pequena e indefesa forma.

O assassino se dirigiu até o local onde o seu alvo havia desfalecido para finalizar o seu trabalho, contudo, ao se aproximar percebeu que o mesmo havia caído sobre um campo de plantação, e, que para sua infelicidade, alguns camponeses que ali trabalhavam avistaram o acidente e se puseram prontamente a tentar socorrer os feridos. Por fim, o executor acreditou na qualidade de seu trabalho e partiu dali, pois, caso o homem não morresse pelo ferimento dos projeteis, provavelmente, seria pelo veneno mortal que havia embebido os mesmos. Quanto à criança, o assassínio também não esperou escapatória da morte certa, pois, era muito miúda e frágil.

O criado do lorde não resistiu aos ferimentos e logo foi a óbito, porém, a criança foi resgatada sem nenhum ferimento pelos trabalhadores da plantação, embora a pequena estivesse lavada do sangue de seu protetor.

Quando uma das camponesas que acolheu a criança tomou conhecimento do que a mesma tratava imediatamente tentou se livrar dela, e a entregou aos cuidados de um caixeiro viajante para que o mesmo a abandonasse em um dos muitos bosques aos quais percorreria em suas andanças. E, assim fez o homem com muita cautela, tendo o mesmo sido advertido pela mulher para que nunca olhasse diretamente nos olhos da criança, de forma que não viesse a ser enfeitiçado.

O caixeiro colocou a criança dentro do tronco de uma grande e velha árvore em um bosque a esmo no reino de Cygnar, próximo à cidade de Orven.


Uma beleza diferente e incompreendida, não para ser subjugada.

Passado algum tempo, um homem que percorria o bosque em busca de uma caça que pudesse lhe suster por alguns dias, e, também lhe prover de algum coro para confecção de uma manta, logo, se viu surpreendido ao ouvir o choro agoniante e distante de uma criança vindo do interior do tronco de uma árvore. Ele a retirou de lá com cuidado, e a levou para sua humilde cabana.

Ilustração por Artastrophe.
Leonel Vivorinun, o pai de criação de
Arleath, que a encontrou dentro do
tronco de uma velha árvore, a
mercê de inúmeros infortúnios.
Leonel Vivorinun era um homem de idade avançada, que levava uma vida simples como caçador nos bosques próximos a cidade de Orven. Viúvo e sem muitas pretensões desde que a sua última esposa havia sido vitimada por uma enfermidade desconhecida, jamais imaginaria aquela altura da vida reviver a experiência de mais uma vez ser pai. Pois, os dois filhos homens que tivera já não os via há muito tempo desde que constituíram suas próprias famílias, e, creditaram a morte da mãe ao gênio difícil do patriarca, por viver como eremita em um lugar esquecido pelos deuses, distante de tudo e de todos, inclusive de socorro.

O caçador não entendia muito bem o que era Arleath, salvo o fato dela ser dotada de dois sexos, mas por ser uma criança não atribuía a ela nenhum tipo de maldição, pois, era assim que a sua falecida esposa costumava lhe dizer quando em vida: “As crianças não trazem a herança das tolices dos pais, sem culpa seguem puras até que alguém venha e coloque minhocas em suas cabeças”. Distante do convívio das demais pessoas, Vivorinun criou a criança da maneira que lhe convinha, ora como um menino, ora como uma menina, o que soava meio confuso em sua cabeça. No entanto, como os aspectos femininos lhe sobressaiam com o discorrer do tempo, assim, também o velho teve de rever a maneira como educava a sua menina.

Nas coisas mais simples Leonel sentia falta de sua esposa, Arlea, pois, a sua experiência com filhos se limitava a criação de dois meninos que somente passaram a conviver com ele diariamente quando estes completaram nove anos de idade, e a eles foram atribuídas responsabilidades além das de costumes dispostas pela mãe. Com Arleath emergiu um desafio sem igual para o velho, pois, os dias que passavam não contribuíam com as expectativas do pai que era a possibilidade de poder criar mais um filho homem, algo com o qual já teve alguma pratica no passado.

O velho homem mensalmente costumava levar Arleath consigo até a cidade para comercializar seus trabalhos em couro, comprar algumas provisões e bebida, porém, jamais permitia que ela se afastasse dele, pois, temia que algum preconceituoso ou supersticioso descobrisse a sua real natureza. Por uns e outros, Leonel tomou conhecimento do quão algumas pessoas poderiam se revoltar, caso o segredo de sua criança fosse revelado. Ele não compreendia a tamanha desgraça daquela maldição, pois, para ele nada a impedia de levar uma vida normal, pois, ela era tão igualmente capaz como os outros.

Ilustração por Zippora.
Arleath Vivorinun foi criada por Leonel,
embora ele não tivesse aptidão para
criar uma menina e nem uma esposa
para ampara-lo, ele transmitiu a ela
valores e que o eternizaram em
sua memória e coração.
Leonel alertou desde cedo a Arleath que nunca devesse se misturar com as demais crianças, deveria evita-las ao máximo, porque, ela era especial, e, que essa diferença poderia fazer com que as outras se sentissem inferiorizadas e compelidas a lhe machucarem por preconceito. Durante algum tempo, a criança muito protegida, protestou sobre aquilo que a fazia tão diferente das demais crianças, porém, o pai preferiu abster-se e ditar que o que ele havia lhe falado deveria ser cumprido sem mais questionamentos para o seu próprio bem.

Arleath respeitou a decisão do pai, ainda que instigada por uma curiosidade natural comum a todas as crianças.

Ela cresceu na companhia de animais e distante das demais crianças como aconselhou o pai, entretanto, ao atingir a puberdade vieram outras transformações assustadoras, muito além somente dos aspectos físicos. As roupas masculinas que outrora acobertavam os seus sutis traços femininos, já não mais lhe cabiam nessa nova fase, pois, tudo parecia se avolumar a uma velocidade irracional. Aparentemente Arleath tornou-se uma bela mulher de corpo formoso e bem dotada. E, nessa altura da vida, espreitando sorrateiramente as demais pessoas longe das vistas de Leonel, ela compreendeu o que a fazia tão especial, e isso não foi uma concepção natural, muito pelo contrário, foi algo que a perturbou muito. Algo capaz de fazer com que ela tentasse contra a própria vida e se mutilasse por recorrentes vezes, mas que foi impedida e socorrida pelo seu pai de criação por diversas ocasiões.


Adeus a quem conheceu como pai, e por longo tempo unicamente, família.

Leonel Vivorinun faleceu aos 79 anos de idade, pouco antes de Arleath completar seus dezessete anos. E, antes de sua morte, o pai de criação revelou a sua filha como havia a encontrado e a acolhido, nada que aquela altura viesse a surpreendê-la. Este homem foi seu pai de criação, e o único amigo humano durante muitos anos de sua vida. Além dele, Arleath tinha os animais do sítio com quem sempre nutriu um magnetismo especial, e, cujo passava horas sem fim a conversar distraidamente.

Após a morte de Leonel, Arleath, seguiu vivendo sozinha no sítio na companhia de alguns dos animais domesticados pelos dois. Ela realizava algumas atividades que o pai havia lhe ensinado, de modo que pudesse sobreviver sem dificuldades, além de contar com uma escassa herança. Como forma de manter a sua renda e a manutenção das despesas de sua casa, Ela produzia alimentos (bolos, doces e outros), e vendia na cidade de Orven.


Necessária fuga de um paraíso em chamas.

Desde criança, Arleath era dotada de alguns dons sobrenaturais inexplicáveis que lhe permitiam a percepção de intenções e a visão de acontecimentos futuros – alguns pressentimento e sonhos mórbidos de acontecimentos de fatos que iriam se suceder -, algo que ascendeu formidavelmente durante a sua adolescência, e que foram determinantes em alguns momentos críticos de sua vida, de Leonel e de outros que estavam a sua volta. Acontecimentos que se não fossem a sua intromissão, possivelmente resultariam em fatalidades.

Certa ocasião, passado alguns meses do óbito de seu tutor, ela se viu seguida por dois homens que perscrutavam as redondezas de sua morada, ambos mal-intencionados. E, estes não foram os primeiros a tentarem contra a sua vida, portanto, para arriscar se desvencilhar dos mesmos, Arleath costumava fazer caminhos truncados, encobrir rastros, preparar armadilhas previamente, e se esconder. No entanto, estes dois homens que a seguiram estavam determinados a capturá-la, ambos haviam sido atraídos por sua beleza singular.

Arleath levou os sujeitos que a perseguiam para duas de suas armadilhas. Na primeira eles conseguiram se safar ilesos. Na segunda, porém, eles foram encobertos com um pó que lhes provocou uma irritação na pele e nos olhos, no entanto, um deles sentiu aquilo com maior ardor, pois, era alérgico. Um dos homens correu desnorteado pela mata sem que ela pudesse ver o rumo que ele havia tomado. Aquele que era alérgico ficou a gritar injúrias, tossir forte e a se coçar freneticamente até se ferir.

Ilustração por Artastorphe.
Boreng Uzupper, irmão de Gerard Uzupper,
um Lord em Orven, que juntamente com
mais um comparsa, seguiram Arleath
no intento de capturá-la, e, assim,
ferirem a sua dignidade a violando.
No fundo, ela sentiu um pouco de remorsos do homem, mas preferiu assisti-lo agonizar até a morte, intoxicado. Pois, por algumas vezes, presenciou este mesmo homem juntamente com o seu comparsa, sequestrarem algumas jovens incapazes para em seguida abusar delas sexualmente com violência desmedida. Ver aquele homem morrer de alguma forma lhe fez se sentir bem, vingada.

Arleath se livrou do corpo de seu perseguidor lançando-o no rio, e, por algum tempo como medida de cautela, preferiu não ir à cidade, pois, alguns pesadelos a perturbavam incessantemente ao longo das noites posteriores ao evento. Um desses aterradores sonhos foi de que um grupo de sombras malévolas incendiava a sua casa com ela dentro, aquilo soou tão real, que a mesma acordou sentindo um odor fétido de carne podre sendo queimada. Este sinal foi mais do que suficiente para que ela partisse e viesse a se refugiar em outro lugar por uns tempos.

Do alto de uma colina, não muito distante de onde estava Arleath, ela pode vislumbrar as chamas que se erguiam em enormes labaredas que rompiam o céu noturno consumindo a sua antiga morada, aquilo lhe causou um gelar na espinha. Ela não levava muito consigo além do que seus braços poderiam suportar, pois, tinha receio de que os seus captores conseguissem rastreá-la e alcançá-la com facilidade.


Capturada por um amigo.

Arleath caminhou durante dois dias seguidos sem parar, até que a fadiga sobressaiu as suas forças, fazendo com que ela buscasse um refúgio, e, o único local que ela encontrou foi uma gruta em meio a um bosque de mata densa. O local não cheirava bem, possivelmente deveria ser o recanto de algum urso ou criatura similar, porém, ela vasculhou o perímetro e não encontrou vestígios que dessem crédito aquela suposição. Sendo assim, ela se encolheu em um canto escuro e dormiu como há dias não fazia.

Ela acordou encoberta por uma manta de couro batido familiar – tais como seu pai confeccionava -, ao longe avistou uma fogueira próxima de se apagar, e, junto a esta, um cavalo e um cão, ambos deitados próximos um do outro. Antes que ela fizesse qualquer coisa, o cão de caça percebeu o movimento e se aproximou de Arleath rangendo os dentes e rosnando em sinais de desconfiança. Ela ficou acuada, pois, o animal era grande, e lutar com ele desarmado poderia ser perigoso. Bastou o ressoar de um silvo breve vindo das costas do animal para que ele se afastasse dela, e corresse em direção à saída da caverna de onde emergia uma sombra de silhueta humana.

Ilustração por Charro.
Arleath após assassinar Boreng Uzupper,
foge do sítio onde viveu praticamente
toda a sua vida na companhia de
Leonel Vivorinun, para se refugiarem
uma caverna em meio à mata.
A pessoa que surgiu tinha uma voz mansa, mas não era uma mulher, pois, o seu porte físico se assemelhava a de um homem. Este sujeito se prostrou diante da fogueira, e a perguntou se tinha fome, ela, porém, receosa balançou a cabeça informando que não.

Os dois ficaram quietos por um tempo indeterminado, cada qual em seu canto. No entanto, quando o cheiro da ave assada tomou o espaço da gruta que os acomodava, a fome no âmago de Alearth despertou de maneira desinquietante, pois, ela aparentemente havia descansado mais que o tempo habitual, e, em sua caminhada de fuga não havia se alimentado direito, salvo algumas frutas colhidas na passagem.

Ela não queria ceder com receio de que aquilo fosse uma armadilha. Porém, transpassado algum tempo após a refeição, o estranho apagou a fogueira, e se deitou em um canto coberto com uma manta de coura semelhante aquela com a qual acordou coberta. E, antes que ela cogitasse algo, ele disse:

- Para onde você vai, moçinha? Garanto-lhe com toda certeza, que com a beleza que tem, corre muito risco caminhando solitária em meio essas trilhas infestadas de homens mal-intencionados e criaturas selvagens. Claro, isto é, se você for somente uma bela jovem indefesa a se aventurar por essas passagens, certo?

- Chamo-me Alearth... – A voz de Arleath ressoou repleta de receio e timidez.

- Alearth, filha de Leonel Vivorinun... – Ele mencionou o nome e a origem como se buscasse as informações nos confins de sua memória, e prosseguiu com sutil discrição.

- A sua cabeça está a prêmio na cidade de Orven, pois, você assassinou o irmão de alguém importante. Embora, não acredite que essas mãos fossem capazes de algo tão ardil, senão por autodefesa. Contudo, convenhamos a população num geral só tem a lhe agradecer, pois, Boreng Uzupper era um encosto na vida de muitas pessoas, sobretudo, dos mais jovens, Sendo assim, aconselho se manter um bom tempo afastada daquele lugar, por pelo menos dez anos, até que esqueçam a sua cara. – O estranho seguiu a falar com voz mansa e tranquila.

- Não sei de quem ele era irmão... Sei que ele fazia mal a muitos. Ele tentou me fazer mal, mas o pior lhe aconteceu por incidente. Eu só queria... – Ela falava com ansiedade, buscando palavras e tentando justificar seu ato.

- Garota... Tenha cuidado, somente. – Ele a interrompeu e se virou olhando para a escuridão onde ela estava – Quem esta em seu encalço pode lhe perturbar uma quantidade de tempo sem fim, assim sendo, seja mais esperta. O que você começar aqui, termine aqui, ou terá dificuldades para levar a sua vida, pois, problemas nessa terra nós sempre teremos, então, nada mais justo do que resolvermos antigos contratempos antes que os novos venham.

- Você quer que eu mate os meus perseguidores? – Ela se inclinou para ele exclamando.

- A morte pode ser uma solução, Arleath... A mais drástica, mas ainda sim um meio. No seu caso, não vejo outra saída, pois, fugir somente tardará a questão. – Ele se manteve a falar como se a morte lhe fosse algo intimo.

- Não sou uma assassina! – Arleath se pôs de pé e seguiu em direção à saída, passando por ele. – Não quero mais ouvi-lo.

- Garota! – Ele rapidamente se levantou e a segurou pelo braço - Deixe de ser tola... Acha mesmo que alguém lá fora esta se importando se foi o seu primeiro ou centésimo homem a ser assassinado? Ou mesmo se foi um incidente? Gerard Uzzuper colocou homens treinados e cães de caça em seu encalço, e cedo ou mais tarde esse grupo chegará nesse lugar. – Falou rispidamente a fitando friamente.

Arleath agora podia olhar o estranho frente a frente, e algo nele sugeria que havia uma estranha familiaridade, mas ela desconhecia.

- Solte-me! – Ela tentou se desvencilhar das mãos dele, - Largue-me! – Sem sucesso Arleath se retorcia tentando se soltar dele.

- Você não percebeu ainda que se cheguei aqui antes deles, e lhe relatei coisas a respeito dos perigos que o futuro lhe reserva, não sou Eu o seu inimigo? – Com a mesma força que a segurava, ele a soltou, jogando-a ao chão. – Embora, seu pai fosse um homem solitário, ele não partiria desse mundo sem a preocupação de que alguém olharia por você, Arleath. – Ele se agachou na direção dela e a olhou no fundo dos olhos, enquanto ela contraia os lábios amargando aquela situação. – Não seja tão arrogante e estúpida, garota, pois, o mundo lá fora não costuma premiar tais atitudes com benesses ou sobrevida.

Os dois ficaram a se entreolhar por um tempo, até que ele se levantou e se virou para apanhar algo na bolsa de couro recostada a parede.

- Talvez eu não seja mesmo a melhor pessoa, depois de Leonel, e você tenha motivos para desconfiar... – Assim falava o estranho vasculhando algo em seus pertences.

Bastou esse momento de descuido do estranho para que Arleath subitamente se colocasse de pé e fugisse em carreira para fora da gruta em direção a mata. Em sua mente ressoavam algumas das palavras mencionadas pelo homem, e, algumas delas eram a de que aquele lugar não era mais seguro para ela. Ou seja, ela precisava o quanto antes se evadir dali, e do encalço dele que a rastreou e seguiu.

Ela correu em disparada, e, por algumas vezes tropeçou, caiu e se machucou superficialmente, porém, não deixou de se levantar e retomar a correr pela vida. O coração dela parecia pulsar aceleradamente em meio à garganta por tamanho esforço quando algo grande subitamente se atirou contra ela vindo de uma das laterais, aquilo associada à velocidade, fez com que ela se desiquilibrasse e fosse ao chão em cambalhotas. Arleath havia sido mais uma vez surpreendida pelo estranho da caverna. Atônita, ela não entendia como aquilo havia se dado, e no solo, com o mínimo de forças para protestar e bastante ofegante, ela se deixou ser amordaçada pelas mãos e pernas, e posta sobre o lombo de um cavalo.

- Talvez agora você possa ouvir melhor o que tenho a lhe dizer, Arleath. – Assim disse o estranho em tom irônico enquanto a amordaçava e se certificava da firmeza das amarras – Chamo-me, Manphius de Mercir, e, sim, o prazer foi todo meu em conhecê-la.


Manphius de Mercir, um tutor espião.

Embora, o primeiro encontro de Arleath com Manphius naquela gruta estivesse a quem de algo que sugerisse um convívio harmônico entra as partes, ou ainda mesmo, duradouro, todavia, o tempo foi suficiente para provar a ela que os seus pré-conceitos em relação aquele homem estavam mais do que equivocados.

Ilustração por Fernanda Suarez.
Manphius de Mercir, companheiro de longa
data de Leonel Vivorinun, que pactuou
em gesto fraterno a tutela de Arleath,
caso o mesmo viesse a falecer
ou algo de pior lhe ocorresse.
Manphius e Leonel tiveram as suas vidas cruzadas no passado quando ambos serviram as tropas de Cygnar, no reinado de Vinter Raelthrone III. E, muito antes do rei vir a óbito - no ano de 576 D.R. -, Leonel havia abdicado da vida como soldado das tropas reais em um posto avançado de liderança, e se dedicado exclusivamente a sua vida como patriarca de sua família (sua esposa Arlea e seus dois filhos). Desta forma, optando ele por uma vida mais pacata, distante dos conflitos de outrora, das tramas políticas e da fatigante condição de ser para terceiros apenas uma habilidosa arma para ceifar vidas, parcialmente falha por ser dotada de sentimentos, inclusive para com alguns inimigos da coroa.

Manphius sabia que o companheiro havia se envolvido com uma bela jovem oriunda do reino de Khador, e, sabia que uma vida publica na companhia dela poderiam expô-los inadvertidamente ao perigo. Portanto, creditou sensatez ao amigo por optar por uma vida mais reservada.

Porém, a pouco mais de cinco anos, quando viajava por Orven, Manphius reviu o antigo companheiro e líder de destacamento, ele estava próximo a uma carroça e tenda comercial com inúmeros trabalhos em couro. Tal encontro sugeriu uma taberna mais reservada para conversaram sobre histórias passadas, relembraram fatos comuns quando serviam ao pai de Leto Raelthrone, O Jovem, e, sobre ocorridos mais recentes de suas vidas. Quando Leonel foi questionado a respeito da filha pelo amigo, o velho não pode deixar de mencionar que temia por sua idade avançada, a sua saúde que andava debilitada (embora evitasse demonstrar atuando com extrema convicção), e, de não poder protegê-la, caso o pior viesse a lhe ocorrer. Nessa ocasião de feliz reencontro, os dois beberam muito e reavivaram um laço de fraternidade que jamais fora esquecido por ambos, além de pactuarem a respeito da tutela de Arleath.

Ao contrário de Leonel, Manphius de Mercir, retornou a servir a coroa no reinado de Leto Raelthrone, O Jovem, porém, em um destacamento especial, formado exclusivamente por espiões e sabotadores, pois, foi nisso que havia se especializado no período em que esteve longe do palácio e do convívio com a realeza.

Na capital de Cygnar (Caspia), Manphius apresentou Arleath como Ametista de Mercir, onde ele relatou com espantoso talento para os demais que ela era filha única de uma irmã por parte de pai que não via fazia anos, e, que somente soube dessa sobrinha por uma casual informação oriunda de suas fontes. O habilidoso ladino e espião ficou admirado com algumas instruções transmitidas por Leonel a sua filha (uma jovem com alguns traços fisionômicos do norte, tal como Arlea), principalmente, relacionados ao manejo de arma e outros de pratica militar. Portanto, de sua parte determinados ensinamentos vieram como aperfeiçoamento do que ela já tinha conhecimento, salvo aqueles estritamente relacionados à sua atual atividade junto à corte do rei. Outro ponto que lhe atraiu especial interesse na jovem foram os seus inexplicáveis dons sobrenaturais, que em consulta a outro grupo especializado em magia dentro da realeza mencionou não estar relacionado.

Manphius queria fazer de Arleath uma espiã dentro da corte de Khorda, contudo, não queria ela somente como mais uma em meio a uma multidão de soturnos subalternos do rei Leto, sobretudo, tendo ela perspicácia e determinados dons que eram diferenciais em suas ações. Ele vislumbrou nela uma oportunidade de ascensão que em anos não alcançou, contudo, isso não foi uma aspiração exclusivamente dele.

O tempo de convivência entre os dois também propiciou a Arleath que se despisse de algumas de suas deduções a respeito de Manphius, porém, mesmo vivendo durante anos em sua companhia, e alimentando por ele um amor platônico que a corria por dentro, ela nunca foi capaz de se aproximar dele ou mesmo revelar o seu segredo.


Poderes que sacrificam vidas.

Quando Manphius levou a sua tutelada para o templo dos senhores da magia de Cygnar para uma investigação a despeito da origem de seus poderes – mágicos ou não -, ela também chamou a atenção de Hulivier Luwick, um mestre arcano, que percebeu no primeiro olhar trocado com a jovem que o poder com o qual estava lidando era diferente do qual estavam habituado, provindo da mente (psi) e não de essências emanadas do universo (mana), mas essa foi uma informação que o mago preferiu não transmitir para o espião a fim de alimentar vãs expectativas, pois, naquele momento Luwick já havia fomentado em sua mente um novo destino para garota e seus poderes.

Ilustração por SamC.
Hulivier Luwick, um mago da corte real
de Cygnar, que auxiliou Talles Orlyuss
a se aproximar de Ametista, e,
também, se tornou cúmplice do
assassinato de Manphius de Mercir.
Luwick sorrateiramente fez contato com Talles Orlyuss de Ceryl, um antigo membro do alto escalão da corte do rei deposto (Vinter Raelthrone IV), alguém que se afastou da realeza por apego as suas convicções e divergências ideológicas com o novo monarca e seus asseclas mais fervorosos, contudo, ele sabia a fundo a origem e como lidar com os poderes de Ametista. E, assim como Luwick, Orlyuss ao saber da garota com capacidades psiônicas, enxergou nela à possibilidade de aprimorar os seus estudos nesse campo de poder ainda pouco explorado, além de angariar para si recompensas a muito quistas, dentre a elas, o devido reconhecimento e status.

Orlyuss mancomunado com Luwick tramaram a morte de Manphius, a fim de não haver obstáculos e contratempos na evolução de seus trabalhos.

Arleath advertiu por incontáveis vezes o seu tutor de que muitos dentro dos muros do palácio conspiravam contra a sua vida, inclusive, um alguém que tentou sem sucesso no passado e tentaria no futuro contra a vida do próprio rei Leto. Graças a esse poder de premunição de eventos, o espião, assim como o amigo Leonel, foi salvo de eventos desastrosos e mortais.

Talles tinha certeza de que as recorrências de insucessos dos planos de assassínio de Manphius se deviam a intromissão de Ametista. Pois, enquanto a jovem estivesse lucida e falante, o espião estaria seguro, sendo devidamente alertado de possíveis atentados. Desta forma, os dois conspiradores tiveram que mudar o foco de suas ações, que passou a ser a psiônica para tentar neutralizá-la.

Manphius antes de ser assassinado chegou a informar ao líder de seu destacamento dos riscos que ele e sua tutelada corriam, além do próprio rei, Leto. Entretanto, ele precisava que alguém guardasse a vida de Ametista caso o pior lhe ocorresse, e, tal situação parecia lhe deixar cada vez mais paranoico.

Ilustração por Mariana Vieira.
Talles Orlyuss, fomentador da morte de
Manphius de Mercir, somente para
requerer a guarda e a estima de
Arleath Vivorinun “Ametista de Mercir”.
Hulivier Luwick conseguiu lançar sobre Ametista uma poderosa magia de sono que a fez cair em uma sonolência profunda. Durante cinco dias ela dormiu, e nada podia acordá-la. Esse interim foi mais do que suficiente para que o Luwick e Talles arquitetassem um plano infalível e o colocassem em pratica para liquidar Manphius. Contudo, o que os dois não esperavam que ocorresse era que Arleath tivesse em sonhos uma visão de quase tudo que aconteceu no momento em que esteve sobre o efeito do encanto.

Quando Manphius foi assassinado em uma viagem em busca de um antidoto para quebra do encanto mágico lançado sobre Arleath, mesmo em repousou profundo, a jovem verteu lágrimas de seus olhos de maneira involuntária, pois, havia pressentido o funesto sortilégio no qual o seu tutor havia sido vitimado. Porém, o mundo onírico nunca foi para ela um local claro e fácil de ser interpretado, tanto que a identidade dos assassinos de seu tutor somente lhe foi possível tempos mais tarde, mesmo que uma desconfiança lhe pairasse no ar.

Apesar da morte de seu tutor – com quem conviveu dos dezessete anos até os vinte e três anos -, Arleath teve o apoio moral e necessário de membros da corte – alguns até por ela desconhecidos -, e, por tal motivo, ela não ficou desassistida em nenhum momento, ou mesmo, feita a menção de que a sua vida seguiria para além dos muros do castelo, a normalidade dos demais cidadãos de Cygnar. Ela não conheceu o líder da confraria de espiões, porém, fazia ideia de quem eram alguns de seus membros, pela maneira como se portavam.


Segredos mortais revelados ao brilho de ametista.

Após a morte de Manphius, não tardou para que chegasse ao conhecimento de algumas pessoas importantes da corte de Cygnar que a sua tutelada detinha poderes especiais não mágicos, e, que requeriam um tutor à altura para incentiva-la no aperfeiçoamento de suas capacidades. Quanto a isso, alguns foram uníssonos em convocar Talles Orlyuss de Ceryl, embora houvesse descontentes a essa decisão, todos compreendiam que ele seria a pessoa melhor instruída e mais habilitada para o assunto.

Se por meio de Manphius foi exigido de Arleath em treinamento um esforço físico, muitas das vezes, além de sua capacidade, porém, gratificante e digno de elogios, sobre a tutela de Talles Orlyuss as exigências seguiram além do habitual com o qual ela estava acostumada. Sendo em sua grande maioria de caráter mental. As rotinas de treinamento eram extremamente exaustivas, e, aparentemente não rendiam a ela mérito pelos avanços e conquistas, embora, a aura de seu tutor informasse algo diferente de sua feição ríspida e de seu jeito circunspecto.

Quando o segredo da condição hermafrodita de Arleath foi descoberto por Talles à rotina de treinamentos tomou outro sentido, assim como a maneira como ele passou a trata-la. O tutor se revelou um pervertido sexual, um homem adepto a experimentação do prazer além das formas convencionais. Orlyuss passou a explorar a sua tutelada fazendo com que ela fosse exaurida fisicamente entre quatro paredes. Com receio de que aquilo fugisse as paredes do cômodo que compartilhavam, ele ameaçava, e até mesmo assassinava alguns dos servos e criadas molestados em suas perversões grupais. Na companhia dele, ela experimentou pela primeira vez o sexo, uma dose amarga e exagerada de devassidão sexual que a fez sentir nojo de seu próprio corpo.

Os primeiros meses para Orlyuss novamente adentro da corte real de Cygnar foram significativos, alguns dos prazeres de outrora já haviam sido esquecidos pelo conselheiro psiônico, assim como também a mecânica política que envolvia os círculos de poder, e cada um dos membros que se relacionavam.

Com pouco mais de um ano em Caspia, Hulvier Luwic revelou a Talles seu real interesse em trazê-lo novamente para dentro do Palácio, e no que ele e sua jovem aprendiza iriam lhe servir. A princípio, Orlyuss se mostrou apreensivo em relação à oferta, porém, achou por bem ingressar, uma vez que, o plano do amigo que o trouxe de volta para aquela casa era demasiadamente ambicioso e requeria pessoas fortes, além de propensas ao tudo ou nada.

Os conspiradores somente não contavam com a indisposição de Arleath em relação ao plano de assassinato do Rei Leto, sobretudo, após em sonhos ter sido revelado a ela a face dos assassínios de Manphius. Pois, embora ela tenha se afastado do antigo circulo de convivência que desfrutava na companhia de seu antigo tutor, foram a eles a quem ela se reportou para deflagrar Talles e seus aliados mais próximos.

Talles Orlyuss foi preso, condenado e executado a morte por alta traição, assim como alguns outros envolvidos. O arcano Hulivier Luwick, por sua vez, em função de sua posição dentro da corte e de sua influência, conseguiu fazer com que o seu nome não fosse associado ao crime - não de maneira direta -, o que lhe atribuiu uma condenação mais branda. Mas ainda sim algo que lhe trouxe ranhuras dentro do círculo da realeza com perda de posições hierárquicas, e que consequentemente afetaram as suas rendas, benesses, conquistas e influência.


Dias atuais em Caspia,..

Ilustração por Radthorne.
Arleath Vivorinun “Ametista de Mercir”
deflagrou a conspiração de Lord Hulvier
e seu tutor para assassinar
o rei Leto Raelthrone, “O Jovem”.
A delação do crime de conspiração contra o rei, a demonstração de convicta lealdade (ainda que não sacramentada por um juramento), e o contato com alguns homens que compunham o circulo social de Manphius, fez com que Arleath Vivorinun “Ametista de Mercir” obtivesse aceitação para adentrar a confraria de seu antigo tutor. Todavia, muito antes dela ingressar a este grupo foi necessária a ela uma reclusão da sociedade para se tratar mentalmente em função dos traumas adquiridos no convívio com uma aberração nefasta e pervertida.

A sua adesão e participação em alguns trabalhos da confraria de espiões e sabotadores de Cygnar não era nenhum tipo de certeza em suas atividades diárias, não havia uma frequência corriqueira de convocações ou compromissos, assim como também, não se tornou claro para Arleath quem eram de fato os membros e líderes, uma vez que os trabalhos chegavam ao seu conhecimento por meio de mensageiros sem aparente relação com o destacamento. O seu dom de perceber auras lhe permitia chegar às pessoas certas e no momento conveniente, por tal motivo, ela não se preocupava tanto, salvo a existência de outros grupos que atuavam dentro do perímetro com o mesmo objetivo e sem vinculo com a coroa – estes sim, lhe traziam apreensão.

Ela vive na companhia de alguns pequenos animais domésticos em uma casa na capital de Cygnar, onde nas horas vagas pratica em segredo algumas de suas habilidades especiais.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

RPG: Aventuras em Yrth - Ladrões de Corcéis Encantados - Bem próximos do fim

Dia 07: 07/10/2110, Sobre a regência de Libra.

Ilustração por Square.
No meio da noite Milo é convocado
por um grupo de Chocobos Negros,
na condição de que nada de mal
ocorreria a passagem dele e de seus
companheiros pelas montanhas. 
Não muito distante do amanhecer, Pericles Fant acordou, e sutilmente o homem com talentos ladinos abriu os olhos para perceber o que ocorria a sua volta, e, para sua surpresa, o acampamento do grupo estava cercado por Chocobos Negros – pelo menos uns dez dentro do seu campo de visão -, todos aninhados sobre as paredes que circundavam o local. Os pássaros pareciam estar parcialmente agitados e em contato com Milo, o Chocobo Amarelo de Malgorr. Sorrateiramente Fant chamou a atenção dos demais para que observassem o que se passava. Worean e Adrien observaram com cautela, pois, embora as criaturas demonstrassem algum tipo de agitação, algo estava sendo tratado com o animal que os acompanhava que não se remetia a intenção de um combate iminente. Tochida também percebeu que algo acontecia no lugar, e, com cuidado, voltou a atenção para os intrusos.

Passado algum tempo, os Chocobos Negros alçaram vôo em sentindo ao caminho que o grupo deveria percorrer daqui a algumas horas, e Milo seguiu atrás os mesmos correndo. Assim que o companheiro animal partiu, o grupo rapidamente tratou de acordar Malgorr, que ainda descansava, para lhe avisar do que havia ocorrido, e, que se ele tinha interesse em reaver seu animal, deveriam partir logo em sua busca.

Antes de ser acordado o ranger havia sonhado algo terrível em relação a um perigo iminente a ser vivenciado por Milo, por isso não pensou duas vezes em ajudar o animal, mesmo que isso tardasse o socorro as suas filhas.

Ainda escuro e em meio a neblina, o grupo seguiu em caminhada acelerada por entre morros e grandes paredões pela trilha ainda com muitos vestígios de passagem de um grande grupo de animais, cujas patas não deixavam sombra de dúvidas de que se tratavam de Chocobos. Porém, chegando a um determinado ponto do caminho, um rastro mais recente denunciava que Milo havia seguido outro caminho. Antes de tomarem uma trilha diferente, Tochida exclamou aos demais se seria sensato ir atrás de um único animal, enquanto as filhas do homem e um grupo maior corriam risco nas mãos do bando de Qualbaeshi? Malgorr foi incisivo na decisão por ajudar a Milo, e os demais do grupo apoiaram a decisão do velho ranger.

Já amanhecia quando o grupo chegou a um rio largo com corredeiras por quase toda a sua extensão. No meio do rio estava Milo, aparentemente o mesmo havia tentado cruzar o rio, porém, parecia preso a algo, pois, se debatia muito tentando sem êxito sair do lugar. Na outra margem, alguns chocobos negros assistiam a tudo pousados sobre a copa de algumas árvores e pilares naturais de rocha. Ainda havia um grupo destes mesmos pássaros que sobrevoava em rodopios o lugar emitindo um barulho agudo e estridente.

Ilustração por CryptikFox.
Os mercenários encontraram a frente Grammio,
um rio com algumas corredeiras em sua extensão,
e, embora ambos não soubessem nadar,
eles tentaram arriscar o resgate de Milo, O Chocobo,
que havia ficado preso em meio à travessia.
Worean, Adrien e Marduk se mobilizaram para tentar ajudar o animal que corria risco de ser levado pela correnteza, para isso, prenderam cordas em volta de seus corpos e se esticaram passando por cima de escorregadiças pedras e pedaços de árvores que cobriam o fundo do rio. Contudo, quando o meio elfo estava bem próximo de alcançar Milo, o mesmo não conseguiu se equilibrar sobre uma das pedras que pisou, e ainda, atordoado pelo som agressivo dos chocobos, ele foi levado com a força da torrente. Tal incidente fez com que Worean também não tivesse forças para suprir a falha do companheiro, e, logo este também se viu lançado à água. Marduk, por sua vez, que estava na parte rasa – com água até a cintura -, ao perceber os dois companheiros serem tragados pela água, também fez de tudo para manter-se rígido como uma rocha, mas não foi suficiente, o peso dos outros, somado a força da água, fez com que o gigante fosse impulsionado para frente em direção a corredeira. Pericles e Tochida assistiram da margem do rio ao fracasso da empreitada.


Os três mercenários não sabiam nadar, logo, o desafio dentro da água ganhou um aspecto ainda mais mortífero, pois, o risco de morrerem afogados era real e provável.

Malgorr que usava a sua tiara que lhe permitia se comunicar com os animais, se viu obrigado a se desfazer do item antes que fosse mortalmente ferido, pois, os chocobos estavam atacando em conjunto emitindo um poderoso ataque sonoro. O ranger se prostrou de joelhos ao chão atordoado pelo ataque que parecia lhe ferir diretamente o cérebro, com as mãos levadas a cabeça, e sangue a escorrer pelos orifícios nasais e auditivos.

Ilustração por MKagen.
Tochida Murashai tentou prestar
socorro a Malgorr, porém,
não compreendendo o que havia
acontecido ao homem, até fazer
uso da tiara mágica em
um momento inapropriado.

Tochida não entendeu o que havia ocorrido com Malgorr, logo, ele se aproximou do velho para tentar socorrê-lo, que murmurava penosamente pelas dores afligidas. Murashai apanhou a tiara jogada ao chão, e, por instinto, colocou a sobre a cabeça, logo, o item o surpreendeu com o efeito mágico de ajuste de tamanho, e, em sequência, o golpe mental provocado pelo ataque dos pássaros. O sahudense sentiu como se os bicos daquelas aves estivessem a lhe perfurar o crânio rapidamente com cada um daqueles gritos estridentes e agudos, portanto, também não hesitou em se desfazer rapidamente do item.

Enquanto Tochida se deteve em tentar ajudar Malgorr, Pericles procurou intervir junto aos outros que seguiam conforme a correnteza do rio, que a medida que passava ganhava mais velocidade e distancia.

No rio, os três seguiam sendo levados desesperadamente pela impulsão da água, muitas vezes tendo seus corpos submersos e submetidos a engolir com frequência uma quantidade abundante de água, além de se chocarem contra algumas pedras e paus depositados no fundo, que faziam daquilo uma aventura ainda mais traiçoeira por conterem armadilhas naturais ocultas.

Com muita dificuldade, Worean conseguiu nadar - ainda que de maneira desajeitada -, e, com um esforço ainda maior (triplicado) se direcionou para a margem do rio mais próxima. O que mais dificultou ao mercenário megalano foi o fato dele ter que se movimentar com Adrien, e, principalmente, Marduk, ambos presos ao corpo dele.

Worean se esforçou exaustivamente para tentar chegar às margens do rio, inclusive se ferindo bastante para realização desta proeza. Porém, quando este conseguiu se aproximar das margens, Pericles pode também acudi-lo.

Percebendo que pouco poderia fazer para ajudar Malgorr, o sahudense partiu em ajuda aos três mercenários que haviam descido correnteza abaixo do rio.

Socorro à Miendro, O Negro.

Malgorr se recuperou do atordoamento e entrou no rio para socorrer Milo. Com tranquilidade, cautela, e firmeza em seu caminhar o ranger conseguiu chegar até seu animal. Ele percebeu que a ave havia prendido o pé entre alguns galhos de árvores e pedras submersos, assim, com muito zelo e de forma serena trouxe tranquilidade ao animal, que somente a partir desse momento foi possível retirá-lo daquela armadilha que o atormentava. Mesmo com a pata ferida, o chocobo amarelo manteve seu caminho em direção a outra margem do rio, ao encontro dos demais chocobos negros que ali o aguardavam.

Os chocobos negros sessaram de ressoar aquele som agourento. Milo e Malgorr chegaram até o outro lado do rio sem maiores dificuldades e de encontro ao bando, que já não demonstravam hostilidade, mas pareciam apreensivos com alguma coisa. O bando de aves seguiu a frente apresentando um caminho para que eles os acompanhassem. Transpassado um morro, o grupo chegou a um belo bosque, onde muitos outros chocobos estavam aninhados, alguns deles de outras espécies, com plumagens de cores variadas, tais como, vermelhos, laranja, azuis, brancos, mas em quase toda a sua maioria, negros, e, nenhum amarelo. Outra constatação feita por Malgorr é que muitos deles estavam feridos - desde ferimentos superficiais a incapacitantes -, inclusive um que parecia o líder. A visão daquilo fez com que Milo ficasse inquieto.

Ilustração por SnowSkadi.
Vale dos Chocobos de Miendro, onde Milo foi convocado, testado e honrado com a evolução de seus poderes.


Os chocobos se posicionaram as volta de Milo, porém, aquilo o deixou ainda mais perturbado, pois, até então, ele compreendia que não possuía poder suficiente para curar vários de uma só vez. Todavia, bastou o pássaro líder - Miendro, O Negro - falar com ele algo incompreensível para que Malgorr presenciasse uma evolução de seu animal jamais imaginada.

Ilustração por Square.
Ajudando aos chocobos feridos
no vale de Miendro, Milo alcançou
uma capacidade surpreendente
de poder que ele mesmo desconhecia,
assim como o seu criador e treinador.
Milo colocou-se em uma posição de concentração, logo, suas penas começaram a brilhar em um tom que alternava do branco para o dourado em fração de segundos, seguindo em feixes luminosos dos pés ao centro da testa, e vive versa, emanando do chão alguns pequenos pontos luminosos em direção ao céu, Tão logo, a ave saltou em uma explosão de luzes, ressoando um grito e batendo as asas, enquanto muitas plumas douradas se desprendiam de seu corpo, repousando sobre os feridos e sendo magicamente absorvidas por esses últimos.

Malgorr ficou maravilhado por ter presenciado algo que somente ouviu rumores durante muitos anos de sua vida: que era o poder de cura em grandes áreas pelos Chocobos Amarelos. Até mesmo o ranger que trazia alguns ferimentos se viu curado, ainda que distante uns oito metros de seu companheiro. Aquelas aves que estavam feridas gravemente se viram totalmente saradas, inclusive a líder do ninho.

Os demais chocobos se viram gratificadas pelo poder de Milo, e, com isso lhes permitiram passagem segura pelo território, além de apoio ao resgate daqueles que estavam sendo mantidos cativos do homem fera e as suas bestas. Embora o ranger não entendesse o que estava sendo dito entre os pássaros, o clima de festividade era muito perceptível, inclusive em relação a presença dele que aparentava ser muito quisto.

***

Marduk conseguiu por os pés no fundo do rio, e, na oportunidade se manteve em equilíbrio, ainda que com toda força da água a se chocando contra ele. A partir dali, o nômade retomou uma caminhada lenta e difícil até a margem do rio onde os demais o aguardavam, e, também faziam força para puxa-lo. Por muito pouco Adrien não morreu afogado, os ferimentos em seu corpo o deixaram desacordado.

Com dificuldade o grupo se viu mais uma vez reunido às margens do rio, todos demasiadamente exausto pela aventura, salvo Marduk, que embora houvesse bebido muita água, ainda tinha fôlego para mais uma curta caminhada. No entanto, todos acharam por bem, descansar um pouco antes de tentarem ir ao encontro de Malgorr e o chocobo. Após recuperarem alguma energia, ambos caminharam até o local onde haviam se separado do ranger.

Pericles pegou a tiara mágica do ranger que estava jogada ao chão sem que ninguém percebesse.

Passado algum tempo, Malgorr surgiu montado em seu chocobo amarelo, ambos atravessando cautelosamente o rio. No local eles perceberam assustados que o grupo de mercenários estava muito ferido e exausto, porém, tal estado de calamidade foi prontamente resolvido com o uso do assombroso poder de cura do animal. Antes que partissem dali, Fant entregou a tiara mágica nas mãos do ranger que o agradeceu pelo gesto.

O sol já havia raiado por completo, e a neblina de outrora já não mais existia. O grupo retornou ao caminho por onde haviam detectado a passagem do bando de Qualbaeshi e os chocobos, e, se puseram a segui-los na expectativa de tão breve encontra-los.

Algum tempo caminhando na rota, não tardou para que o grupo de mercenários encontrassem vestígios de combate, com corpos de kobolds e gnouls fatalmente lacerados jazidos ao chão. Um ou outro ainda gemiam de dor, porém, Worean logo tratou de amenizar aquele sofrimento os golpeando mortalmente.

Seguindo um pouco mais adiante, os mercenários de Arvey se depararam com quatro anões sendo atacados por um gnoul e seis kobolds. Pericles e Tochida reconheceram aquelas criaturas como membros do bando de StinkDog. O grupo não pensou duas vezes em ataca-los em auxílio aos anões que se encontravam em desvantagem numérica, sobretudo, Worean, Adrien e Marduk.

Tochida, sem arma, preferiu retornar ao caminho anterior, no intuito de vasculhar os corpos das criaturas vistas momentos antes a procura de espólios de guerra, principalmente de armas, uma vez que, os seus itens pessoais permaneciam no acampamento de Qualbaeshi.

Com auxílio do grupo, os anões conseguiram com ligeira facilidade derrotar os inimigos, no entanto, para desgostos destes guerreiros de pouca estatura, uma baixa entre os seus não pode ser evitada. Mas, ainda sim, o povo de Zarak assistiu aquele auxílio com bons olhos, e, em relação a isso eles foram receptivos e alertaram o grupo dos perigos que os aguardavam, pois, o homem que liderava o bando de ladrões que cruzavam as montanhas não era alguém comum, era uma espécie de besta mortífera. Os anões recolheram o corpo jazido do companheiro, colocando-o sobre o ombro, e seguindo outro caminho por entre as montanhas, diferente daquele que os mercenários deveriam seguir,

Ilustração por Luccy Chiara Piunno.
Adrien cogitou em voz alta com
Worean e Marduk, a possibilidade de
Qualbaeshi ser uma espécie de lincantropo,
para justificar a sua alternância
de aparência, ora homem ora fera.
A frente do grupo Marduk, Adrien e Worean seguiram as pistas deixadas ao longo da trilha, porém, pensativos quanto a natureza do inimigo. O meio elfo cogitou com os dois companheiros de guilda a possibilidade de estarem lidando com uma espécie de lincantropo, uma suspeita que realmente já pairava em suas mentes.

O dia estava próximo do fim, com um tom alaranjado quase que roseado por toda extensão do céu, quando o grupo de mercenários de Arvey conseguiu avistar o bando de Qualbaeshi a percorrer o caminho. Uma caravana aparentemente não muito grande – sobretudo, como de outrora pela percepção de Pericles Fant. Eles conseguiram visualizar um único gnoul, pelos menos dez kobolds, e cerca de trinta chocobos amarelos, um homem que seguia na frente montado em um belo cavalo, e ao seu lado, uma mula de carga com inúmeras bolsas presas em seu lombo, além de carregar duas jovens amordaçadas por cordas.

Como o caminho era estreito, o grupo decidiu por bem não arriscar nenhuma manobra de imediato que pudesse denuncia-los, reservando-se em fazê-lo durante anoite, tal como uma emboscada. Para isso continuariam a segui-los a uma distancia segura, principalmente, sabendo da existência de alguns kobolds como batedores e responsáveis por despistar os rastros da passagem do bando (ainda que feito de maneira ineficiente). No entanto, o sahudense Tochida discordou de tal postura, pois, acreditava que naquele momento o grupo já possuía forças suficientes para atacar o inimigo.

Ao longo da caminhada em perseguição ao bando de Qualbaeshi, Tochida em passos largos tentou seguir a frente do grupo, mas por diversas vezes a sua ação foi reprimida por Worean e os demais. Por fim, o sahudense se fartou daquela situação, e deixou o grupo, acreditando ser suficientemente capaz de emboscar o captor das filhas de Malgorr e de seus itens pessoais. Houve uma intenção de mata-lo antes que pudesse obter distancia suficiente do alcance da maior lâmina, porém, o grupo não achou totalmente necessário fazê-lo, pois, embora houvesse um risco de Tochida estragar o efeito surpresa do ataque, também havia a possibilidade dele se tornar uma distração para o êxito da missão. Sendo assim, Tochida seguiu por um caminho lateral ao que faria os mercenários e Malgorr.

Ilustração por Charro.
Pericles Fant foi alvejado
por duas flechas
atiradas do alto de um paredão
por Kobolds aliados de Qualbaeshi.
Quando o grupo chegou numa passagem estreita por paredões que se elevavam a altura de quatro a cinco metros, eles foram surpreendidos por um ataque de flechas vindas de cima. Pericles foi o primeiro a ser atingido em seu lado esquerdo com uma flecha no peito e outra no ombro.

Malgorr e Milo foram para próximo de Pericles para tentar protege-los de novos ataques. Marduk lançou o seu escudo para o velho ranger a fim de que o auxilia-se em sua ação. O guerreiro nômade e o meio elfo resolveram seguir um caminho que havia em uma das laterais onde era possível perceber algum burburinho conhecido – como o de pássaros -, assim, como também alcançar ao demais do bando inimigo, dentre eles, o líder.

Worean também resolveu ficar próximo a Pericles e os outros, porém, ali mesmo ele também foi alvejado por flechas.

Ao adentrarem o novo caminho, Marduk e Adrien se viram cercados por vários chocobos amarelos amontoados, e, aparentemente estressados com aquela situação de confinamento em um cubículo. Em um dos cantos, próximo a parede, o guerreiro nômade conseguiu ver a cabeça do gnoul com uma espada de lâmina larga em punhos e quase a se perder naquela aglomeração de pássaros. Sem perder tempo, o gigante tentou se desvencilhar dos animais para ir ao encalço do inimigo, e, foi nesse momento que ele foi atingido com um ataque de bico por uma dos chocobos que estava estressado.

Ao sentir na pele o ataque de um dos chocobos e ao vislumbrar a sua volta que estava cercado de uma quantidade expressiva dos mesmos, Marduk se viu compelido a se afugentar daquele lugar antes que o pior acontecesse.

Um bando de chocobos negros rapidamente sobrevoou o local onde o confronto ocorria, para logo em seguida lançar sobre os inimigos de Milo e companhia um ataque preciso de projéteis mágicos, que abateu vários kobolds, dentre eles os dois arqueiros que atormentavam a vida dos mercenários do alto dos paredões. Embora alguns inimigos não tenham sido fatalmente atingidos pelo ataque surpresa dos aliados, a morte veio a eles em um momento breve por meio da espada e da natureza sanguinolenta de alguns dos mercenários.

Marduk e Adrien retornaram para junto dos demais, e, com eles vieram um bando de enfurecidos chocobos amarelos. Entretanto, antes que algo de muito ruim viesse a ocorrer ao grupo, Malgorr tomou a iniciativa, após o guerreiro nômade lhe sugerir que contivesse os seus animais, e, assim, o velho ranger partiu em direção a eles, e, por meio do uso de sua tiara mágica de comunicação conseguiu acalantar o ânimo das criaturas.

Adrien, O caminhante, realizou primeiros socorros em Worean.

O grupo ouviu um barulho de lâminas se chocando vindo de um local não muito distante de onde estavam, temendo pelo pior, e, cientes de que o verdadeiro inimigo ainda não havia sido confrontado, Marduk, Adrien e Malgoor partiram na direção de onde presumiam vir o barulho. Não tardaram em encontrar alguns kobolds mortos, um gnoul – o mesmo avistado entre os chocobos momento antes por Marduk -, e, muito debilitado a beira da morte, Tochida Murashai.

Toshida estava lacerado por inúmeros golpes de lâminas e garras, tendo as vísceras expostas, e, embebido em sangue - seu e de alguns de seus inimigos. O sahudense ainda soluçava em dor com o olhar perdido no céu estrelado quando percebeu a presença dos aliados, e, a eles somente pode alertar de que o inimigo era de fato uma besta mortífera, tal como os anões haviam alertado.

Ilustração por Mauricio H. El-Grimlock.
O ladino Qualbaeshi transformado
em Lobisomem, uma medonha
e bestial criatura sanguinária.
O local em que Tochida, Malgorr (montado sobre Milo), Marduk e Adrien estavam era tal como um cômodo espaçoso rodeado por paredões de rocha que se estendiam a uma altura de 3 a 4 metros. E, para surpresa deles, uma voz grotesca e carregada ressoou em tom ameaçador por cima daquelas paredes rochosas (algumas respingadas de sangue), vociferando injurias pelo afronto de suas ações, sobretudo, a do velho ranger. Malgorr e os mercenários tinham certeza daquilo que os aguardava, e o guerreiro nômade não tolerava mais aguardar, e, não tolerou tamanha petulância.

Marduk prestes a ser tomado por um espírito bestial de fúria se lançou sobre a parede rochosa com o seu martelo de duas mãos, e com a força necessária impulsionou o corpo em um movimento acrobático se desvencilhando com um imponente salto daquilo que obstruía o seu caminho de batalha, Tal ação foi tão assombrosa que surpreendeu o próprio inimigo que se encontrava a cerca de cinco metros de distancia.

Qualbaeshi estava em sua forma animalesca. Uma mescla bizarra de lobo e homem com pouco mais de três metros de alturas, e forte. Os pelos que encobriam o seu corpo eram de um tom negro profundo, que ao brilho da lua fazia com que o mesmo reluzisse de forma prateada em alguns instantes. As suas garras possuíam um aspecto mortal e ainda gotejavam por terem sido embebidas no sangue do sahudense, tal como as presas na boca. Os olhos pareciam expelir faíscas e maleficência. Na mão direita ele empunhava uma espada de lamina larga que mais se assemelhava a uma cimitarra, com várias inscrições rúnicas ao longo de sua lamina que reluzia de maneira bela pela qualidade do material trabalhado.

Ilustração por Nebezial.
Marduk, O Coração de Gelo,
enfrentou Qualbaeshi transmutado
na sua forma bestial, e, fez
com que o inimigo experimentasse
o poder de seu machado.
O guerreiro nômade com cautela foi para cima de seu inimigo. Porém, StinkDog o fez experimentar da lâmina de sua espada, e, isso ocorreu de maneira tão incomoda, que uma sequencia de golpes foi suficiente para projetar o gigante e fazer com que ele retornasse ao confronto transformado pelo espírito berserke que ansiava se libertar de suas frágeis amarras psíquicas. Marduk balbuciava injúrias inomináveis que mais se assemelhavam a urros de uma criatura selvagem em frenesi, bufava ofegante a cada passo e golpe direcionados ao seu inimigo.

Marduk custou em acertar a besta – que era mais alta, alguns centímetros -, mas um golpe do gigante oriundo dos Picos Nevados fez com que a mesma reconhecesse o poder destruidor de seu oponente.

Adrien e Malgorr tentaram buscar um novo caminho para chegar até onde Marduk estava a confrontar o inimigo, entretanto, antes que eles deixassem o lugar onde fora assassinado Tochida, quatro kobolds surgiram sedentos por sangue, com espadas curtas em mãos e a rosnar como cães ferozes. Um combate mortal foi travado naquele lugar, e, os pequenos cães humanoides sentiram na pele o quão as espadas do meio elfo estavam afiadas e preparadas para aquele momento, assim como, os ataques contundentes de Milo, por meio de seu bico (bicadas) e pernas (coices).

Por mais uma vez um bando de Chocobos Negros sobrevoou o local de confronto de Milo e seus aliados, e, novamente eles lançaram sobre as forças inimigas um ataque de incontáveis projéteis mágicos, e tal ofensiva foi suficiente por terminar de liquidar alguns dos combatentes do bando de Qualbaeshi. O líder, embora tenha sido alvejado, ainda de pé e com forças suficientes, aproveitou-se do ataque para se evadir do confronto.

O último ataque dos Chocobos Negros acabou acertando acidentalmente Marduk, que próximo da encosta, caiu por falta de equilíbrio do local onde estava para aquele onde estavam Adrien e Malgorr. Porém, a queda do guerreiro nômade sobre o chão rochoso o deixou inconsciente, o libertando do espírito selvagem que havia tomado posse de seu corpo e razão.

Adrien e Malgorr ficaram assombrados com a quantidade de golpes de espadas que haviam lacerados o tronco do gigante nômade, e o quanto de sangue o mesmo perdia com aqueles ferimentos expostos. Milo, sem que o amigo ranger falasse, se concentrou para mais uma vez usar seu poder mágico (naquele dia que fora para ele um dos mais exaustivos).

O guerreiro nômade abriu os olhos lentamente sentindo o doce sabor do hidromel em seus lábios, mas este não era um tipo qualquer desta bebida tão habituado a beber em sua terra natal, era algo especial do qual nunca havia experimentado. Todo o cenário de confronto agora lhe parecia tão distante e intocável como se vislumbrando por de trás do véu de águas de uma cachoeira feito um mosaico disforme. O seu machado já não possuía o peso de outrora, a sua lamina reluzia com um brilho sem igual e incomum. Sobre a sua cabeça, entre nuvens que precipitavam chuva, sobrevoavam alguns corvos e belos e vigorosos corcéis alados, Montando sobre os fantásticos animais, mulheres de beleza incomum, todas trajadas em armaduras reluzentes como primeiro raiar do sol. Uma delas se aproximou bem ao alcance de suas mãos, porém, quando os mesmos iriam se tocar, algo mágico ocorreu dissipando subitamente aquele evento.

Milo se concentrou, e com eficiência usou seu poder para realizar uma cura profunda dos ferimentos de Marduk. Todavia, o guerreiro tenha regenerado os seus ferimentos, algumas leves cicatrizes lhes foram presenteadas para que ele jamais se esquecesse do episódio. Pois, ainda que o Coração Gelado não tivesse total ciência do que lhe ocorreu quando o mesmo se encontrava em estado de fúria, uma torrente de imagens em lampejos tomaram a sua mente ao recobrar a consciência. Lembranças que não se associam aos eventos recentes, ou mesmo a ele, algo que o perturbou, pois muitas das vezes era como se ele tivesse sido possuído por outro alguém, ou vivido outra vida que não fosse a sua.

Pericles Fant não resistiu ao veneno contido nas flechas arremessadas pelos kobolds, e, acometido de uma paralisia total dos membros foi a óbito. Morreu desolado por não ter dado a Qualbaeshi o fim que tanto almejava.

Ilustração por Jesper Ejsing.
Embora Worean houvesse sido
alvejado por flechas semelhantes as que
repousaram no peito de Pericles,
ou seja, envenenadas, ele teve mais
sorte ao ser socorrido por Adrien.
Worean por sua vez, teve mais sorte que o ladino que havia adentrado nessa empreitada por vingança de seu antigo contratador, pois, Adrien conseguiu realizar nele primeiros socorros suficientes para estancar os ferimentos, e, conter qualquer ação do veneno disposto na ponta das flechas.

Miendro, o líder dos Chocobos auxiliados por Milo no inicio deste dia, liderou uma caçada vingativa e sem tréguas a Qualbaeshi e aos remanescentes de seu bando, que fugiram desnorteados pelas regiões montanhosas de Zarak. Um a um os kobolds foram executados. Por fim, Qualbaeshi também foi localizado, e, nem mesmo ele em sua forma monstruosa foi capaz de persuadir os seus oponentes.

StinkDog foi confrontado por Miendro, embora o ladino transmutado em lobisomem possuísse uma força e habilidade incomum para lutar com a espada, ele só não contava com o poder dos demais aliados do líder chocobo. Pois, para cada golpe mortal deferido pela criatura contra o chocobo negro uma leva de poderes encobria a ave líder emanada dos demais pássaros que observam o combate. Poderes estes, tais como: cura profunda; aumento de poder de ataque; resistência a danos; e, moral. Por fim, Qualbaeshi foi vencido pela exaustão de seus esforços em se mantiver vivo e consciente diante daquele grupo que almejava mais do que tudo o seu fim. Os chocobos amarelos sobreviventes que foram sequestrados da fazenda de Malgorr foram agraciados por Miendro para liquidar o captor.

Ilustração por Mateusz K. "Narholt".
Brendda Malgorr se aproveitou da
distração de Qualbaeshi e seus
vis aliados para fugir do acampamento
com a sua irmã, mal sabendo elas
que a distração em questão
era o confronto de seu pai
e aliados pelas suas vidas
e dos Chocobos Amarelos.
Em busca por demais aliados de Qualbaeshi, os chocobos encontraram as filhas de Malgorr, que fugiam assustadas e a esmo correndo pelos vales do reino anão montadas sobre dois chocobos amarelos.

Brendda Malgorr se aproveitou de mais uma distração de seus sequestradores (justamente, o confronto de seu pai e aliados) para junto com a irmã (Enorinna), fugirem. Elas montaram sobre o lombo de dois dos chocobos amarelos capturados de sua fazenda e partiram sem mais delongas, não pelo caminho comum (a rota comercial), mas por outros que lhe permitiam passagem, a fim de dificultar qualquer iniciativa de seu sequestrador em querer persegui-las. Ambas estavam tão assustadas com Qualbaeshi e suas criaturas de adeptos grotescos, que se elas pudessem encontrar uma morte rápida por meio da queda de um dos muitos precipícios que existem na região já lhes seria suficiente.

Chocobos Negros que sobrevoavam o local em ataque as forças inimigas perceberam a agitação de outros dois animais que fugiam em carreira do local levando consigo duas mulheres, logo, informaram aos demais que percorriam por vias terrestres em busca de inimigos sobreviventes sobre os mesmos. Os Amarelos cientes de quem poderiam ser pediram aqueles que podiam voar para que os abortassem até que um grupo pudesse chegar até eles e avisá-los do ocorrido.

A princípio, Brendda e Enorinna ficaram assustadas com a abordagem súbita dos Chocobos Negros que surgiram obstruindo a continuidade do caminho, pois, elas ainda se lembravam do primeiro encontro do grupo de Miendro e Qualbaeshi sobre as montanhas. Miendro queria a liberdade dos Chocobos Amarelos capturados pelo ladino a qualquer custo, porém, as próprias aves sequestradas estavam assustadas com a maneira agressiva da outra espécie, que até aquele momento, as próprias desconheciam completamente a existência por terem sido criadas em cativeiro. Porém, bastou surgirem uma dupla de Chocobos Amarelos para anunciarem o fim daquela doentia passagem pelas montanhas e o reencontro com Malgoor para que se desfizesse o semblante preocupado e defensivo das aves montadas. As irmãs não se opuseram ao entendimento que os pássaros haviam chegado, mas elas tinham uma certeza de que algo de bom havia ocorrido, pois, os animais demonstravam menos tensão.

O encontro do pai com as duas filhas foi uma cena comovente. Worean se lembrou da beleza dos dias de verão com a sua família, do quão o seu pai e a sua mãe eram devotos à felicidade dele e de seus irmãos, Marius e Aíra. O mercenário se afastou e encobriu parte do rosto com o capuz de sua capa para que os demais não percebessem os olhos marejados.

Ilustração por Zippora.
Enorinna Malgorr filha mais nova
de Francis Malgorr.
Miendro conversou com Malgorr, que o compreendia por meio da tiara mágica. O líder dos chocobos explanou ao ranger criador e treinador de seus semelhantes a necessidade dos pássaros serem livres naquele momento, uma vez que, a chegada deles até este continente foi por meio de batalhas (durante a Era do Signo de Orion), e, que muitos avistados até então viviam em fazendas e a margem de seus reais potenciais, onde muitos destes eram utilizados para o entretimento banal dos homens em corridas apostadas, ou ainda pior, para lhes prover belas vestimentas ou ter as suas vidas sacrificadas em pratos exóticos. Francis compreendeu muito bem os anseios da ave mestra, sobretudo, atrelada a um grau de evolução que ele em sua fazenda desconhecia, e, que somente poderia ser propiciada nesse estado natural e na companhia dos demais de sua espécie. Sendo assim, a maioria decidiu por ficar com o grupo liderado pelo Choco Negro em uma espécie de santuário, exceto Milo e outros três mais jovens, que futuramente serão libertos para seguirem ao encontro dos demais.




Sobre a regência de Libra, são dias que seguem.

Malgorr, Brendda, Enorinna, Adrien, Worean e Marduk, encontraram um local onde puderam descansar o resto daquela noite, sobretudo, estando as suas vidas guardadas por uma grande comitiva liderada por Miendro. Pela manhã um grupo de chocobos, designado pelo líder, ficou responsável por guardar a passagem do ranger e seus aliados de volta até as fronteiras de Zarak. Durante esse percurso, os aventureiros foram observados e auxiliados também pelos anões Dionísio Thirdway e Brinow Orklan, dois dos que foram ajudados no mesmo dia em que ocorreu a batalha contra Qualbaeshi e seu bando.

Os anões agraciaram os mercenários de Arvey com presentes mais do que quistos:

Marduk, o Coração Gelado.
Foi lhe entregue uma lamina forjada em metal de qualidade superior para o machado de duas mãos, composta por runas mágicas anãs (GeB+4 cort, peso 5 kg).
Runa: “Torri-Arf”.
Pré-requisito: Requer falar a runa para ativá-la e especificar para qual item será deferido o ataque.
Frequência de uso: Uma vez por oponente durante o combate.
Efeito: Reduz o RD e os PVs de armas ou armaduras do oponente a metade para serem quebradas.
Restrição: Não funciona contra anões.

Adrien, O Caminhante.
Duas espadas de lamina larga feitas em metal de qualidade superior para o Meio Elfo, com runas mágicas anã inscritas ao longo da lamina (GeB+2 cort e GdP+3 perf, peso 1,5 kg).
Runa “Maxima-Dorora”.
Pré-requisito: Requer falar a runa para ativá-la.
Frequência de uso: Uma vez por oponente durante o combate.
Efeito: Cada uma das armas é capaz de afligir o dano máximo.
Restrição: Não funciona contra anões.

Worean Hosborn, O Espada Errante.
As espadas de Worean foram agraciadas com runas de poder anão.
Runa: “Ferrum-Ocius”.
Pré-requisito: Requer falar a runa para ativá-la.
Frequência de uso: Uma vez por oponente durante o combate.
Efeito: Cada uma das armas é capaz de atacar a uma velocidade que ignora as defesas passivas do oponente, as deduzindo da jogada de defesa.
Restrição: Não funciona contra anões.

Outros itens entregues:

Peças de armaduras feitas em coro e aço com a insígnia de “Valentes Aliados de Morriel”, (Atribui +4 aos testes de reação junto aos Anões do Reino de Morriel, e +2 para os demais reinos anões de Zarak).

- Armaduras em coro reforçado para o grupo (RD +2, peso 5 kg); e,

- Placas de aço leve para as canelas, braço e peito (RD +6, somente peito e pesa 8,5 kg/ Braçadeira e Perneiras 7 kg e 9 kg respectivamente).